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Abu al-Qasim Mahmud ibn Umar al-Zamakhshari (em árabe: الزمخشري; 1074–1143) foi um medievalista muçulmano de descendênci

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Abu al-Qasim Mahmud ibn Umar al-Zamakhshari (em árabe: الزمخشري; 1074–1143) foi um medievalista muçulmano de descendência iraniana. Viajou para Meca e lá viveu por cinco anos, sendo desde então conhecido como Jar Allah (Vizinho de Deus). Foi um teólogo mutazilita, linguista, poeta e intérprete do Alcorão. É mais conhecido por seu livro Al-Kashshaf, que interpreta e analisa linguisticamente as expressões corânicas e o uso da linguagem figurada para transmitir significado. Esta obra é uma fonte primária para todos os principais linguistas.

Seu nome completo era Abu Al-Qasim Mahmoud ibn Omar ibn Mohammed ibn Omar Al-Khawarizmi Al-Zamakhshari. Era também chamado de Fakhr Khawarizm ("O Orgulho do Corásmio") porque pessoas viajavam até Corásmia, um grande oásis, para aprender com ele sobre o Alcorão e a língua árabe. Nasceu em 18 de março de 1074 em Zamakhshar, que era uma grande cidade da Corásmia na época.

Al-Zamakhshari cresceu em Zamakhshar e estudou lá por algum tempo, depois viajou para muitos lugares da Ásia Central, incluindo a cidade de Bucara no atual Uzbequistão, as cidades iranianas de Curásão e Isfaão, bem como Bagdá, onde conheceu alguns funcionários políticos e os elogiou. O principal motivo de suas viagens era aprender mais sobre poesia, religião e gramática árabe. Viajou então para Meca, onde conheceu o príncipe da época, Abi AlHasan Ali bin Hamzah bin Wahas Al-Shareef Al-Hasany, que havia escrito extensivamente sobre os princípios da prosa e do verso árabe. Após dois anos, Al-Zamakhshari voltou para Corásmia, mas não resistiu à saudade de Meca, da mesquita sagrada e de seus professores. Assim, viajou novamente para Meca e ficou por três anos. Mais tarde, viajou para Bagdá e depois para Corásmia, onde faleceu.

Al-Zamakhshari teria perdido uma das pernas, fato que a literatura sobre sua vida explica de formas distintas. Em uma versão da história, Al-Damaghani afirmou que perguntou a Al-Zamakhshari sobre sua perna, e ele disse que quando criança amarrou uma corda na perna de um pássaro. Quando o pássaro tentou voar, sua perna foi cortada. A mãe de Al-Zamakhshari teria desejado o mesmo a ele, para que sentisse a dor do pássaro. Mais tarde, no caminho para Bucara, ele caiu do cavalo e quebrou a perna, que foi posteriormente amputada. Outros, como Ibn Khalicã, argumentaram que suas constantes viagens no frio intenso da Corásmia foram a razão pela perda da perna.

Al-Zamakhshari aprendeu muito com os renomados professores de sua época. Um deles foi Abu Mudhar Mahmoud ibn Jarir Al-Dhabi Al-Asfahani, chamado por seus pares de Fareed Asruh: "o mais brilhante estudioso de seu tempo". Ele ensinou a Al-Zamakhshari sintaxe e literatura. Al-Zamakhshari valorizava muito este professor e ficou consternado quando ele faleceu em 1113. Além disso, Al-Zamakhshari estudou literatura e prosódia com Abu Ali Al-Hasan bin Al-Mudhaffar Al-Nisaburi. Também extraiu algumas de suas ideias filosófico-religiosas de seus professores Abu Mansur Nasr Al-Harthi, Abu Sa'ad Al-Shaga'I e Abu Al-Khattab bin Al-Batar. Em Meca, aprendeu retórica e morfossintaxe com Abu al-Hussain ali ibn Hamzah bin Wahas, que por sua vez aprendeu com Al-Zamakhshari sobre interpretações corânicas e os princípios que regem o uso dos recursos literários no Alcorão.

Al-Qifti (1172–1248) escreveu em seu livro Akhbar Al-Olama "Biografias de Estudiosos" que os alunos seguiam Al-Zamakhshari por onde quer que ele viajasse para aprender com ele. Viajavam meses apenas para encontrá-lo. Entre seus alunos em Zamakhshar estavam Abu Omar e Amer bin Hasan Al-Simsar. Em Tabaristão, região montanhosa localizada na costa caspiana do norte do Irã, ensinou Abu Al-Mahasin Isma'il ibn Abdullah Al-Tawaili; em Abivard, ensinou Abd Al-Rahim ibn Abd Allah Al-Barra. Em Samarcanda, alguns de seus alunos foram Ahmed ibn Mahmoud Al-Shati, Mohammad bin Abi Al-Qasim Al-Khawarizmi — referido como o maior poeta e sintaxista de sua época —, Abu Yusuf Ya'gub bin Ali Al-Balkhi, linguista e poeta notável, e Rachid Al-Din Al-Vatvat, distinto estudioso de prosa e verso.

