Neste Dia

Belém

Cidade na Palestina

Anúncio

Belém (em árabe: بيت لحم; romaniz.: Bayt Laḥm, lit. "Casa da Carne"; em hebraico: בית לחם; romaniz.: Beit Lehem, lit. "Casa do Pão"; em grego clássico: Βηϑλεέμ; romaniz.: Bethlehém; em latim: Bethlehem) é uma cidade palestina situada na região central da Cisjordânia ocupada por Israel. É a capital da província de Belém, no Território Ocupado da Cisjordânia, e um centro de cultura e turismo no país. Localiza-se a cerca de 10 quilômetros ao sul de Jerusalém, a uma altitude de 765 metros acima do nível do mar. Belém fica próxima às cidades de Beit Jala e Beit Sahour, assim como dos campos de refugiados de Aida e Azza. Em 2017 tinha uma população de 28.591 pessoas.

A economia da cidade é em grande parte impulsionada pelo turismo; o turismo internacional atinge o pico próximo e durante o Natal, quando os cristãos embarcam em uma peregrinação à Igreja da Natividade, reverenciada pela maior parte dos cristãos como o local do Nascimento de Jesus. A cidade é habitada por uma das mais antigas comunidades cristãs do mundo, embora seu tamanho tenha se reduzido nos últimos anos, devido à emigração.

A cidade também é a terra natal do rei Davi, e o local onde ele foi coroado rei de Israel. Foi saqueada pelos samaritanos em 529, durante sua revolta, porém foi reconstruída pelo imperador bizantino Justiniano II. Belém foi conquistada pelo califado árabe de Omar, em 637, que garantiu a segurança para os santuários religiosos da cidade. Em 1099 os cruzados capturaram e fortificaram Belém, e trocaram o seu clero, ortodoxo grego, por outro, latino; estes, no entanto, foram expulsos depois que a cidade foi capturada pelo sultão aiúbida do Egito e Síria Saladino. Com a chegada dos mamelucos, em 1250, as muralhas da cidade foram destruídas, sendo reconstruídas apenas durante o domínio do Império Otomano.

Os otomanos perderam a cidade para os britânicos durante a Primeira Guerra Mundial, e ela foi incluída numa zona internacional sob o Plano de Partilha das Nações Unidas para a Palestina.

A Jordânia ocupou a cidade durante a guerra árabe-israelense de 1948, ocupação esta seguida pela de Israel, durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Atualmente, Belém é uma cidade estrangulada pelo muro de Israel. Israel controla as entradas e saídas de Belém, embora a administração cotidiana esteja sob a supervisão da Autoridade Nacional Palestina desde 1995, após a realização dos acordos de paz de Oslo.

A população de Belém é constituída de cristãos e muçulmanos, que têm coexistido pacificamente durante a maior parte de sua história. Atualmente a população é majoritariamente muçulmana, mas a cidade ainda abriga uma das maiores comunidades de cristãos palestinos. O contingente de cristãos, que correspondia a cerca de 90% do total em 1948, tem decrescido drasticamente e hoje corresponde a 30%. Esse declínio é atribuído à falta de perspectivas da economia, dado que muitas famílias de agricultores cristãos perderam suas terras, para a construção de assentamentos judeus.

Em 1867, um visitante americano descreve a cidade como tendo uma população de 3 000 a 4 000, dos quais, cerca de 100 eram protestantes, 300 eram muçulmanos e "os demais pertenciam às Igrejas Latina e Grega, com alguns poucos armênios". Outro relato do mesmo estima a população cristã em 3 000 pessoas; os muçulmanos seriam apenas 50.

Em 1948, 85% dos habitantes eram cristãos, a maioria deles pertencente à Igreja Ortodoxa Grega e à Igreja Católica Romana, e 13% eram muçulmanos sunitas. Em 2005, a proporção de residentes cristãos caiu dramaticamente - para algo em torno de 40% a 50%. A única mesquita na Cidade Velha é a Mesquita de Omar.

Segundo o censo palestino de 1997, a cidade tinha uma população de 21 670, sendo 11 079 homens e 10 594 mulheres. Nesse total estavam incluídos 6 570 refugiados, que correspondiam a 30,3% da população total.

