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Bashar al-Assad

19.º presidente da Síria (2000–2024)

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Bashar Hafez al-Assad (Damasco, 11 de setembro de 1965) é um político sírio que foi presidente da Síria e secretário-geral do Partido Baath de 2000 a 2024, quando foi derrubado do poder pela oposição síria após uma guerra civil de quase quatorze anos. Ele ascendeu à presidência após a morte de seu pai, Hafez al-Assad, que governou a Síria por vinte e nove anos. Seu regime foi marcado por constantes abusos de direitos humanos, com seu governo sendo caracterizado como uma ditadura personalista sob um estado policial totalitário.

Al-Assad formou-se na Faculdade de Medicina da Universidade de Damasco em 1988, e começou a exercer a profissão no exército. Quatro anos mais tarde, ele participou de estudos de pós-graduação do Hospital Ocidental Eye, em Londres, especializando-se em oftalmologia. Em 1994, depois de seu irmão mais velho, Bassel al-Assad, ser morto em um acidente de carro, Bashar foi chamado para a Síria para assumir o seu papel como herdeiro aparente. Ele entrou na academia militar, assumiu o comando da ocupação da Síria no Líbano em 1998. Em dezembro de 2000, Assad se casou com Asma al-Assad, nascida Akhras. Al-Assad foi reconfirmado pelo eleitorado nacional como o presidente da Síria em 2000 e 2007, após o Conselho Popular da Síria ter votado para propor o titular de cada vez.

Inicialmente visto pela comunidade nacional e internacional como um potencial reformador, essas expectativas cessaram após seu governo reprimir violentamente, entre 2001 e 2002, as manifestações conhecidas como "Primavera de Damasco", onde opositores do regime Assad exigiram transparência e democracia. Uma década depois, ele novamente ordenou uma repressão em massa e cercos militares contra manifestantes pró-oposição em meio a uma violenta guerra civil, no contexto da Primavera Árabe. Posteriormente, a renúncia de al-Assad da presidência foi pedida por grande parte da oposição doméstica sunita do país, pelos Estados Unidos, pelo Canadá, pela União Europeia e pelos Estados membros da Liga Árabe. O conflito se arrastou por quase quatorze anos, causando mais de 580 000 mortes, a maioria civis. As forças leais a Assad foram acusadas incontáveis vezes de crimes de guerra.

Assad pertence à seita minoritária alauita e seu governo era descrito como secular. Ele foi tachado como ditador por seus oponentes e seu regime recebeu condenação internacional de líderes mundiais, ativistas e jornalistas devido a acusações de violações de direitos humanos. Em junho de 2014, chegou a ser incluído em uma lista, entregue à Corte Penal Internacional, de funcionários de governos e rebeldes acusados de crimes de guerra. Assad sempre rejeitou as acusações de ter perpetrado crimes contra a humanidade e criticou a intervenção militar estrangeira, liderada nos Estados Unidos, em seu país como uma tentativa de "mudança de regime".

Em novembro de 2024, após quase quatro anos de calmaria na guerra civil, uma coalizão de grupos rebeldes da oposição síria lançaram várias ofensivas pela Síria e assumiram o controle de muitas cidades importantes. Em 7 de dezembro de 2024, foi amplamente divulgado que o regime de Assad havia entrado em colapso e que Assad fugiu do país quando os rebeldes tomaram Damasco durante sua rápida campanha pela Síria. Assad partiu para o exílio na Rússia após sua derrocada, estabelecendo-se em Moscou.

Nascido em Damasco, Bashar al-Assad veio de uma família muito envolvida com política, sendo seu pai, Hafez al-Assad, o próprio Presidente da Síria. Assim como seus irmãos, ele não via seu pai com muita frequência e afeto não era algo demonstrado dentro da família. Ele foi descrito como uma pessoa tímida e de voz mansa, com sua irmã Bushra o acusando de não ter pulso firme.

