Neste Dia

Barry Goldwater

Político norte-americano

Anúncio

Barry Morris Goldwater (2 de janeiro de 1909 - 29 de maio de 1998) foi senador pelo estado de Arizona (1953-1965, 1969-1987) pelo Partido Republicano e candidato a presidente na eleição de 1964 nos Estados Unidos da América. Era também Major-General da Força Aérea de Reserva dos Estados Unidos Nos anos de 1960 a 1964, era conhecido como "Sr. Conservador". Goldwater é o político a quem se dá mais crédito pelo início da ressurgência do movimento político conservador americano nos anos de 1960. Teve também um impacto substancial sobre o movimento libertário.

Goldwater rejeitava o legado do New Deal e lutou dentro da coalizão conservadora para derrotar a coligação do New Deal. Mobilizou um grupo de militantes conservadores para ganhar as primárias republicanas de 1963. Acusado de extremismo, usou o seu discurso de vitória nas primárias para contra-atacar: "Extremismo na defesa da liberdade não é um vício!… Moderação na busca da justiça não é uma virtude!" Perdeu a eleição presidencial de 1964 para o democrata Lyndon Johnson por uma das maiores margens da história, arrastando consigo muitos candidatos republicanos ao congresso. A campanha de Johnson e outros críticos destacavam-no como reacionário, enquanto os seus apoiantes militavam contra a União Soviética, os sindicatos e o estado-providência. A sua derrota permitiu a Johnson e aos congressistas democratas passar os programas da Great Society, mas a derrota de muitos republicanos tradicionais em 1964 também abriu caminho para a mobilização de novos conservadores. Goldwater foi menos activo como líder dos conservadores depois de 1964. Os seus apoiantes voltaram o seu apoio para Ronald Reagan que se tornou governador da Califórnia, em 1967, e presidente, em 1981.

Goldwater voltou ao senado em 1969 e especializou-se na política de defesa, aproveitando a sua experiência enquanto oficial da força aérea. A sua maior obra terá sido a passagem do Goldwater Nichols Act de 1986, que reestruturou os níveis superiores do Pentágono, aumentando o poder do presidente do conselho de chefes de junta na direção da ação militar.

Enquanto estadista respeitado do partido, Goldwater persuadiu o presidente Nixon a demitir-se quando as provas do escândalo Watergate se acumularam e a sua demissão compulsória pelo congresso era iminente.

Nos anos 80, a crescente influência da direita cristã sobre o Partido Republicano entrou em conflito com as suas opiniões liberais que se tornou um adversário forte da direita religiosa em questões como aborto legal, direitos dos homossexuais no exército, marijuana medicinal, bem como o papel da religião na vida pública.

Goldwater nasceu em 1909 em Phoenix, então Território do Arizona, de Baron Goldwater e da sua esposa Hattie Josephine ("JoJo") Williams. A família judia do seu pai tinha fundado a "Goldwater's", o maior supermercado de Phoenix. O nome da família tinha sido mudado de Goldwasser para Goldwater pelo menos antes do censo de 1860 em Los Angeles, Califórnia. Os seus avós paternos, Michel e Sarah (Nathan) Goldwater casaram-se na Grande Sinagoga de Londres. A mãe de Goldwater vinha de uma tradicional família Yankee que incluía o famoso teólogo Roger Williams de Rhode Island. Os seus pais tinham casado numa igreja episcopal de Phoenix. Durante toda a sua vida Goldwater pertenceu à Igreja Episcopal dos Estados Unidos, apesar de, em raras ocasiões, ter referido a si próprio como judeu. Apesar de não frequentar regularmente a igreja afirmou que: "Se um homem age de maneira religiosa, eticamente, então é realmente religioso - isso não tem muito a ver com a frequência com que entra numa igreja".

O supermercado tornou a família Goldwater confortavelmente rica. Barry Goldwater graduou-se na Academia militar de Staunton, uma escola particular de elite da Virgínia, e frequentou a Universidade do Arizona por um ano, onde pertenceu à fraternidade Sigma-Chi. Apesar de nunca ser chegado ao seu pai, Goldwater assumiu o negócio da família após a morte daquele em 1930. Tornou-se republicano (num estado fortemente democrata), promoveu práticas de negócio inovadoras, e opôs-se ao New Deal, principalmente porque este favorecia os sindicatos. Goldwater conheceu o presidente Herbert Hoover, cuja política conservadora admirava. Em 1934, casou com Margaret "Peggy" Johnson, filha abastada de um importante industrial de Muncie, Indiana. Tiveram quatro filhos: Joanne (nascida a 1 de Janeiro de 1936), Barry (nascido a 15 de Julho de 1938), Michael (nascido a 15 de Março de 1940) e Peggy (nascida a 27 de Julho de 1944). Enviuvou, em 1985, e, em 1992, casou-se com Susan Wechsler, uma enfermeira 32 anos mais nova.