A distribuição por faixa etária era a seguinte mostrava uma população preponderantemente jovem: 65% tinham menos de 30 anos, sendo:

Em 2007, dos 25 266 habitantes, 12 753 eram homens e 12 513 eram mulheres. Havia 6 709 domicílios, dos quais 5 211 correspondiam a unidades familiares. A média por família era de 4,8 membros. As maiores religiões em Belém são o Cristianismo (principalmente o catolicismo) e o Islamismo, com alguns poucos grupos de Judeus.

A principal atividade econômica da cidade é o turismo, que cresce sobretudo durante o período do Natal, quando a Igreja da Natividade, supostamente construída sobre o local de nascimento de Jesus, torna-se um centro de peregrinação cristã. Também a tumba de Raquel, um importante local sagrado para o judaísmo, encontra-se na entrada de Belém. A cidade tem mais de trinta hotéis e 300 lojas de artesanato, que empregam boa parte dos residentes da cidade. A economia de Belém sempre esteve ligada à de Jerusalém, que está a cerca de 10 km de distância. Mas o grande muro de concreto cinza, medindo 9 metros de altura construído por Israel passa por dentro da província de Belém, e assim, os habitantes de Belém já não podem mais ir a Jerusalém para trabalhar ou fazer compras. Sem terras para cultivar, eles estão agora quase totalmente dependentes do dinheiro gasto pelos peregrinos. Mas estes, desencorajados pelo Muro, raramente permanecem em Belém, optando por visitas de algumas horas à Basílica da Natividade e aos Campos dos Pastores, gastando pouco. Fugindo do desemprego de mais de 50% e privados das liberdades fundamentais, cerca de 3 000 cristãos emigraram nos últimos anos para os EUA e o Chile.

Os primeiros assentamentos, no local onde está a cidade de Belém, datam 3 000 a.C.. Em todo o território hoje constituído por Israel e os Territórios ocupados da Cisjordânia se assentaram tribos cananeias, sendo as principais as dos: jebuseus, hititas e amaritas, que construíram pequenas cidades, cercadas por muralhas que as protegiam. Uma destas cidades foi Beit Lahama, em homenagem a Lahm, deus caldeu da fertilidade, que foi adotado pelos cananeus com o nome de Laham, a quem construíram um templo, localizado no atual Monte da Natividade, voltado para os vales férteis da região, depois chamados Campo dos Pastores.

Em 1 350 a.C. um governador egípcio da região menciona a cidade de Belém, em carta ao faraó Amenófis III, como importante ponto de repouso para os viajantes. Por ser ponto estratégico, os filisteus aí mantinham uma de suas divisões militares, impondo sua hegemonia em 1 200 a.C., passando a se miscigenar com os cananeus. A disputa por terras entre filisteus e israelitas foram causa de numerosas guerras.

Os gregos ocuparam a Terra Santa por mais de um século, até a chegada dos romanos, em 63 a.C. Após o ano 313, o imperador Constantino iniciou a construção de várias igrejas, das quais se destaca a Basílica da Natividade, sobre a gruta onde Jesus nascera. Belém passou a ser então importante centro de vida monástica. Em 395, com a divisão do Império Romano, passou a integrar a parte oriental.

Belém foi identificada com a antiga Efrata, já citada na Bíblia (Gênesis 35:16; Gênesis 48:27; Rute 4:11), e é chamada de Belém Efrata em Miqueias 5:2. Localizada na zona montanhosa de Judá, a cidade também era designada como Belém de Judá (Juízes 17:7; Mateus 2:5; I Samuel 17:12), possivelmente para distingui-la de Belém de Zebulom (Josué 19:15), e "a cidade de Davi" (Lucas 2:4).

A cidade é mencionada pela primeira vez no Tanakh e na Bíblia como a cidade mais próxima ao local onde a matriarca abraâmica Raquel teria morrido, sendo então enterrada "no caminho de Efrata, que é Belém" (Gen. 48, 7) O Túmulo de Raquel, segundo a tradição, encontra-se na entrada da cidade. De acordo com o Livro de Rute, o vale a leste da cidade é onde Rute de Moabe respigou os campos e retornou à cidade com Naomi. Belém é também tida tradicionalmente como a terra natal de Davi, o segundo rei de Israel, e o lugar onde ele foi coroado por Samuel (I Samuel 16:4–13), e foi no poço da cidade que três de seus guerreiros pegaram a água levada a ele, quando teve se esconder na caverna de Adulão. (Samuel 23:13–17) Ocupada, por algum tempo, pelos filisteus, foi fortificada por Roboão e repovoada quando da volta do Exílio.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Belém | World in Stories