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Basílio de Cesareia

Santo

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Basílio de Cesareia, também chamado São Basílio Magno ou Basílio, o Grande (em grego: Ἅγιος Βασίλειος ὁ Μέγας), foi o bispo de Cesareia, na Capadócia (atualmente a cidade de Kayseri, na Turquia), e um dos mais influentes teólogos a apoiar o Credo de Niceia. Foi também adversário das heresias que surgiram nos primeiros anos do cristianismo como religião oficial do Império Romano, lutando principalmente contra o arianismo e os seguidores de Apolinário de Laodiceia. Sua habilidade em balancear suas convicções teológicas com suas conexões políticas fez de Basílio um poderoso advogado da posição nicena.

Além de sua obra como teólogo, Basílio ficou conhecido por seu cuidado com os pobres e necessitados. Ele estabeleceu padrões para a vida monástica com foco na comunidade, na oração e no trabalho manual. Juntamente com São Pacômio, é lembrando como pai do monasticismo comunal no cristianismo oriental.

Basílio, Gregório de Nazianzo e Gregório de Níssa são conhecidos como Padres Capadócios. A Igreja Ortodoxa e a Igreja Católica Oriental agrupam Basílio com Gregório de Nazianzo e João Crisóstomo como os Três Grandes Hierarcas. Ele é reconhecido como Doutor da Igreja na tradição oriental e ocidental.

Basílio nasceu na rica família de Basílio, o Velho, um famoso retórico, e Emélia por volta de 330 em Cesareia na Capadócia. Seus pais eram conhecidos por sua piedade e sua avó materna era uma mártir, executada antes da conversão de Constantino. Entre os irmãos de Basílio, quatro são geralmente venerados como santos: Macrina, a Jovem, São Naucrácio, Pedro de Sebaste e Gregório de Níssa.

Logo após o nascimento de Basílio, a família se mudou para as terras de sua avó Macrina, perto da cidade de Neocesareia. Lá, Basílio foi educado em casa por seu pai e pela avó, que havia sido aluna de Gregório Taumaturgo e acabou exercendo grande influência sobre ele. Após a morte de seu pai, ainda em sua adolescência, Basílio retornou para Cesareia para começar a sua educação formal. Lá, encontrou Gregório de Nazianzo, que se tornaria um amigo pela vida toda. Juntos, Basílio e Gregório foram estudar em Constantinopla, onde puderam ouvir as palestras de Libânio. Finalmente, os dois passaram quase seis anos em Atenas, começando por volta de 349, onde conheceram um companheiro de estudos que viria a se tornar o imperador romano Juliano, o Apóstata, grande inimigo do cristianismo.

Basílio deixou Atenas em 356 e, depois de viajar pelo Egito e Síria, retornou para Cesareia, onde, por cerca de um ano, advogou e ensinou retórica. Um ano depois, a vida de Basílio mudaria radicalmente depois de se encontrar com Eustácio de Sebaste, um bispo carismático e asceta. Basílio logo abandonou as suas profissões de docente e advogado para dedicar sua vida a Deus. Descrevendo o seu despertar espiritual, Basílio disse:

Após receber o sacramento do batismo, Basílio viajou em 357 para a Palestina, Síria e a Mesopotâmia para estudar o monasticismo e o ascetismo. Mesmo impressionado com a piedade dos ascetas eremitas, o ideal da vida de solitária contemplação tinha pouco apelo para ele. Por outro lado, ele se interessou muito pela vida religiosa comunitária. Após doar sua riqueza aos pobres, foi viver solitariamente por um curto período em Neocesareia no Íris. Basílio logo se cansou e, por volta de 359, juntou à sua volta um grupo de discípulos, incluindo seu irmão, Pedro. Juntos, fundaram um mosteiro nas terras da família perto de Anesos, no Ponto. Estavam ali também sua mãe, Emélia, já viúva, sua irmã Macrina e diversas outras mulheres que se dedicaram também à vida piedosa de oração e às obras de caridade. Eustácio de Sebaste já tinha trabalhado na região em prol da vida anacoreta e Basílio o reverenciou por isso, embora os dois divergissem sobre diversos pontos dogmáticos, o que gradualmente os separou.