Com a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, Goldwater recebeu uma comissão na Força Aérea do Exército. Tornou-se piloto do Ferry Command, uma unidade recentemente formada que pilotava aviões de carga para cenários de guerra por todo o mundo. Passou a maior parte da guerra pilotando entre os Estados Unidos e a Índia, passando pelos Açores e pelo norte de África, ou pela América do Sul, Nigéria e África Central. Voou o Himalaia para entregar abastecimentos à República da China. Permanecendo na reserva da Força Aérea depois da guerra, acabou por retirar-se da posição de piloto de comando com o posto de Major General. Nessa altura já tinha pilotado 165 tipos diferentes de aeronaves. Após a guerra, Goldwater esteve entre os principais proponentes da criação da Academia da Força Aérea dos Estados Unidos e, posteriormente, serviu no seu quadro de visitantes. O centro de visitas da academia tem hoje o seu nome. Como coronel, fundou a Guarda Nacional Aérea do Arizona. Goldwater teve também um papel influente nas pressões para o departamento de defesa desagregar forças armadas.

Em 1940, Goldwater foi uma das primeiras pessoas a descer o rio Colorado através do Grand Canyon e a participar como remador na segunda viagem fluvial comercial de Norman Nevill. Goldwater juntou-se à viagem em Green River, Utah e conduziu o seu barco a remos até ao Lago Mead. Em 1970, a Fundação Histórica do Arizona publicou o diário escrito por Goldwater durante a descida pelo Colorado, com as fotografias por ele tiradas, num volume de 209 páginas intitulado "Delightful Journey".

O filho de Goldwater, Barry Goldwater Jr., serviu na Câmara dos Representantes do Estados Unidos pela Califórnia, entre os anos de 1969 e de 1983.

Goldwater entrou para a vida política de Phoenix em 1949, ao ser eleito para a Assembleia Municipal, como parte dum grupo de candidatos independentes focado em "limpar" situações escandalosas de prostituição e jogo ilegal. Como republicano, ganhou um lugar no Senado dos Estados Unidos. Em 1952, derrotando o democrata veterano e líder da maioria no senado, Ernest McFarland. Voltou a derrotar McFarland em 1958, com um bom resultado na sua primeira reeleição em um ano em que os democratas ganharam mais de treze lugares no senado. Deixou o senado em 1964 para se dedicar à campanha presidencial.

Goldwater ficou rapidamente associado à reforma sindical e ao anticomunismo; foi um apoiante activo da coligação conservadora no congresso. No entanto, rejeitou o movimento anticomunista. Em 1956, defendeu no Senado a redação final do projeto de lei da saúde mental no Alasca, apesar da oposição considerar a lei uma conspiração para estabelecer campos de concentração no estado. Manifestou-se a favor de reformas contra a corrupção e enfrentou a campanha da AFL-CIO, uma organização sindical, contra a sua reeleição em 1958.

Goldwater votou contra a censura ao senador Joseph McCarthy em 1954, mas ele próprio foi mais moderado que McCarthy, nunca acusando nenhum indivíduo de ser agente soviético ou comunista. Em 1960 enfatizou a sua forte oposição à expansão mundial do comunismo no seu livro A Consciência de um Conservador. O livro tornou-se referência nos círculos políticos conservadores.

Em 1964 Goldwater levou a cabo uma campanha conservadora que enfatizava os "direitos dos estados". A sua campanha foi um íman para os conservadores uma vez que se opunha à interferência do governo federal nos assuntos estaduais. Apesar de ter apoiado toda a anterior legislação de direitos civis e de ter apoiado a versão original do senado do projeto de lei, Goldwater decidiu opor-se à Lei dos Direitos Civis de 1964. Disse basear a sua decisão na opinião de que a lei era uma intrusão do governo federal nos assuntos dos estados, e que interferia com o direito dos privados de fazer ou não negócio com quem quisessem.

Anúncio

Em breve no aplicativo World in Stories

Áudio, download offline, sem anúncios e muito mais.

Conhecer Premium
Barry Goldwater | World in Stories