Audrey Kathleen Hepburn-Ruston (Bruxelas, 4 de maio de 1929 — Tolochenaz, 20 de janeiro de 1993), mais conhecida como Audrey Hepburn, foi uma atriz e filantropa britânica. Após pequenas aparições em vários filmes, ela estrelou na Broadway na peça Gigi depois de ter sido descoberta pela romancista francesa Colette, em cujo trabalho a peça foi baseada.
Ela chegou ao estrelato depois de ter interpretado o papel principal em Roman Holiday (1953), pelo qual ganhou o Oscar, BAFTA e Globo de Ouro de melhor atriz, tornando-se a primeira atriz a vencer os prêmios supracitados por uma única atuação, além do New York Film Critics Circle na mesma categoria. Naquele mesmo ano, Hepburn ganhou o Prêmio Tony de melhor atriz principal em peça por sua atuação em Ondine. Sua segunda indicação ao Óscar de melhor atriz veio no ano seguinte, com o filme Sabrina (1954). Ela passou a estrelar uma série de filmes naquela década, como War and Peace (1956), Funny Face (1957), Green Mansions e The Nun's Story (ambos de 1959), tendo sido nomeada ao Oscar e ao Globo de Ouro e vencido o BAFTA e New York Film Critics Circle de melhor atriz pelo mesmo.
Em 1961, a atriz estrelou seu papel mais conhecido: Holly Golightly, em Breakfast at Tiffany's, pelo qual recebeu sua quarta indicação ao Óscar de melhor atriz e foi nomeada ao Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical. Em seguida, protagonizou Charade (1963), My Fair Lady (1964), How to Steal a Million (1966) e Wait Until Dark (1967), este rendeu-lhe novamente indicações ao BAFTA, Globo de Ouro, New York Film Critics Circle e ao Óscar. A partir da década de 1970, Hepburn apareceu em menos filmes, dedicando grande parte dessa fase de sua vida à UNICEF. Ela contribuiu para a organização desde 1954, depois trabalhou em algumas das comunidades mais pobres da África, América do Sul e Ásia entre 1988 e 1992. Recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em reconhecimento ao seu trabalho como Embaixadora da Boa Vontade da UNICEF em dezembro de 1992. Em 20 de janeiro de 1993, aos 63 anos de idade, a atriz morreu na cidade de Tolochenaz, Suíça, em virtude de um câncer de apêndice.
Em reconhecimento à sua carreira cinematográfica, ela ganhou uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood — que homenageou sua dedicação e contribuição ao cinema mundial — e recebeu o Prêmio Lifetime Achievement do BAFTA, Prêmio Cecil B. DeMille, o Prêmio Screen Actors Guild Life Achievement e o Prêmio Especial Tony. Foi a quinta artista, a terceira mulher, e continua sendo uma das 15 pessoas a conseguir ganhar as quatro principais premiações do entretenimento americano, o EGOT — acrônimo de Emmy, Grammy, Oscar e Tony. Reconhecida como um ícone de cinema, estilo e moda, Hepburn foi classificada pelo American Film Institute como a terceira atriz mais importante da Era de Ouro de Hollywood.
Família e infância (1929–1938)
Audrey Hepburn, nascida Audrey Kathleen Ruston, nasceu a 4 de maio de 1929, em Ixelles, Bruxelas, Bélgica. Seu pai, Joseph Victor Anthony Ruston, um britânico nascido em Auschwitz, Bohemia, Áustria-Hungria, era filho de Victor John George Ruston, de ascendência britânica e austríaca, e Anna Wels, de ascendência austríaca. Em 1923–24, Joseph havia sido um cônsul britânico honorário em Samarão nas Índias Orientais Neerlandesas, e, antes de se casar com a mãe de Hepburn, ele havia sido casado com Cornelia Bisschop, uma herdeira holandesa. Apesar de ter nascido com o sobrenome Ruston, mais tarde, ele atualizou o seu nome para o mais "aristocrático" Hepburn-Ruston, erroneamente acreditando ser descendente de James Hepburn, terceiro marido de Mary, rainha dos escoceses.
A mãe de Audrey, Ella van Heemstra, era uma nobre holandesa, filha do barão Aarnoud van Heemstra, que foi prefeito de Arnhem de 1910 a 1920 e governador do Suriname neerlandês de 1921 a 1928, e da baronesa Elbrig Willemine Henriette van Asbeck (1873–1939). Aos 19 anos, Ella casou-se com Jonkheer Hendrik Gustaf Adolf Quarles van Ufford, um executivo de petróleo que trabalhava em Batávia, nas Índias Orientais Neerlandesas, onde viveram posteriormente. Durante o casamento, nasceram dois filhos, Jonkheer Arnoud Robert Alexander Quarles van Ufford e Jonkheer Ian Edgar Bruce Quarles van Ufford, antes de se divorciarem em 1925.
