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Batalha de Verdun

A Batalha de Verdun (em francês: Bataille de Verdun [bataj də vɛʁdœ̃]; em alemão: Schlacht um Verdun [ʃlaxt ˀʊm ˈvɛɐdœ

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A Batalha de Verdun (em francês: Bataille de Verdun [bataj də vɛʁdœ̃]; em alemão: Schlacht um Verdun [ʃlaxt ˀʊm ˈvɛɐdœŋ]), foi a única grande ofensiva alemã que ocorreu entre a Primeira Batalha do Marne em 1914 e a Kaiserschlacht do general Erich Ludendorff na primavera de 1918. Foi uma das batalhas mais violentas e sangrentas de toda a Frente Ocidental da Primeira Guerra Mundial; começou em 21 de fevereiro de 1916 e terminou em 18 de dezembro do mesmo ano, colocando o exército alemão, liderado pelo Chefe do Estado-Maior, general Erich von Falkenhayn, contra o exército francês, liderado pelo Comandante Supremo Joseph Joffre substituído no final de 1916 pelo general Robert Nivelle. Verdun foi um ponto de virada crucial na guerra, pois marcou o momento em que o peso principal das operações na Frente Ocidental passou da França para o Império Britânico, fez desaparecer as possibilidades ainda concretas da Alemanha de vencer a guerra e influenciou parcialmente a entrada dos Estados Unidos no conflito.

O tempo ruim atrasou os planos de ataque alemão até 21 de fevereiro, quando a investida começou com um grande bombardeamento de artilharia. O primeiro alvo, e o mais crucial, era Forte Douaumont, a principal defesa da região, e foi capturado pelos alemães em três dias. Depois deste triunfo, as forças imperiais alemãs tiveram problemas em avançar, com os franceses esboçando feroz resistência. A 6 de março, os reforços franceses chegaram, totalizando então vinte divisões na área de Verdun e as fortificações defensivas foram melhoradas. O general Pétain deu ordens para que nenhuma retirada fosse autorizada e organizou contra-ataques, expondo as forças francesas a artilharia alemã. Em 29 de março, as posições francesas já estavam bem sólidas e sua própria artilharia passou a fustigar os alemães, infligindo-os pesadas baixas.

Em março, após um mês de ataques, a ofensiva alemã se estendeu à margem leste do Meuse, para tentar parar a artilharia francesa que atirava por sobre o rio às colinas Meuse. Os alemães fizeram alguns progressos mas os franceses mobilizaram reforços e seguraram suas posições, a duras penas. No começo de maio, os alemães mudaram de tática novamente e passaram a fazer ataques localizados de tamanho médio e focar em contra-ataques, o que deu aos franceses a oportunidade de iniciar uma ofensiva para retomar o crucial Forte Douaumont. Os franceses foram inicialmente bem sucedidos, mas os alemães contra-atacaram, recapturando o forte e fazendo milhares de prisioneiros. As forças alemãs alternaram seus ataques em ambas as margens do rio Meuse e em junho capturaram o Forte Vaux. Os alemães continuaram suas ofensivas em direção ao último objetivo geográfico do plano original, em Fleury-devant-Douaumont e o Forte Souville. Os alemães abriram uma saliência (bolsão) nas defesas francesas, capturando Fleury e chegando a apenas 4 km da cidadela de Verdun.

Em julho de 1916, os alemães tiveram de retirar tropas da linha de frente em Verdun para reforçar suas posições no Rio Somme, onde os britânicos haviam lançado uma grande ofensiva e de 23 de junho a 17 de agosto, Fleury mudou de mão dezesseis vezes. Os alemães então focaram em tomar Forte Souville, mas falharam. Eles então tiveram de reduzir seus esforços mas tentaram manter os franceses ocupados na defesa de Verdun, para impedi-los de reforçar os britânicos no Somme. Entre agosto e dezembro, os franceses lançaram múltiplos contra-ataques, recuperando boa parte do terreno perdido na margem leste do Meuse e finalmente recuperando Forte Douaumont e Forte Vaux. Em meados de dezembro, Falkenhayn cancelou novas ofensivas e, com os franceses no controle de boa parte de Verdun, a batalha foi assim encerrada. Foram 302 dias de combates, fazendo desta batalha uma das mais longas da Primeira Guerra. Também foi uma das mais sangrentas. Segundo os historiadores Hannes Heer e K. Naumann, 377 231 franceses foram mortos ou feridos, enquanto os alemães perderam 337 000 soldados (entre mortos e feridos também), totalizando as perdas gerais em 714 231 (uma média aproximada de 70 000 por mês). Em 2014, William Philpott escreveu que o total de perdas em Verdun e nas regiões vizinhas pode chegar a 1 250 000 mortos, feridos, desaparecidos ou capturados. A batalha foi caracterizada também pelo terreno ruim, lama, doenças e outros tipos de privações que pesaram nos combatentes de ambos os lados, física e psicologicamente.

