A British Broadcasting Corporation (Corporação Britânica de Radiodifusão, mais conhecida pela sigla BBC) é uma corporação pública de rádio e televisão do Reino Unido fundada em 1922. Possui uma boa reputação nacional e internacional (embora seja vista por alguns críticos como parcial e tendenciosa para o liberalismo e seja assumidamente pró-Londres). Por vezes, é chamada afetuosamente pelos britânicos como Beeb, The Corporation ou Auntie ("Titia"). Durante muitos anos, foi o único fornecedor de rádio e, depois, de televisão, do Reino Unido. O seu lema é: "Nation Shall Speak Peace Unto Nation" ("A nação deve transmitir paz para a nação"). Antes, era chamada de British Broadcasting Company Ltd., nome que permaneceu até 1927.
Atualmente, a BBC é custeada por uma taxa de licença que é paga por todos os lares que possuem televisores. A empresa emprega quase 19 mil pessoas, com um custo operacional de 5 bilhões de libras esterlinas.
Em 18 de outubro de 1922, um consórcio de fabricantes britânicos de rádios fundou a British Broadcasting Company Ltd, empresa encarregada de transmitir um serviço de rádio em caráter experimental. John Reith se tornou o primeiro CEO da empresa. Em 1º de junho de 1927, uma carta real estabelece uma entidade pública, a British Broadcasting Corporation, como sucessora da British Broadcasting Company Ltd. John Reith foi nomeado seu CEO. Em 1932, a BBC começou a transmitir sinais televisão a título experimental. A transmissão regular de TV começou em 1936. A primeira obra de ficção científica exibida pela televisão, uma dramatização da peça R.U.R. de Karel Čapek, foi ao ar em 11 de fevereiro de 1938, transmitida pela BBC. R.U.R. foi a obra que apresentou pela primeira vez a palavra "robô", termo criado por Josef Čapek, irmão do autor (ver: Irmãos Čapek).
Em 1954, a BBC perdeu seu monopólio de TV no Reino Unido quando a rede privada ITV apareceu. O monopólio do rádio persistiu até os anos 1970.
A BBC é uma empresa independente da intervenção do governo, todas as atividades da BBC são supervisionadas pela BBC Trust (anteriormente Board of Governors of the BBC), produzindo conteúdos que, sendo de interesse nacional, e que podem integrar a grade da BBC. São asseguradas cotas, em todos os canais, para a produção nacional advinda de produtores independentes, sendo o mínimo de 25% de todo material veiculado, mantendo um menor nível de produção importada. A gestão geral da organização está nas mãos do director-geral, que é nomeado pela BBC Trust, ele simultaneamente o redator-chefe da BBC e preside o Conselho de Administração.
A BBC opera sob a Carta Régia. A atual Carta entrou em vigor no dia 1 de Janeiro de 2007 e com um período de duração de 10 anos, ou seja, até 31 de Dezembro de 2016. A Carta de 2007 determina que a missão da Corporação é "informar, educar e entreter". A carta define que a Corporação existe para servir o interesse público e para promover fins públicos: sustentar a cidadania e a sociedade civil; promover a educação e a aprendizagem, estimulando a criatividade e excelência cultural; representar o Reino Unido, as suas nações, regiões e comunidades; beneficiar o público com tecnologias e serviços de comunicações novos; e assumir um papel de liderança na transição para a televisão digital.
Esta Carta também levou a cabo a maior mudança na estrutura da Empresa desde a sua criação. Ele aboliu o órgão, por vezes controverso, Conselho de Governadores, e substituiu-o pelo BBC Trust e um Diretor-Geral.
De acordo com a Carta Régia, a BBC deve obter uma licença do Home Secretary, onde se estabelece os termos e condições em que a BBC é transmitida.
Segundo Jonas Valente, o BBC Trust, criado após a Carta Régia de 2007, foi um órgão responsável pela fiscalização e o cumprimento dos princípios que guiam a atuação da BBC. A partir de 2016, após a publicação de uma nova Carta Régia, o conselho foi extinto e suas funções foram transferidas para o Office of Communications (Ofcom), órgão regulatório do Reino Unido para emissoras (rádio e televisão), telecomunicações e serviços postais.