Os pais de Audrey Hepburn casaram-se em Batavia em setembro de 1926. Na época, Ruston trabalhava para uma empresa comercial; porém, logo após o casamento, o casal mudou-se para a Europa, onde Ruston começou a trabalhar para uma empresa de empréstimos. Depois de um ano em Londres, o casal deslocou-se para Bruxelas, onde Ruston fora designado para abrir uma filial da empresa. Depois de três anos viajando entre Bruxelas, Arnhem, Haia e Londres, a família estabeleceu-se Linkebeek, Bruxelas, em 1932. A infância de Hepburn foi protegida e privilegiada. Como resultado de sua formação multinacional e de viajar com a família a diferentes lugares devido ao trabalho do pai, ela aprendeu cinco idiomas: neerlandês e inglês de seus pais e, posteriormente, vários graus de francês, espanhol e italiano, além do alemão.
Por volta de 1930, os pais de Hepburn angariaram doações para a União Britânica de Fascistas. Joseph deixou repentinamente a família em 1935 e mudou-se para Londres, onde se envolveu fortemente em atividades fascistas e nunca visitou sua filha no exterior. Ela, mais tarde, disse que a partida de seu pai "foi o evento mais traumático da minha vida". Nesse mesmo ano, ela e sua mãe mudaram-se para a propriedade da família em Arnhem, nos Países-Baixos. Em 1937, elas se deslocaram para Kent, na Inglaterra, onde Hepburn foi educada em uma pequena escola privada em Elham.
Os pais de Hepburn divorciaram-se oficialmente em 1938. Na década de 1960, ela teve contato com o pai depois de tê-lo localizado em Dublin por intermédio da Cruz Vermelha; embora permanecesse emocionalmente desapegada, Hepburn o apoiou financeiramente até sua morte.
Experiências durante a Segunda Guerra Mundial (1939–1945)
Depois de a Grã-Bretanha ter declarado guerra à Alemanha em setembro de 1939, a mãe de Hepburn transferiu-a para Arnhem na esperança de que, da mesma forma como acontecera na Primeira Guerra Mundial, os Países-Baixos continuassem neutros e fossem poupados de um ataque alemão. Enquanto esteve lá, Hepburn frequentou o Conservatório de Arnhem de 1939 a 1945. Ela começou a ter aulas de balé durante seus últimos anos no internato, e continuou treinando em Arnhem sob a tutela de Winja Marova, tornando-se sua "aluna estrela". Depois de os alemães terem invadido os Países Baixos em 1940, Hepburn adotou o nome Edda van Heemstra, porque um nome de "sonoridade inglesa" era considerado perigoso durante a ocupação alemã. A sua família foi profundamente afetada pela ocupação, e Hepburn mais tarde afirmou que "se tivéssemos sabido que seríamos ocupados por cinco anos, poderíamos ter atirado em nós mesmos. Achamos que poderia acabar na próxima semana... seis meses... no ano que vem... foi assim que passamos". Em agosto de 1942, seu tio, magistrado Otto van Limburg Stirum (casado com a irmã mais velha de Ella, Guilhermina), foi um dos cinco cidadãos proeminentes executados por um pelotão de fuzilamento em retaliação a uma explosão de um trem alemão, destruído pela Resistência. Duas semanas depois, o meio-irmão mais novo de Hepburn, Ian van Ulfford, completou dezoito anos e foi convocado pela Alemanha Nazista para trabalhar em uma fábrica em Berlim por quatorze horas por dia; seu outro meio-irmão, Alex, escondeu-se para evitar o mesmo destino, sendo este o último encontro entre Audrey, Ella e os garotos antes do final da guerra. Posteriormente, em 1945, os quatro reuniram-se novamente.
A morte de Otto van Limburg Stirum fez com que Ella, Miesje e Hepburn deixassem Arnhem e fossem morar com o avô desta última, Barão Aarnoud van Heemstra, na vizinha Velp. Naquela época, Hepburn realizou apresentações de dança sem músicas, a fim de arrecadar dinheiro para a resistência neerlandesa. Há muito tempo acreditava-se que ela havia participado da resistência neerlandesa; contudo, em 2016, o Museu Airborne 'Hartenstein' relatou que, após uma extensa pesquisa, não encontrou evidências de tais atividades. No entanto, em 2018, no livro, Dutch Girl: Audrey Hepburn and World War II, o autor Robert Matzen alegou ter encontrado provas de que Hepburn apoiava diretamente a resistência. Além de outros eventos traumáticos, ela testemunhou o transporte de judeus neerlandeses para campos de concentração, afirmando, posteriormente: "mais de uma vez eu estava na estação vendo trens de carga transportando judeus, vendo todos esses rostos por cima do vagão. Lembro-me, muito nitidamente, de um garotinho de pé na plataforma com os pais, muito pálido, muito loiro, com um casaco grande demais para ele, e entrou no trem. Eu era uma criança observando uma criança".