As causas do ataque alemão à cidade, e da subsequente e árdua resistência francesa, têm, contudo, raízes mais profundas, que se encontram nos eventos ocorridos durante a segunda metade do século XIX, desde a Guerra Franco-Prussiana de 1870 até à reorganização política e militar da França e da Alemanha.

Em julho de 1870, as forças de Napoleão III sofreram algumas derrotas iniciais, mas inconclusivas, e a partir daí o exército francês começou a recuar e nunca conseguiu se recuperar. Os alemães não deram trégua ao exército francês, que foi forçado a recuar primeiro para Metz, onde metade dele, comandada pelo general François Bazaine, foi cercada e se rendeu após dois meses de inércia, e depois para Sedan, onde a outra metade do exército, comandada por Patrice de Mac-Mahon, foi encurralada e forçada a se render definitivamente. Foi uma verdadeira catástrofe para o exército francês, que durante séculos se considerou a única raça guerreira verdadeira da Europa. Quatro meses depois, o Rei da Prússia se proclamou Kaiser no Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes, no edifício onde a inscrição "À toutes les Gloires de la France" estava exposta em frente a uma pintura que retratava os franceses humilhando os alemães.

A França se viu com um exército em ruínas e uma nação desmoralizada em sérias dificuldades financeiras; a Alsácia e a Lorena, entre os mais importantes centros industriais da Europa e da França, foram cedidas ao Império Alemão, mas o orgulho francês logo deu novo ímpeto ao país, ávido por revanchismo contra o odiado inimigo alemão. Quinze anos após a Guerra Franco-Prussiana, o exército francês havia recuperado seu poder defensivo e ofensivo e a França, após se recuperar econômica e militarmente, começou a construção de um forte sistema defensivo ao longo da fronteira oriental. Para não cair na armadilha de Metz, em vez de fortificar as cidades, decidiu-se construir duas linhas contínuas de fortes. Assim foi criado o famoso Sistema Séré de Rivières, idealizado pelo general de mesmo nome, que consistia em uma longa linha fortificada cujo "nó principal" ficava nas fortalezas de Verdun.

Embora o exército alemão de 1914 fosse muito mais poderoso do que o de 1870, o sistema de fortificações Séré de Rivières teria causado combates longos e difíceis em caso de ataque ao longo das rotas de invasão tradicionais, e a aliança entre a França e a Rússia tornava inevitável para a Alemanha o risco de enfrentar uma guerra em duas frentes; ambos foram fatores que influenciaram o Conde Alfred von Schlieffen a conceber o plano de mesmo nome que previa esmagar a França com uma "guerra relâmpago" enquanto as operações de mobilização ainda estavam em curso na Rússia.

O medo francês de ficar atolado numa nova retirada desastrosa em caso de um novo conflito levou os oficiais franceses a valorizar mais a teoria do "ataque total", desenvolvida pelo coronel Louis de Grandmaison, segundo a qual: "se o inimigo ousasse tomar a iniciativa, mesmo que por um único instante, cada centímetro de terreno teria de ser defendido até à morte e, se perdido, reconquistado com um contra-ataque imediato, ainda que inoportuno". Os comandantes franceses, de Ferdinand Foch a Joseph Joffre, confiaram plenamente nesta teoria, considerando inicialmente inúteis e supérfluas até mesmo as armas que o exército alemão da época já utilizava amplamente, como a artilharia pesada para apoiar a infantaria e o uso estratégico de metralhadoras.

Por sua vez, o General Erich von Falkenhayn, conhecendo a importância vital de Verdun para a nação francesa e precisamente as técnicas ofensivas do exército inimigo, prevendo que a fortaleza seria tenazmente defendida até o fim, elaborou um plano baseado no desgaste gradual do exército francês, através do uso maciço de artilharia, que seria dizimado dia após dia na defesa da "mística Verdun". Tudo isso aconteceu e foi aplicado sangrentamente por quase dez meses, durante os quais a fortaleza se tornou o palco de uma gigantesca batalha de desgaste envolvendo ambos os lados. Quando os alemães iniciaram seu ataque em 21 de fevereiro, haviam se passado apenas dois meses desde que o General Falkenhayn conseguira convencer o Kaiser Guilherme II de que o Estado-Maior francês, determinado a defender a todo custo a histórica cidadela, "seria forçado a empregar todos os homens nesta ação" em vez de abandonar a fortaleza e adotar outra linha defensiva.

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