A Batalha de Peleliu, codinome Operação Stalemate II, foi travada entre os Estados Unidos e o Império do Japão no teatro de operações do Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial. Fez parte da campanha nas Ilhas Marianas e Palau, ocorrendo entre 15 de setembro a 27 de novembro de 1944 na pequena ilha de Peleliu, Ilhas Palau.
Fuzileiros Navais dos Estados Unidos da 1ª Divisão e, em seguida, soldados da 81ª Divisão de Infantaria do Exército dos Estados Unidos lutaram para capturar e manter um campo de pouso na pequena ilha de coral. A batalha foi parte de uma campanha ofensiva maior conhecida como Operação Forager, que ocorreu de junho a novembro de 1944 no Teatro do Pacífico.
O Major General William H. Rupertus, comandante da 1ª Divisão de Fuzileiros Navais, previu que a ilha seria protegida em quatro dias. No entanto, após repetidas derrotas do Exército Imperial Japonês em campanhas anteriores nas ilhas Salomão, Gilbert e Marshall, o Império do Japão desenvolveu novas táticas de defesa da ilha e fortificações bem elaboradas, o que lhes permitiu oferecer forte resistência e estendeu a batalha para mais de dois meses. Os defensores japoneses, em grande desvantagem numérica, ofereceram uma resistência tão firme, muitas vezes lutando até a morte em nome do Imperador Japonês, que a ilha ficou conhecida em japonês como a "Ilha do Imperador".
Este combate permanece como uma das batalhas mais controversas da história americana por causa do valor estratégico questionável da ilha e do alto número de mortos. Considerando o número de homens envolvidos, Peleliu teve a maior média de fatalidades entre todas as batalhas travadas durante a Guerra no Pacífico. O Museu Nacional dos Fuzileiros chamou a batalha de "a mais amarga de toda a história dos Marines".
No verão de 1944, vitórias no sudoeste e no Pacífico Central trouxe a guerra para mais perto do Japão, com os aviões bombardeiros americanos conseguindo atacar de forma efetiva as principais ilhas japonesas. Havia certo desacordo dentro do Estado-Maior Americano sobre qual das duas estratégias apresentadas derrotaria o Império japonês de forma mais rápida. A estratégia propósta pelo General Douglas MacArthur sugeria reconquistar as Ilhas Filipinas, seguida pela captura de Okinawa, e depois atacar o Japão diretamente. O Almirante Chester Nimitz sugeriu uma estratégia mais direta que incluia ignorar as Filipinas, mas atacando Okinawa e a Ilha de Formosa, usando-a como base para invadir a China, e em seguida desembarcar no Japão.
A estratégia de ambos os comandantes incluía a invasão de Peleliu mas por razões diferentes. A 1ª Divisão de Fuzileiros já havia sido escolhida para fazer o ataque. O Presidente Franklin D. Roosevelt visitou Pearl Harbor para se encontrar com os comandantes e discutir a questão. A estratégia de MacArthur acabou sendo a escolhida. Contudo, antes que MacArthur pudesse seguir com seu plano de reconquistar as Filipinas, as Ilhas Palau, mais especificamente Peleliu e Angaur, precisavam ser neutralizadas e um campo aéreo construída nelas para proteger o flanco direito de MacArthur.
Em meados de 1944, as Ilhas Palau estavam ocupadas no mínimo por 30 000 soldados japoneses, com cerca de 11 000 homens só em Peleliu, sendo estes homens da 14ª Divisão de Infantaria Imperial, e também trabalhadores vindos da Coréia e de Okinawa. O Coronel Kunio Nakagawa, comandante do 2° Regimento da Divisão, liderou as preparações das defesas.
Após as maciças perdas sofridas nas Ilhas Salomão, Gilbert, Marshall e Marianas, o Exército Imperial reuniu um grupo de pesquisa para desenvolver novas estratégias de defesa para as ilhas. O grupo decidiu abandonar a velha estratégia de defesas insulares e, acima de tudo, desistir dos ataques suicidas (Banzai). A nova estratégia consistia em desfazer a formação das equipes de desembarque inimiga, formando um sistema de fortificações similar a uma "colméia", substituir os infrutíferos ataques banzai por contra-ataques coordenados e atrair os Americanos a um sangrento combate de atrito para desfalecer o inimigo e forçá-los a utilizar mais recursos num ataque direto. O Coronel Nakagawa concentrou todas as suas forças no interior da ilha. Usando o terreno difícil em seu benefício, ele construiu uma série de bunkers fortificados, cavernas e trincheiras.
