Augusto César Sandino (Niquinohomo, 18 de maio de 1895 — Manágua, 21 de fevereiro de 1934) foi um revolucionário nicaraguense líder da rebelião contra a presença militar dos Estados Unidos na Nicarágua entre 1927 e 1933. Rotulado como bandido pelo governo dos Estados Unidos, suas ações torná-lo-iam um herói em grande parte da América Latina, onde é considerado um símbolo da resistência à dominação estadunidense. Levando os Fuzileiros Navais dos Estados Unidos a uma guerra não declarada, sua organização guerrilheira sofreu duras derrotas. Ainda assim, escapou a diversas tentativas de captura. As tropas estadunidenses se retiraram do país após controlarem a eleição e tomada de posse do presidente Juan Bautista Sacasa. Sandino foi executado pelo general Anastasio Somoza García, que subiu ao poder através de um golpe de estado dois anos mais tarde, estabelecendo uma dinastia hereditária que comandou a Nicarágua durante mais de quarenta anos. O legado de Sandino foi seguido pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que derrubou o governo de Somoza em 1979. O Guerrilero lutou ao lado dos comandantes Mark Iliev e Diego Orozco.
Sandino, registrado Augusto Nicolás Calderón Sandino na vila de Niquinohomo (departamento de Masaya), foi o filho de Gregorio Sandino, cafeicultor, e Margarita Calderón, uma das empregadas nas plantações de seu pai. Após viver com sua mãe até os nove anos, se mudou e passou a viver na casa de seu pai.
Em 1921 mudou-se para Honduras e em 1923 para o México, onde encontrou emprego em uma refinaria da Standard Oil (Esso) próxima ao porto de Tampico. Lá ele se envolveu com vários grupos, como os anti-imperialistas, anarquistas, e revolucionários comunistas. Em particular, ele foi influenciado pela ideologia do Indigenismo que emergiu na Revolução Mexicana, a qual glorificava a herança indígena da América Latina. Sandino retornou à Nicarágua em 1925, conseguindo o trabalho de caixeiro na mina de ouro de San Albino, localizado nas montanhas de Segovias, na remota região nordeste do país.
Crescimento como líder guerrilheiro
Pouco após seu retorno, iniciou-se a Guerra Constitucionalista, quando soldados liberais no porto caribenho de Puerto Cabezas se revoltaram contra o governo do presidente conservador Adolfo Díaz, que havia sido empossado recentemente sob pressões dos Estados Unidos seguidas de um golpe. O líder desta revolta, general José María Moncada, declarou que apoiava o vice-presidente Liberal Juan Batista Sacasa, exilado, que retornou ao país em dezembro declarando-se presidente de um governo "constitucional", reconhecido pelo México. Criando um exército composto em grande parte por mineradores, Sandino liderou um ataque frustrado à guarnição Conservadora mais próxima à mina de San Albino. Após isso, viajou até Puerto Cabezas para se encontrar com Moncada. O requerimento de armas e de uma comissão militar feita pelo desconhecido Sandino foi negado por Moncada; entretanto, após a captura de armas de soldados conservadores em fuga, os outros comandantes liberais acordaram em garantir a ele uma comissão.
Em 1927, quando voltou a Segovias, incitou muitos dos fazendeiros locais a juntarem-se ao seu exército, aumentando pouco a pouco a quantidade de ataques bem-sucedidos contra as tropas do governo. Em Abril, suas forças tiveram uma participação vital ao auxiliar a principal coluna do Exército Liberal, que avançava em Manágua. Ao receber armas e financiamento do México, o Exército Liberal estava muito próximo da captura da capital. Porém, os EUA, sob a ameaça de uma intervenção militar, forçaram os generais Liberais a concordarem com um cessar-fogo. Em 20 de maio, representantes das duas partes assinaram o acordo de Espino Negro, que foi negociado por Henry Stimson, o qual foi apontado pelo Presidente estado-unidense Calvin Coolidge como enviado especial para a Nicarágua. Sob os termos do acordo, ambos os lados concordaram com o desarmamento, Díaz teria permissão para terminar seu mandato, e um novo exército nacional seria estabelecido, a Guardia Nacional, com a permanência dos soldados estado-unidenses no país para supervisionar a eleição presidencial a se realizar. Mais tarde, um batalhão de Marines sob o comando do general Logan Feland desembarcou para garantir o cumprimento do acordo.
