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Audre Lorde

Escritora e ativista feminisa estadunidense (1934–1992)

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Audrey Geraldine Lorde (Nova Iorque, 18 de fevereiro de 1934 — Saint Croix, 17 de novembro de 1992) foi uma escritora, bibliotecária, arquivista, filósofa, poeta e ativista feminista interseccional, mulherista e dos direitos civis norte-americana, em especial das mulheres lésbicas e negras. Ela teve entre seus esforços mais notáveis o trabalho militante com as mulheres afro-alemãs na década de 1980. Em seus textos, abordou questões relacionadas aos direitos civis, racismo, feminismo, mulherismo e opressão. Seu trabalho enquadra-se no liberalismo social, abordando a sexualidade numa perspectiva revolucionária. Em resposta às críticas do conservador Jesse Helms, assim se expressou:

"Minha sexualidade é parte integrante do que eu sou, e minha poesia é produto da interseção entre mim e meus mundos [...]. A objeção de Jesse Helms ao meu trabalho não tem a ver com obscenidade [...] ou mesmo com sexo. Tem a ver com revolução e mudança. [...] Helms sabe que meus escritos estão voltados para a destruição dele e de tudo o que ele defende".

Audre Lorde morreu de Cancro do fígado, em 1992. Atualmente, sua obra serve como inspiração e referência para pesquisas sobre o feminismo.

Audrey Geraldine Lorde nasceu em Nova Iorque numa família de imigrantes caribenhos oriundos de Barbados e Carriacou, que se estabeleceram no Harlem. Seus pais eram Frederick Byron Lorde e Linda Gertrude Belmar Lorde. A sua mãe era de ascendência mista. Já o seu pai tinha a pele mais escura do que a família Belmar gostaria. O casamento dos dois só se deu graças ao charme e à persistência de Byron Lorde. Míope, ao ponto de ser legalmente cega e a mais nova de três filhas (as outras duas eram Phyllis e Helen), Audre Lorde cresceu ouvindo histórias de sua mãe sobre as Índias Ocidentais. Ela aprendeu a falar enquanto aprendia a ler, com a idade de quatro anos, e sua mãe ensinou-lhe a escrever na mesma época. Audre escreveu seu primeiro poema quando estava na oitava série. Nascida Audrey, ela optou por retirar a última letra de seu primeiro nome quando ainda era criança. Ela explica em Zami: A New Spelling of My Name que estava mais interessada na simetria artística da terminação em "e" dos dois nomes ("Audre Lorde") do que em manter seu nome na grafia original.

Depois de concluir o ensino médio na Hunter College High School e de vivenciar a tristeza pela morte de sua amiga Genevieve "Gennie" Thompson, Lorde deixou a casa dos pais e se afastou de sua família. Estudou no Hunter College da Universidade da Cidade de Nova Iorque (1954-1959) e se graduou em biblioteconomia, enquanto trabalhava para se sustentar. Trabalhou como operária de fábrica, ghost-writer, assistente social, técnica de raios X, atendente de consultório médico e supervisora de artes e artesanato. Mudou-se do Harlem para Stamford, em Connecticut, e a partir daí começou a explorar sua sexualidade lésbica.

Em 1954, passou um ano crucial como estudante na Universidade Nacional do México. Foi um período que ela descreveu como um momento de afirmação e renovação, quando confirmou sua identidade, em termos pessoais e artísticos, como lésbica e como poeta. Em seu retorno a Nova Iorque, frequentou a faculdade, trabalhou como bibliotecária, continuou escrevendo e tornou-se uma participante ativa na cultura LGBT de Greenwich Village. Lorde prosseguiu sua educação na Universidade Columbia, obtendo um mestrado em biblioteconomia em 1961. Paralelamente, trabalhava como bibliotecária na Biblioteca Pública de Mount Vernon, Nova Iorque. Casou-se com o advogado Edwin Rollins, um homem branco e gay, com quem teve dois filhos - Elizabeth e Jonathan. O divórcio do casal viria em 1970. Em 1966, ela se tornou bibliotecária chefe de uma escola da cidade em Nova Iorque, onde permaneceu até 1968.

Em 1968, Lorde foi escritora-residente no Tougaloo College, no Mississippi. Lá, conheceu Frances Clayton, uma professora de psicologia branca que seria sua parceira amorosa até 1989.