Al-Zamakhshari faleceu em Gurganch (atualmente conhecida como Konye-Urgench), capital do Turcomenistão, em 12 de julho de 1143 (segunda-feira, véspera do 8.º Dhu Al-Hijjah, 538 AH), aos 69 anos.

Al-Zamakhshari não se comprometia exclusivamente nem com a abordagem analítica de Basra nem com a de Cufa, mas retirava de ambas o que validava suas hipóteses. Alguns atribuíram esse comportamento linguístico às suas ideias filosóficas mutazilitas, que libertavam sua alma e o encorajavam a ter uma perspectiva abrangente da vida. No entanto, se houvesse necessidade de classificá-lo em uma escola específica, ele seguiria a escola de Bagdá, cujas abordagens seguem a da escola de Al-Basra em alguns casos, enquanto seguem as abordagens de Al-Kufa em outros. Um ensinamento da escola de Basra trata o verbo em ((هل زيد قام؟ "Zayd ficou de pé?" como sujeito de um verbo elidido expresso pelo verbo قام "ficar de pé". Por outro lado, a escola de Cufa rejeita ver o substantivo como sujeito e argumenta que é um tópico. Outro exemplo que mostra onde ele seguiu a escola de Cufa é a análise do verbo حدّث "contar" como um verbo que toma três objetos. Como em, فمن حدثتموهـ له علينا العلاء "aquele a quem contastes sobre a prioridade", onde o 1.º objeto é "aquele", o 2.º é o pronome ligado ao verbo هـ, e o 3.º é o sintagma preposicional. No entanto, a escola de Basra rejeitou essa visão e considerou "contar" como um verbo bitransitivo.

Al-Kashshaf (também conhecido como "O Revelador; Interpretação do Alcorão") foi escrito no século XII. É a obra mais conhecida de Al-Zamakhshari. De fato, muitos linguistas ao longo da história atribuíram a fama de Al-Zamakhshari a este livro. O nome deste livro (Al-Kashshaf) deriva do verbo kashaf "descobrir". Assim, o livro tenta revelar as ambiguidades sintáticas e semânticas das expressões corânicas. No texto, Al-Zamakhshari explicou sua motivação, impulso e objetivos para construí-lo. Na verdade, ele admitiu que hesitou em escrever este livro, pois achava que poderia não ter as habilidades necessárias para interpretar o Alcorão adequadamente. Disse que sempre que ensinava seus alunos e mencionava um versículo corânico, eles pareciam aprender novos significados que nunca tinham encontrado antes. À medida que continuava fazendo isso, os alunos ficavam mais interessados na interpretação corânica do que em outras matérias. Então, quando disse que escreveria um livro sobre todos esses significados, eles mal podiam esperar e o encorajaram.

Este livro começa com uma introdução na qual Al-Zamakhshari fornece aos leitores uma breve autobiografia e seu fundamento para compor o texto. As páginas seguintes fornecem os recursos utilizados nesta obra. Em seguida, o livro apresenta interpretações para os versículos corânicos na ordem exata em que aparecem no Alcorão. O livro conclui com duas páginas onde o editor forneceu uma biografia sobre Al-Zamakhshari e o elogiou como uma figura respeitada cujas contribuições se estenderam aos aspectos religiosos, linguísticos e literários da vida.

Este livro foi uma fonte primária para linguistas, bem como para aprendizes de árabe e do Alcorão, independentemente de sua abordagem mutazilita, uma escola racionalista de teologia islâmica em Bagdá e Al-Basra. De fato, a maioria dos estudiosos seguintes utilizou as abordagens estilísticas, semânticas e sintáticas de Al-Zamakhshari ao compor suas obras. Neste livro, Al-Zamakhshari tentou mostrar a beleza e a riqueza da língua árabe, derivar provérbios, explicar expressões com múltiplos significados e mergulhar na ciência da retórica.

Entre os aspectos que distinguem este livro está sua linguagem compreensível mesmo para aprendizes de árabe e sua ausência de redundância. Outra característica é que se baseia nos estilos de comunicação de significados dos falantes árabes e no uso da linguagem figurada. Além disso, o método de explicação seguia o padrão de pergunta/resposta, começando com "se eu te dissesse... O que você diria?" e a resposta seria "Eu digo...". Ibn Khaldun (1332–1406) em Al-Muqadimah "A Introdução" (1377) afirma que esse estilo interrogativo foi o que tornou mais fácil de acompanhar para leitores de diferentes níveis educacionais.

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