O conselho era formado por doze membros: um presidente, um vice e dez participantes ordinários, dos quais quatro eram representações das quatro nações que formam o Reino Unido. A indicação desses membros era feita pelo monarca britânico a partir de uma lista de possíveis nomes estabelecidos por um servidor do Departamento de Cultura, Mídia e Esportes (DCMS), o presidente da BBC e um assessor independente.
o BBC Trust foi um marco para a gestão participativa da sociedade no veículo. Em relação ao antigo sistema vigente, conhecido como Board of Governors of the BBC, nota-se um maior atendimento ao interesse público. Além da vigília dos princípios do veículo por membros com certa autonomia, legitimada pela pluralidade dos membros que participam da seleção, ainda cabia ao conselho a nomeação do diretor geral da emissora. Também havia ligações com vários setores civis da Grã-Bretanha, como os conselhos de audiência, o comitê central religioso de aconselhamento e o comitê de padrões editoriais.
A Direção-Geral é responsável pela gestão operacional e pela prestação de serviços dentro da estratégia definida pela BBC Trust. A Direção-Geral é composta por dois administradores executivos e não executivos, nomeados pelo BBC Trust.
A Direção-Geral é composta pelo Diretor-Geral, bem como os Diretores de cada uma das principais divisões da BBC, com exceção do Grupo Norte BBC.
O conceito de imparcialidade utilizado, em teoria, pela BBC é descrito como "imparcialidade devida". O termo vem da crítica ao trabalho jornalístico que se diz imparcial, o que pode ser interpretado como neutro. Contudo, há uma diferença entre os dois conceitos, pois a neutralidade pode pressupor que o jornalista não se posiciona enquanto produz. Para fazer a apuração do material, é necessário se posicionar para ter um direcionamento na pesquisa, o que não significa defender uma opinião específica, mas sim promover o debate de opiniões diferentes para que os telespectadores formulem suas próprias convicções.
A ética jornalística propõe que o profissional não tome partido e passe a informação para o público com o máximo de verossimilhança. A imparcialidade devida tem mais relação com a pluralidade na emissão de informações. O posicionamento do profissional depende de como o canal pretende passar a informação. O principal é que não seja unilateral e detenha de variadas fontes confiáveis. A credibilidade da BBC enquanto jornalismo é por ter como objetivo principal garantir a democracia composta por cidadãos bem informados. E todos os canais estão sob regras de atender aos princípios do interesse coletivo, como qualidade, equilíbrio e regionalização. A adequação a estas normas são fiscalizadas pelo Ofcom (Office of Communications), órgão regulador do setor de comunicações, criado em 2003, cujas funções são definidas por lei.
Alguns canais da emissora destacados por promover essa ideia são BBC Television, BBC Radio, BBC News e BBC America.
Em 2004, a BBC produziu um relatório reavaliando as práticas jornalísticas da corporação, que traz considerações principalmente ao que se refere à imparcialidade empregada nas coberturas noticiosas da BBC. Este documento ficou conhecido como Neil Report. Ele foi produzido após o escândalo entre o jornalista da BBC, Andrew Gilligan, e o governo britânico.
No dia 29 de maio de 2003, Gilligan veiculou uma matéria na qual acusava o governo de manipular um relatório sobre armas de destruição de massa no Iraque. A principal fonte de Gilligan, o cientista britânico David Kelly, suicidou-se dois meses após a veiculação da matéria, o que fez o Parlamento determinar a realização de uma investigação sobre o caso. Ao final, com a divulgação do relatório Hutton Report, que inocentava o governo britânico e responsabilizava a BBC pela acusação infundada, a BBC foi aconselhada a adotar padrões mais rigorosos de checagem de informação e busca de pluralidade. Gilligan foi pressionado a se demitir.