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Beatriz Segall

Atriz brasileira (1926–2018)

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Beatriz Segall (Rio de Janeiro, 25 de julho de 1926 — São Paulo, 5 de setembro de 2018) foi uma das maiores atrizes do teatro e teledramaturgia brasileira. Estreou no cinema em 1941 no filme 24 Horas de Sonho e em 1956 na televisão na telenovela infantil Pollyana. Realizou trabalhos na maioria das emissoras produtoras de teledramaturgia, como Band, TV Cultura, Record e TV Globo, além das extintas Rede Tupi, TV Excelsior, Rede Manchete e TV Rio. Entrou para a história em 1988 ao interpretar Odete Roitman em Vale Tudo, considerada a maior vilã da história da televisão brasileira. Anteriormente havia intepretado uma outra grande vilã, Lourdes Mesquita em Água Viva de 1980.

Em 1997, após Anjo Mau, declarou que não faria mais telenovelas por serem muito extensas, dedicando-se apenas ao teatro e pequenas participações na televisão. A única exceção foi em 2006 quando interpretou a avó da protagonista de Bicho do Mato.

Nascida no Rio em uma família da classe média, Beatriz de Toledo era filha do diretor do prestigiado Instituto Lafayette, um tradicional colégio feminino da Tijuca, e recebeu uma educação primorosa para os padrões da época — aprendeu francês, piano e costura. Na escola sempre assistia encantada aos ensaios das peças teatrais, mas no fim dos anos 1940, garotas de família eram mantidas longe do ambiente “promíscuo” do teatro. Por isso, quando Beatriz comunicou em casa que pretendia integrar o elenco de uma peça profissional, seu pai reagiu mal, dizendo: “Pode ir, mas vai me dar um grande desgosto”. Beatriz não foi. Em 1946, foi professora de francês, tendo lecionado no Colégio Municipal Barão do Rio Branco, no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro. Anos mais tarde, surpreendeu sua mãe com a notícia de que tinha ganhado uma bolsa para estudar teatro e literatura em Paris e, dessa vez, não pretendia abrir mão. Começou a estudar teatro no início dos anos 1950. Trabalhou com Henriette Morineau.

Em Paris, prosseguiu os estudos e conheceu Maurício Klabin Segall (filho do pintor judeu lituano Lasar Segall e da tradutora Jenny Klabin, e neto de Maurício Freeman Klabin, fundador da Klabin S.A.), com quem se casou em 1954 e teve três filhos: o diretor de cinema e empresário Sérgio Segall, o professor Mário Lasar Segall e o arquiteto Paulo Segall. Nessa época, abandonou a carreira para retomá-la somente em 1964.

Em 22 de junho de 2009, foi agraciada com a comenda da Ordem do Ipiranga pelo Governo do Estado de São Paulo, na pessoa do então governador José Serra.

Fez longa carreira, sempre voltada ao teatro, frequentou a escola de formação de atores do Serviço Nacional de Teatro (SNT), onde grava uma cena com Jean-Louis Barrault. No fim do curso interpreta Le Bel Indifférent, de Jean Cocteau, abrindo as portas para sua carreira teatral, em 1950, embora tenha trabalhado no cinema, onde estreou em 1950, no filme A Beleza do Diabo, de Romain Lesage.

Recebeu vários prêmios na carreira pelo teatro, dentre os quais, os prêmios Governador do Estado, Prêmio Shell, Mambembe. Já atuou em mais de 40 peças de teatro, dentre elas, Hamlet, Frank V, A Longa Noite de Cristal e Três Mulheres Altas e os monólogos Emily e Lillian Em 1953, foi integrante da companhia Os Artistas Unidos, de Henriette Morineau, depois em 1964, passou a integrar o Teatro Oficina e fez parceria em 1986 com o Grupo Tapa.