A partir de 1977-1978, Lorde teve um breve caso com a escultora e pintora Mildred Thompson. As duas se conheceram em 1977 na Nigéria, durante o Segundo Festival Mundial de Arte e Cultura Preta e Africana (FESTAC 77). O romance seguiu seu curso enquanto Thompson viveu na cidade de Washington, D.C..

De 1984 a 1992, Lorde passou uma longa temporada em Berlim, atuando no movimento afro-alemão, particularmente entre as mulheres. Ela viajou em 1984, convidada a lecionar no John-F.-Kennedy-Institut für Nordamerikastudien da Universidade Livre de Berlim. Na época, textos-chave de Audre Lorde já circulavam pela Europa, especialmente na Alemanha, impactando as vidas e mentalidades de muitas mulheres negras. Ver "Farbe bekennen" ("Assumindo a cor – mulheres afro-alemãs no rastro de sua história") de Katharina Oguntoye e May Ayim [carece de fontes?]

O documentário Audre Lorde - The Berlin Years 1984-1992 mostra o que foi, para a escritora, viver em Berlim e crescer com o movimento das mulheres afro-alemãs naquele período. Narrado pela própria Audre Lorde, o filme conta com a participação das mulheres com quem interagiu durante o período inicial do movimento. Lorde convocou as mulheres negras afro-alemãs a levantar suas vozes e fazer demandas à sociedade racista em que viviam. Isso é notável na antologia Showing Our Colors: Afro-German Women Speak Out, editada por May Ayim, Katharina Oguntoye e Dagmar Shultz. Audre Lorde abre a conversa com uma introdução (em inglês e em alemão) em que afirma: "As mulheres negras americanas não podem se dar ao luxo de assumir atitudes paroquiais que muitas vezes nos cegam para o resto do mundo. As mulheres negras alemãs incluídas neste livro oferecem uma visão de dentro sobre as complexidades de um futuro do feminismo global."

Em sua autobiografia, Ika Hügel-Marshall descreve o impacto que Audre Lorde teve em sua vida e lhe faz uma homenagem póstuma. No tributo, ela afirma: "Muitas pessoas tiveram relações especiais com você, e muitos acreditavam que tinham uma conexão única com você. Eu não tinha nem uma coisa, nem outra. Nós apenas tivemos muita diversão com os outros e muitas vezes rimos das mesmas coisas. Eu nunca disse o que você significava para mim; era claro já e, portanto, um incômodo."

O legado de Audre Lorde para o movimento afro-alemão permaneceu. Como Marion Kraft escreve: "Para a formação de uma consciência negra alemã, como coletivo de identidade, as conexões de Audre Lorde com os negros alemães foram fundamentais e marcaram o início de um movimento intercultural que foi seminal para a construção de várias organizações, como a Iniciativa de Negros alemães (ISD), a ADEFRA (Mulheres afro-alemãs) e Homestory Deutschland." Marion Kraft escreve sobre seus encontros com Audre Lorde e o impacto da sua poesia. Kraft organizou leituras de poesia para ela na Alemanha. Ela também lembra os primeiros encontros de mulheres afro-alemãs com a escritora americana e as suas conversas.

Audre Lorde lutou contra o câncer por 14 anos. Ela foi diagnosticada pela primeira vez com câncer de mama em 1978 e passou por uma mastectomia. Seis anos mais tarde, foi diagnosticada com câncer de fígado. Em razão da doença, ela decidiu se concentrar mais em sua vida e sua escrita. Escreveu The Cancer Journals, que ganhou em 1981 o Gay Caucus Book of the Year Award, concedido pela American Library Association. Ela foi retratada em um documentário chamado A Litany for Survival: The Life and Work of Audre Lorde, que a perfila como autora, poeta, ativista de direitos humanos, feminista e lésbica. Neste filme, ela dá a seguinte declaração: "O que eu deixo tem vida própria. Eu já disse isso sobre poesia; eu disse isso sobre filhos. Bem, de certa maneira, estou me referindo ao próprio artefato da pessoa que fui".

De 1991 até sua morte, Lorde foi Poeta Laureada do Estado de Nova Iorque. Em 1992, recebeu o Bill Whitehead Award for Lifetime Achievement da Publishing Triangle. Em 2001, a Publishing Triangle instituiu o Audre Lorde Award para honrar obras de poesia lésbica.[carece de fontes?]

Lorde morreu de câncer de fígado em 17 de novembro de 1992, aos 58 anos, em Saint Croix, nas Ilhas Virgens Americanas, onde vivia com Gloria I. Joseph.

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