Assad recebeu sua educação primária e secundária na Escola Árabe-Francesa de al-Hurriya, em Damasco. Depois estudou oftalmologia em sua cidade natal e em seguida foi para Londres concluir os estudos. Inicialmente tinha poucas aspirações políticas e seu pai educara seu irmão mais velho, Basil al-Assad, para ser o futuro presidente. Porém a morte deste em um acidente de automóvel mudou a situação e Bashar converteu-se no herdeiro político de seu pai, que viria a falecer em 10 de junho de 2000. Bashar al-Assad tornou-se então General do Estado Maior e Chefe Supremo das Forças Armadas Sírias. Nomeado candidato único pelo Partido Árabe Socialista Baath (único partido do regime) para a Presidência da República, foi eleito mediante referendo em 10 de julho de 2000, tomando posse em 17 de julho, um mês após o falecimento de seu pai. Em dezembro de 2000 casou-se com Asma al-Assad.

Bashar al-Assad foi inicialmente tachado como um "reformista" quando assumiu a presidência da Síria no ano 2000. Ele, contudo, perpetuou o sistema político deixado por seu pai Hafez al-Assad, concentrando em si toda a autoridade política, silenciando a oposição e colocando apoiadores e familiares em posições de poder dentro do governo.

Período pré-guerra civil: 2000–2011

O começo de seu mandato foi marcado por uma esperança de mudanças democráticas, que foi frustrada com a continuidade das políticas de seu antecessor. Ante à ameaça da ideia de guerra preventiva levada a cabo pelo governo dos Estados Unidos a partir de 2001, a instabilidade no Líbano, na qual a Síria mantinha uma forte presença militar, e as constantes tensões com seu vizinho Israel, Bashar al-Assad procurou manter um discurso reformista que poderia satisfazer os anseios da União Europeia e dos Estados Unidos, mas que na prática não produziu nenhuma concessão ao movimento de oposição do país. A forte pressão internacional sobre Bashar al-Assad após a morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri, cuja autoria foi atribuída aos serviços de inteligência sírios, fez com que as tropas mantidas no Líbano fossem retiradas em 2005.

Bashar al-Assad foi reeleito em um referendo convocado no dia 27 de maio de 2007 onde conseguiu 97% de aprovação, mas ele concorreu sozinho. No dia 25 de junho de 2010, iniciou uma série de viagens pela América Latina, visitando Cuba, Venezuela, Brasil e Argentina.

Logo após assumir o cargo, Bashar al-Assad enfrentou o movimento de reforma conhecido como "Primavera de Damasco", liderado por escritores, intelectuais e dissidentes, que trouxe mudanças como o fechamento da prisão de Mezzeh e a anistia de centenas de prisioneiros políticos. No entanto, em menos de um ano, repressões severas transformaram o movimento em um "Inverno de Damasco", com prisões, exílios e censura aumentando. As concessões iniciais foram revertidas para reforçar o controle autoritário, enquanto o regime introduziu uma economia de "mercado social", que acabou beneficiando apenas os aliados de Assad, sendo vista como símbolo de corrupção. Durante esse período, Assad também se posicionou criticamente em relação à invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos e elogiou grupos militantes palestinos, embora, em privado, tenha mostrado posições mais conciliatórias. Paralelamente, a Síria cooperou com a CIA no combate à Al-Qaeda, participando de programas de rendição extraordinária que envolveram tortura em prisões sírias, ações que se tornaram amplamente criticadas posteriormente.

Em 2011, frente a vários protestos no mundo árabe por reformas democráticas, o governo de al-Assad prometeu abrir mais a política do país para o povo. Porém frente a lentidão dessas mudanças, ou o não cumprimento da promessa, opositores ao seu regime começaram uma série de protestos pedindo a derrubada do Presidente, que respondeu aos manifestantes com o envio de tropas do Exército para áreas em protesto. A violência da repressão do governo fez com que vários países pelo mundo, como os Estados Unidos, Canadá e União Europeia adotassem sanções contra a Síria. Com as manifestações se transformando em revolta armada contra o seu governo, seus exércitos foram acusados, repetidas vezes, de crimes contra a humanidade, e a comunidade internacional e a oposição interna do seu país começaram a pedir a sua renúncia imediata da presidência, mas ele se recusou e afirmou que continuaria na luta para se manter no poder. Por diversas vezes, Assad afirmou que seu país era vitima de uma "conspiração estrangeira", envolvendo terrorismo, com o objetivo de desestabilizar a Síria.

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