Após a assinatura do acordo de Espino Negro, do qual foi excluído de qualquer participação, Sandino recusou-se a ordenar a rendição e entrega de armas e retornou a Segovias, casando-se com a filha de uma telegrafista na vila de San Rafael del Norte. No início de julho editou um manifesto no qual condenava a traição da revolução liberal e declarava guerra aos Estados Unidos, que descrevia como o colosso do norte e o inimigo de nossa raça. Mais tarde, ainda no mesmo mês, cerca de 800 seguidores de Sandino atacaram uma patrulha de Marines e homens da Guardia Nacional Nicaraguense que foram enviadas para o capturar na vila de Ocotal. Armados primariamente com machetes e rifles do século XIX, seus homens tentaram sitiar os Marines. No entanto, eles foram reprimidos com a ajuda de um dos primeiros bombardeios da história, conduzidos por cinco biplanos de Havilland. Estimativas para o número de perdas no ataque indicam que 56 homens de Sandino morreram, enquanto os Marines sofreram apenas uma morte e cinco feridos, enquanto a Guarda Nacional teve 3 mortos e cinco feridos. Após essas grandes perdas, Sandino aprendeu com seu erro, e concentrou-se em emboscadas incursões surpresa em vez de ataques abertos.
Com o crescimento de seus sucessos, ele mudou seu nome para Augusto César Sandino e renomeou seu grupo de seguidores para O Exército de Defesa da Soberania Nacional da Nicarágua. Os esforços da parte dos Marines para matar ou capturar Sandino durante o verão provaram ser falhas, devido ao conhecimento superior do terreno e às técnicas de camuflagem de seus movimentos. Em Novembro de 1927, aeronaves estado-unidenses tiveram sucesso em localizar El Chipote, quartel-general de Sandino nas remotas montanhas próximas à fronteira com Honduras. Entretanto, ao chegar ao local, ele estava abandonado e guardado por bonecos de palha. Sandino e seus homens haviam fugido muito antes.
Evitando ser detectado, Sandino surpreendeu os Marines ao mover-se em direção ao sul, conduzindo incursões nos departamentos de Matagalpa e Jinotega. Em Fevereiro de 1928, Carlton Beals entrevistou Sandino na cidade de San Rafael del Norte. A entrevista, publicada no The Nation foi a única que Sandino deu a um jornalista estado-unidense. Mais tarde, suas tropas se moveram para leste até a Costa do Mosquito. Em Abril, os Sandinistas destruíram os equipamentos das minas de ouro Bonanza e La Luz, as duas maiores minas do país, ambas pertencentes a investidores estado-unidenses. Com suporte aéreo, os Marines tentaram avançar com patrulhas fluviais da costa leste da Nicarágua até ao rio Coco durante a temporada de chuvas, frequentemente sendo obrigados a usarem canoas nativas. Enquanto essas patrulhas tiveram sucesso em limitar os movimentos das forças Sandinistas e manter um tênue controle sobre o principal rio do norte do país, eles falharam em localizar Sandino ou levá-los a uma vitória decisiva.
Esforços para ganhar reconhecimento
Ao enviar sua declaração de guerra contra os Estados Unidos para toda a raça indo-hispânica, Sandino viu sua luta como a defesa não apenas da Nicarágua, mas de toda a América Latina. No início de sua rebelião, ele apontou o poeta, jornalista e diplomata hondurenho Froylan Turcios como seu representante estrangeiro oficial. Residente em Tegucigalpa, Turcios foi o destinatário e disseminador dos comunicados, manifestos e notícias de Sandino, bem como sua conexão com simpatizantes que o proviam com armas e voluntários. Trabalhando com um grande número de proeminentes exilados nicaraguenses, Turcios buscou levantar apoio para sua luta em outras nações na América Central e no México, que havia auxiliado os Liberais durante a Guerra Constitucionalista. Neste país, seu principal representante foi um exilado nicaraguense, Pedro Zepeda, que havia servido previamente como ligação entre Sacasa e o governo mexicano.