Augusto Tavares de Lira (Macaíba, 25 de dezembro de 1872 — Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 1958) foi um escritor, professor, historiador e político brasileiro.
Foi governador do Rio Grande do Norte, ministro da Justiça e Negócios Interiores do governo Afonso Pena e ministro da Viação e Obras Públicas no Governo Venceslau Brás; Deputado e senador durante a República Velha. Foi também ministro e presidente do Tribunal de Contas da União, membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Historiador com inúmeros textos históricos publicados, autor de uma História do Rio Grande do Norte.
Augusto Tavares de Lira nasceu na cidade de Macaíba, no Rio Grande do Norte, em 22 de dezembro de 1872, filho do coronel Feliciano Pereira de Lyra Tavares e de Maria Rosalina de Albuquerque Vasconcelos. Seus primeiros estudos foram na cidade natal, mas logo foi mandado para Natal, onde estudou num colégio dirigido por seu futuro sogro Pedro de Albuquerque Maranhão, e, depois, para Recife, onde ingressou na faculdade de direito em 1888. Foi aluno de Clóvis Beviláqua e se formou em 1892.
Deputado Estadual e Deputado Federal
Ao concluir os estudos, retornou para o Rio Grande do Norte, onde, na capital, abriu escritório de advocacia. Em 1893, foi nomeado lente de história no Colégio Ateneu. Ainda nesse ano, elegeu-se deputado estadual, renunciando no ano seguinte por se eleger para a 23ª Legislatura da Câmara dos Deputados, de 1894 a 1896. Reelegeu-se para as 24ª, de 1897 a 1899, 25ª, de 1900 a 1902, e 26ª, de 1903 a 1905, legislaturas.
Junto a outros políticos, integrou a Comissão dos 21, que revisou o projeto do Código Civil do seu antigo professor Clóvis Beviláqua. Enquanto deputado, também foi líder da bancada de seu estado e secretário da Casa.
Presidente do Rio Grande do Norte
Em 1904, renunciou à legislatura de deputado federal para assumir a presidência do Rio Grande do Norte, sucedendo a Alberto Maranhão, que, por sua vez, elegeu-se, em caráter especial, para a vaga aberta na Câmara devido à renúncia de Lira. Na presidência, teve que lidar com a forte seca que atingia o estado há 5 anos, recebendo recursos do governo Rodrigues Alves. Na economia, buscou impulsionar a fundação do Banco de Natal e as indústrias açucareira, salineira e algodoeira. Também é lembrado por ter iniciado a construção da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, chegando a inaugurar seu primeiro trecho: de Natal a Ceará-Mirim.
Responsável por forte processo de urbanização da capital, Lira ergueu os prédios do Tribunal de Justiça e da Assembleia Estadual, além da praça Augusto Severo, em homenagem ao irmão do ex-presidente estadual Augusto Maranhão e do seu sogro Pedro Maranhão. Em vasto processo de modernização, inaugurou iluminação a gás acetileno em diversos bairros de Natal. Toda essa excelente administração encheu os olhos do vice-presidente da República Afonso Pena, candidato à presidência na eleição de 1906. Desse modo, o candidato fez um convite ao presidente estadual para que esse ocupasse o Ministério da Justiça e Negócios Interiores.
Tavares de Lira, todavia, recusou o convite por duas vezes, aceitando-o, depois, após pressão de seu sogro Pedro Maranhão que usou do argumento de que, pela primeira vez, o estado do Rio Grande do Norte poderia ser representado na gestão da República.
Ministro da Justiça e dos Negócios Interiores
Em 1906, renunciou à presidência estadual, passando-a para seu vice Manuel Moreira Dias, para assumir a referida pasta. No cargo, apresentou uma reforma educacional ao Congresso e oficializou a ortografia brasileira. Também foi responsável por expandir a Fundação Oswaldo Cruz e reformar a Biblioteca Nacional. Em 1908, implementou reformas jurídicas no estado do Acre, regulamentou o processo de naturalização de imigrantes e reorganizou o Corpo de Bombeiros, a Casa Civil, a Polícia Civil, a Polícia Militar, a Guarda Civil, a Casa de Detenção, a Colônia dos Dois Rios, o Colégio Pedro II, o Hospital dos Alienados, o Instituto Benjamin Constant e o ensino industrial da Escola Politécnica.
Nota-se, portanto, como o ministro da Justiça se tornou figura central do governo Afonso Pena, do chamado Jardim de Infância, grupo de jovens políticos que haviam assumido os ministérios da República. No Congresso, tramitava um processo para delimitar os limites entre os estados do Ceará e Rio Grande do Norte, organizado pela própria bancada cearense; enquanto ministro, apoiou o projeto.
Após a morte de Afonso Pena, em 1909, e a posse do vice-presidente Nilo Peçanha, que, recentemente, havia passado a articular oposição ao finado presidente, recebeu, Lira, convite para permanecer na pasta que ocupava, mas declinou, sendo substituído por Esmeraldino Bandeira
Em 1910, elegeu-se, numa eleição especial durante a 28ª Legislatura do Senado Federal, de 1909 a 1911, para o cargo de senador pelo Rio Grande do Norte. Apesar de muito jovem, ocupou, durante a 29ª Legislatura, de 1912 a 1914, a liderança do governo do marechal Hermes da Fonseca, substituindo o general Francisco Glicério, senador por São Paulo recém declarado de oposição.
Em 1914, apoiou a candidatura do vice-presidente da República Venceslau Brás para a presidência, ficando a cargo de Lira, após a vitória de Brás, repartir os cargos ministeriais de acordo com as pretensões do presidente eleito. Convidado para compor o ministério, Lira escolheu a pasta da Viação e Obras Públicas, que passaria a ocupar em 15 de novembro de 1914, renunciando à cadeira no Senado.
Ministro da Viação e Obras Públicas
Iniciada a presidência de Brás, Lira ocupou o ministério e, nele, revisou contratos superfaturados, promoveu o carvão nacional, adquiriu locomotivas e promoveu a instalação de usinas hidrelétricas, como a da Usina de Itatinga. Foi também responsável pela reorganização da Inspetoria de Obras contra as Secas, fundada no governo Nilo Peçanha, e de outras inspetorias, como a de Iluminação, a de Estradas de Ferro, a de Viação Marítima e Fluvial, a de Portos, a de Ruas e Canais, e a de Esgotos.