Em seus primeiros anos na televisão estrelou as primeiras novelas infantis da televisão brasileira, Pollyana, Lever no Espaço e Pollyana Moça. Posteriormente interpretou personagens que marcaram a história da televisão brasileira, como a aristocrata Lourdes Mesquita, de Água Viva, em 1980. Na trama de Gilberto Braga a personagem era uma mulher controladora e mãe de Márcia Natália do Vale ,que fazia de tudo para atrapalhar o romance do filho Marcos, vivido por Fábio Júnior , com a mocinha Janete, interpretada por Lucélia Santos. O autor Gilberto Braga havia escalado Tônia Carrero para o papel da vilã Lourdes, enquanto Beatriz Segall faria a socialite Stella Simpson. No entanto, Tônia não quis viver a vilã e pediu para trocar de personagem. Com isso, ela assumiu o papel de Stella Simpson, e Beatriz Segall ficou com o papel de Lourdes Mesquita. A troca foi um sucesso e marcou a teledramaturgia brasileira. uma mas foi a personagem de Odete Roitman, de Vale Tudo em 1988, da Rede Globo, considerada uma das maiores vilãs da história da televisão brasileira, que marcou sua carreira televisiva. Ela era uma milionária arrogante, manipuladora e esnobe, que desprezava o próprio país. Presidente do poderoso grupo Almeida Roitman, era uma mulher fria e mandona que controlava a vida de todos ao seu redor e Tinha uma relação abusiva e controladora com a filha alcoólatra Helena Renata Sorrah e não aceitava que o filho, Afonso Cássio Gabus Mendes, quisesse morar no Brasil, mantinha casos extraconjungais, o mais famoso pelo vigarista César Ribeiro Carlos Alberto Ricelli, no qual Odete se apaixonou de verdade. O sucesso da personagem inspira interpretações de vilões de novelas até os tempos atuais. Além disso, o jargão "Quem Matou Odete Roitman?" (referindo-se ao assassinato da personagem) é até hoje repetido em alusão aos mistérios das tramas em telenovelas. Beatriz revelou em entrevistas que não gostava de falar sobre a personagem, afirmando que, pela popularidade dela, acabava nunca sendo reconhecida por outros trabalhos no teatro e no cinema, e que isso a incomoda muito. Inicialmente assim como em Água Viva com a Lourdes Mesquita, e em Vale Tudo com a personagem Odete Roitman, a atriz não tinha sido a primeira opção do autor Gilberto Braga, inicialmente o autor havia pensando em Tônia Carrero e Odete Lara para viver a personagem, mas com as negativas das atrizes e contragosto do diretor Daniel Filho, a indicação do diretor Paulo Ubiratan acabou vencendo e a atriz acabou sendo a escolhida para dar vida a Odete Roitman. Além da Lourdes Mesquita em Água Viva (1980) e de Odete Roitman de Vale Tudo (1988), destacou-se também com outras personagens como Celina em Dancin' Days (1978), Norah Brandão de Pai Herói (1979), Laura em Sol de Verão (1982), Eunice em Champagne (1983) no qual interpretou sua única personagem pobre na TV, Alzira em Carmem (1987) , da Rede Manchete, Miss Penélope Brown em Barriga de Aluguel (1990), Stella em De Corpo e Alma (1992), Paula em Sonho Meu (1993), e Clô Jordão em Anjo Mau (1997).

Em 1997, após Anjo Mau, declarou que não faria mais telenovelas, dedicando-se a partir de então apenas ao teatro e fazendo apenas algumas participações especiais na televisão. Em 2006, após nove anos depois, aceitou o convite da Record para Bicho do Mato por ser amiga pessoal do autor Bosco Brasil, onde vivia a milionária Bárbara, uma avó fria que vivia em guerra com sua neta. Em 2011, a convite da Rede Globo e do autor Aguinaldo Silva, interpretou mais uma vilã na sua carreira. Sua personagem, Maria Beatriz, era contra a protagonista, Lara Romero, interpretada por Susana Vieira, na primeira temporada da série Lara com Z, derivada de Cinquentinha, do mesmo autor. Em 2012, atuou na novela Lado a Lado, da Rede Globo, interpretando a personagem Madame Besançon, tendo contracenando com a atriz Camila Pitanga.

Em 11 de abril de 2015, Beatriz retornou a Rede Globo para estrear Os Experientes, uma série em quatro capítulos. No primeiro episódio da série, "Assalto", a atriz interpreta Yolanda, uma senhora de idade que está em uma agência bancária no momento em que esta foi assaltada. Sua personagem divide sua história e experiências com um dos assaltantes.

Em 2007 Coleção Aplauso Especial lança a biografia de Beatriz Segall, "Além das aparências". de Nilu Lebert.

A atriz morreu no Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo, no dia 5 de setembro de 2018, vítima de problemas respiratórios e complicações da doença de Alzheimer. Deixou 3 filhos, Sergio, Mario e Paulo, e 8 netos.

«Beatriz Segall». no Memória Globo

Biografia de Beatriz Segall no Portal do Museu da Televisão Brasileira

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