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Bárbara de Bragança

Rainha Consorte da Espanha (1746–1758)

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Maria Madalena Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa de Bragança (Lisboa, 4 de dezembro de 1711 – Aranjuez, 27 de agosto de 1758) foi a esposa do rei Fernando VI e Rainha Consorte da Espanha de 1746 até sua morte. Era filha do rei João V de Portugal e de sua esposa, a arquiduquesa Maria Ana da Áustria. Esta personagem era conhecida como "a gorda" e apresentava deficiências físicas que podiam ser observadas com relativa facilidade.

Como era normal na época contraiu, juntamente com o irmão, José, Príncipe do Brasil, um matrimónio político. No caso foi combinado um matrimónio duplo com filhos de Filipe V da Espanha, destinado a melhorar as relações entre as duas coroas ibéricas após a Guerra da Sucessão Espanhola. O duplo casamento do príncipe herdeiro português e da princesa com os congéneres espanhóis passou para a história como a "Troca das Princesas". Por se ter realizado no Rio Caia, na fronteira entre os dois reinos, é também conhecido como a "Jornada do Caia".

Bárbara era a filha mais velha do rei João V de Portugal e de sua esposa, Maria Ana da Áustria. Seus pais se casaram em 1708 e depois de três anos de casamento ainda não tinham tido filhos. Seu pai jurou construir um grande convento se tivesse um herdeiro ao trono. Finalmente, em 4 de dezembro de 1711, nasceu uma menina, e o pai, de acordo com sua promessa, mandou construir um convento, o Convento de Mafra. A pequena infanta foi baptizada Maria Madalena Bárbara Xavier Leonor Teresa Antónia Josefa. Ela recebeu o nome de Bárbara, em homenagem à padroeira do seu aniversário.[carece de fontes?] Ela era geralmente chamada de Bárbara ou Maria Bárbara, embora esse nome nunca tivesse sido usado na dinastia portuguesa.[carece de fontes?]

Ao nascer, Bárbara era a herdeira presuntiva do trono português, denominada Princesa da Beira, até que seu irmão Pedro nasceu em outubro de 1712. Pedro morreu aos dois anos de idade, contudo o infante José, futuro José I de Portugal, nascido antes da morte de Pedro, impediu Bárbara de subir ao trono.

Como filho de um dos monarcas mais ricos da época, a princesa recebeu uma excelente educação. Filha de pai português e mãe austríaca, falava francês, alemão, e italiano fluentemente, e aprenderia mais tarde na vida, ao ir viver para Madrid, também o castelhano. A jovem princesa era uma mulher culta, e grande amante das Belas-artes. Agradava-lhe ― tal como ao pai ― a música. Quando tinha oito anos de idade, seu pai contratou o grande cravista Domenico Scarlatti como Mestre, com a obrigação adicional de, para além de dirigir a Capela Real, ensinar música à jovem princesa. Scarlatti permaneceria em Lisboa de 1719 a 1729, Bárbara desenvolveu ainda uma afeição pelo seu mestre de música, que a seguiria mais tarde na vida a Madrid.

No final da década de 1720, planos concretos foram feitos para o casamento de Bárbara. Ela esteve entre as 99 princesas na lista das potenciais noivas para o jovem rei Luís XV de França, todavia as preocupações acerca de sua saúde física e mental, bem como sua pouca idade, resultaram em sua remoção da lista.

Nesse ínterim, novos conflitos tinham surgido entre Portugal e a Espanha. Os dois grandes monarcas ibéricos da primeira metade do século XVIII ― João V de Portugal, que reinou de 1707 a 1750, e Filipe V, que reinou de 1700 a 1746, tinham estado em guerra de 1704 a 1715, durante a Guerra da Sucessão Espanhola. Durante esse conflito, um exército português chegara a conquistar Madrid em 1706, para depois sofrer a derrota na Batalha de Almansa em 1707. Depois da guerra, as relações entre as duas coroas tinham sido pouco estáveis. No Artigo XV do Tratado de Utrecht, firmado em 1715, o monarca espanhol tinha assumido uma dívida de seiscentas mil patacas ao rei português, a ser paga em três prestações idênticas de duzentas mil patacas cada. No entanto, em 1717, justamente quando Portugal travava a Batalha de Matapão no Mediterrâneo contra o Império Otomano, a Espanha iniciou uma guerra desastrada contra o Sacro Império, a França, a Grã-Bretanha, e os Países Baixos, numa tentativa de reclamar o que tinha perdido no Tratado de Utrecht. Assim, o pagamento da dívida a Portugal não tinha sido cumprido. Novamente as relações entre os dois reinos pioraram. Apenas em 1719, quando o hábil diplomata Luís da Cunha, que tinha estado presente no tratado de paz de 1715, foi nomeado embaixador a Madrid, tinham as relações entre as duas coroas ibéricas melhorado um pouco. De modo que, era esperado que um consórcio entre Bárbara e um príncipe espanhol essas relações melhorassem mais ainda.