A maioria das defesas de Nakagawa se baseava no ponto mais alto de Peleliu, o monte Umurbrogol, um punhado de montanhas de cristas íngremes. Localizado no centro de Peleliu, Umurbrogol tinha vista para quase toda a ilha, incluindo o crucial campo aéreo. O Umurbrogol continha aproximadamente 500 cavernas, interconectadas por túneis. As cavernas foram transformadas em fortificações com posições fixas de artilharia e ninhos de metralhadoras.
O Exército Japones fortificou também as bases do Umurbrogol com morteiros de 81 mm e de 150 mm e canhões de 20 mm, e uma companhia de blindados leves e um destacamento de armas anti-aéreas. As cavernas e os bunkers estavam todos conectados por uma vastidão de túneis que cobriam toda Peleliu, que permitia aos Japoneses recuar ou re-ocupar as posições quando necessário.
Os japoneses também usaram o terreno difícil das praias em seu favor. A região norte dos prováveis locais de desembarque tinha um promotório de coral com 9.1 m que dava para uma pequena península, chamado pelos americanos de "The Point" (O ponto). Havia também buracos com armas anti-tanque de 47 mm e seis canhões de 20 mm, que tinham como objetivo despejar saraivadas mortais nas praias.
Os japoneses encheram as praias com vários obstáculos para veículos, minas e até capsulas de artilharia enterradas com explosivos. Um batalhão foi posto ao longo da costa para enfrentar as tropas que desembarcavam mas estas defesas estavam lá apenas para atrasar o avanço americano. Os invasores eventualmente teriam que ir ilha a dentro e enfrentar as fortificações e outras posições defensivas.
Ao contrário dos japoneses, que modificaram a sua estratégia dramaticamente para a batalha vindoura, o plano de desembarque americano não mudou muito em comparação com as operações anteriores, mesmo sofrendo 3 000 baixas e um atraso de dois meses para derrotar os japoneses na Batalha de Biak. Em Peleliu, os estrategistas americanos decidiram desembarcar na parte sudoeste da ilha, devido à proximidade desta ao aeroporto no sul da ilha. O 1º Regimento de Fuzileiros, comandados pelo Coronel Lewis B. Puller, deveria desembarcar nas praias mais a norte. O 5º Regimento de Fuzileiros, sob a liderança do Coronel Harold D. Harris, atacaria pelo centro e o 7º Regimento de Fuzileiros, comandados pelo Coronel Herman H. Hanneken, desembarcaria no extremo sul.
A divisão de artilharia do regimento, o 11º Regimento de Fuzileiros, desembarcaria após a infantaria. O plano era fazer com que o 1º e o 7º Regimentos pressionassem a ilha, protegendo o flanco esquerdo do 5º Regimento e permitir a eles tomar o campo aéreo localizado próximo ao centro do desembarque nas praias. O 5º Regimento de Fuzileiros deveria pressionar a leste, dividindo a ilha ao meio. O 1º Regimento de Fuzileiros iria para o norte até Umurbrogol, enquanto o 7º Regimento liberaria a região a sudoeste da ilha. Apenas um batalhão ficou para atrás como reserva, com a 81ª Divisão de Infantaria disponível para dar apoio em Angaur, ao sul de Peleliu.
Em 4 de setembro, os Marines partiram para sua estação em Pavuvu, ao norte de Guadalcanal, uma viagem de 3400 km pelo Pacífico até Peleliu. Um grupo de engenheiros militares foi na frente para tentar limpar as praias de obstáculos, enquanto os navios de guerra da Marinha começaram um maciço bombardeio pré-invasão a Peleliu em 12 de setembro.
Os couraçados USS Pennsylvania, USS Mississippi, USS Idaho, USS Tennessee e USS Maryland, os cruzadores pesados USS Louisville, USS Portland, USS Indianapolis e USS Minneapolis, os cruzadores rápidos USS Honolulu, USS Cleveland, USS Columbia e USS Denver, os três porta-aviões e cinco porta-aviões ligeiros despejavam 519 tiros de 406 mm, 1 845 tiros de 356 mm, 1 793 bombas de 227 kg e 73 412 balas de armas de calibre .50 na pequena ilha de aproximadamente 10 km².