Foi lá que Basílio escreveu suas obras sobre a vida monástica comunitária, que são consideradas fundamentais para o desenvolvimento da tradição monásticas na Igreja Ortodoxa e que o levaram a ser chamado de "Pai do monasticismo comunal ortodoxo". Em 358, escreveu para o seu amigo, Gregório de Nazianzo, pedindo-lhe que se juntasse a ele em Anesos. Gregório eventualmente concordou e para lá se foi; juntos, colaboraram na "Filocália", uma antologia das obras de Orígenes. Depois deste período, Gregório decidiu voltar para junto de sua família em Nazianzo.

Basílio também esteve no Concílio de Constantinopla de 360 e foi lá que se juntou pela primeira vez com os homoiousianos (vide controvérsia ariana), uma facção semi-ariana que ensinava que o Filho era de uma substância similar à do Pai, não a mesma ('tese dos homoousianos) e nem outra distinta (tese dos arianos). Entre os membros do grupo estava Eustácio, o mentor de Basílio no ascetismo. Os homoiousianos se opunham ao arianismo de Eunômio, mas se recusavam a se juntar aos que apoiavam o Credo de Niceia. Esta posição o colocou em atrito com o seu bispo, Diânio, que era um niceno convicto. Anos mais tarde, Basílio abandonaria os homoiousianos e se tornaria um defensor dos nicenos.

Em 362, Basílio foi ordenado diácono pelo bispo Melécio de Antioquia. Ele foi convocado por Eusébio e foi ordenado presbítero da Igreja em 365, um ato que foi provavelmente o resultado de suas discordâncias com seus superiores eclesiásticos.

Basílio e Gregório de Nazianzo passaram os anos seguintes combatendo a heresia ariana, que ameaçava dividir a região da Capadócia. Os dois amigos entraram num período de cooperação fraternal muito próxima conforme participavam de grandes debates e disputas retóricas causados pela chegada de habilidosos teólogos e retóricos arianos na região. Quase sempre presididos por agentes do imperador Valente, Gregório e Basílio emergiram vitoriosos, confirmando para ambos que o futuro para eles estava na administração da Igreja.

Basílio assumiu uma posição na administração da Diocese de Cesareia. Relata-se que Eusébio teria se enciumado da reputação e influência que Basílio rapidamente conquistou e permitiu-lhe que voltasse para sua vida reclusa anterior. Posteriormente, porém, Gregório persuadiu Basílio a retornar, o que ele fez, e se tornou um gestor muito eficiente da diocese por muitos anos, mesmo dando quase todo o crédito a Eusébio.

Em 370, Eusébio morreu e Basílio foi escolhido para sucedê-lo, sendo consagrado bispo em 14 de junho de 370. Seu novo posto como bispo de Cesareia também lhe deu poderes de exarca no Ponto e bispo metropolitano de cinco bispos sufragâneos, muitos dos quais foram contra a sua eleição como sucessor de Eusébio.

Suas cartas mostram que Basílio trabalhou ativamente tentando reformar ladrões e prostitutas. Elas também mostram-no encorajando o clero a não serem tentados pelas riquezas ou pela vida comparativamente mais fácil de um padre, e que ele pessoalmente escolhia candidatos dignos das ordens sagradas. Basílio também teve a coragem de criticar funcionários públicos que falhavam na tarefa de prover a justiça ao povo e pregava todas as manhãs e tardes em sua própria igreja para grandes congregações de fiéis. E, por fim, ele construiu um grande complexo nas redondezas de Cesareia, chamado de Basilíada, que incluía um abrigo para os pobres, um hospício e um hospital.

Seu zelo pela ortodoxia doutrinária não evitou que ele visse os pontos positivos nas teses de seus adversários e, com o objetivo de manter a paz e a caridade, contentava-se em dispensar o uso da terminologia ortodoxa quando ela podia ser evitada sem sacrificar a verdade. O imperador Valente, que era ariano, enviou seu prefeito Modesto para tentar ao menos uma solução de compromisso com a facção nicena. A contundente resposta negativa de Basílio fez com que Modesto lhe dissesse que ninguém jamais o havia tratado desta forma, ao que Basílio respondeu "Talvez você jamais teve que lidar com um bispo antes". Modesto fez seu relato a Valente afirmando acreditar que nada além de violência seria suficiente contra Basílio. O imperador aparentemente não estava inclinado a usar de violência e, em vez disso, emitiu repetidas ordens para que Basílio fosse banido, nenhuma delas efetiva. Valente então foi ele mesmo a uma celebração da liturgia da Festa da Epifania e, na época, ficou tão impressionado com Basílio que doou-lhe terras para a construção do Basiliad.

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Basílio de Cesareia | World in Stories