No entanto, um ano após o contrato de casamento entre Bárbara e o Príncipe das Astúrias, novos novos atritos diplomáticos tinham surgido entre Portugal e a Espanha, por causa da fundação pelos portugueses de Montevideu, no Rio da Prata, a 22 de novembro de 1723. Esta era uma zona que os portugueses consideravam ser o limite meridional natural do Brasil, enquanto os espanhóis de Buenos Aires queriam controlar todo o estuário do Rio da Prata. Os portugueses tinham desde 1680 a Colónia do Sacramento na região, que fora ocupada pelos espanhóis durante a Guerra da Sucessão Espanhola, mas devolvida pela Tratado de Utrecht de 1715. No entanto, o tratado nada dizia sobre novas fundações na zona. Exatamente três meses após a fundação de Montevidéu, em 22 de fevereiro de 1724, os espanhóis de Buenos Aires julgaram-se por isso justificados em ocupar a praça.

Para evitar novas controvérsias e fortalecer ainda mais a aliança que se pretendia, a diplomacia espanhola propôs então um duplo matrimónio. Em 11 de janeiro de 1728, após longas negociações, ocorreu o noivado de Bárbara, com dezesseis anos, com Fernando, Príncipe das Astúrias, que era dois anos mais novo, e de seu irmão, José, Príncipe do Brasil, com a meia-irmã de Fernando, a infanta Mariana Vitória.

Por fim, após demorada preparação, a "Troca das Princesas" realizou-se em 19 de janeiro de 1729. A troca foi feita no Rio Caia, que faz fronteira entre Elvas no Alentejo, em Portugal, e Badajoz na Extremadura, em Espanha. A cerimónia fez-se literalmente a meio do rio, numa grande ponte-palácio de madeira ricamente decorada construída para a ocasião, com vários pavilhões em ambas as margens também. Praticamente toda a Corte participou, tendo todas as vilas e lugares entre Lisboa e Elvas sido enfeitadas com arte efémera, tal como arcos triunfais, jardins artificiais, fontes, etc., para receber os imensos cortejos na ida e na volta da fronteira. As preparações para a Troca das princesas foram de tal modo detalhadas que já em janeiro de 1727 a Coroa colocava encomendas de berlindas em Paris, e pedia contribuições extraordinárias dos quatro cantos do império para financiar todo o esplendor desejado ― incluindo da Capitania de Minas Gerais no Brasil.

Quando Fernando, então Príncipe das Astúrias, viu sua alta noiva, Maria Bárbara, em seu primeiro encontro na cerimônia de casamento, ele a considerou tão pouco atraente que quis se abster do casamento. Segundo sua alegação, ele teria sido enganado sobre a aparência de sua futura esposa, cujo rosto apresentava cicatrizes de varíola. Mas ele finalmente se submeteu às razões de Estado e, com o tempo, sua antipatia inicial se transformou em afeição pela esposa. A princesa resoluta e sensível sabia como ganhar a confiança do marido indeciso e melancólico. Como resultado, ele a viu como um apoio útil e procurou seu conselho. Ele também compartilhava sua paixão pela música e pela arte. Maria Bárbara apoiou, entre outras coisas, o cantor de ópera italiano Farinelli, que frequentemente se apresentava na corte espanhola

Depois de casada, Bárbara e o Príncipe das Astúrias passariam ainda dezassete anos como príncipes herdeiros, antes de subir ao trono em 1746. Pouco depois do casamento deu-se ainda o chamado Incidente das Embaixadas em 1735, e apesar da troca das princesas as relações entre Portugal e a Espanha deterioraram-se ao ponto de o monarca português enviar uma forte esquadra ao Rio da Prata, e de passar a existir de facto um estado de guerra entre as duas coroas, apenas solucionado em 1737.

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