Os atentados de 22 de julho de 2011 na Noruega consistiram numa explosão na zona de edifícios governamentais da capital, Oslo, e num tiroteio ocorrido poucas horas depois, na ilha de Utøya, situada no lago Tyrifjorden, condado de Buskerud. Os atentados, perpetrados por um militante da extrema-direita chamado Anders Behring Breivik, resultaram na morte de 77 pessoas (69 jovens integrantes do Partido Trabalhista Norueguês em Utøya e 8 pedestres em Oslo), deixando mais de 300 feridas também.
Estes ataques foram os mais mortais na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial. Uma pesquisa descobriu que um em cada quatro noruegueses conhecia alguém afetado pela tragédia.
De acordo com a confissão do terrorista, ele teria começado a planejar o atentado quando tinha 23 anos de idade. Não existem evidências suficientes para concluir que Breivik recebeu ajuda, mas a polícia não descarta essa possibilidade.
No dia do atentado, o terrorista publicou na internet um manifesto de sua ideologia de extrema-direita, compilada em uma coleção de textos intitulados "2083 - Uma declaração europeia de independência". Em seus escritos, Anders Breivik expressa suas visões de mundo — que incluem conservadorismo cultural radical, ultranacionalismo, islamofobia, homofobia, racismo e antifeminismo. Ele também considera o marxismo cultural e o Islã como as duas maiores ameaças à Cristandade moderna.
Na ocasião, o terrorista assinou seu manifesto usando o pseudônimo de "Andrew Berwick", autoproclamado "Cavaleiro Templário da Noruega".
Às 15h20min do horário local, CET, (10h20min UTC), houve uma grande explosão próxima dos prédios onde se situa o gabinete do primeiro-ministro da Noruega Jens Stoltenberg, quebrando várias janelas do prédio de 17 andares, danificando edifícios ao redor, provocando oito mortes e numerosos feridos. Na área fica também a sede do Ministério do Petróleo e Energia, que foi o edifício mais danificado tendo sido atingido por um incêndio em seus andares superiores. De acordo com as declarações da polícia, o atentado foi perpetrado mediante um carro-bomba. Para uma melhor ação das equipes de emergência, a polícia evacuou os edifícios governamentais e vedou acesso à área.
Poucas horas depois, na ilha de Utøya, ao norte da capital, um homem armado abriu fogo contra os participantes de um acampamento de jovens (universidade de verão), organizado pela juventude do Arbeiderpartiet (Partido Trabalhista Norueguês), que estava então no governo do país. Entre 400 e 600 pessoas participavam do evento e pelo menos 69 foram mortas no atentado - uma delas, Trond Berntsen, era meio-irmão da Princesa Herdeira Consorte Mette-Marit. O atirador, vestido com um uniforme de policial, justificou a sua entrada no campo como "verificação de rotina após o atentado em Oslo" e começou a disparar contra os jovens. Estava prevista uma visita do primeiro-ministro Jens Stoltenberg àquele acampamento.
Ambos os ataques foram aparentemente coordenados. Supôs-se inicialmente que algum grupo terrorista islâmico pudesse estar envolvido, devido à participação da Noruega nas ações militares da OTAN na Líbia e no Afeganistão, uma vez que, segundo um relatório oficial elaborado no início de 2011, não se considerava a possibilidade de a extrema-direita constituir uma "ameaça séria" à segurança nacional.
O jornal norte-americano 'The New York Times', comunicou que um grupo islamista até então desconhecido, chamado "Ansar al-Jihad al-Alami" ("Colaboradores da Jihad Global"), emitira um comunicado pouco depois das explosões reclamando sua autoria. Posteriormente os veículos de comunicação que se apressaram em afirmar que os atentados na Noruega eram mais um exemplo de terrorismo de viés islâmico retrataram-se assim que a polícia norueguesa descartou a possibilidade e afirmou suspeitar de grupos nacionalistas.
O responsável pela chacina em Utøya foi detido ainda na ilha. Tratava-se de Anders Behring Breivik, empresário norueguês de 32 anos descrito como antiglobalista e nacionalista e que se considera de extrema-direita. O autor dos atentados terroristas tinha colocado mensagens na Internet declarando-se inimigo da sociedade multicultural.
O suspeito admitiu vestir-se como um policial, entrar em 22 de Julho de 2011, no terreno de um acampamento de jovens da Arbeiderpartiet norueguês (Partido dos Trabalhadores) na ilha de Utøya, abrir fogo contra os jovens presentes, matando pelo menos 68 deles naquele momento. Durante seu interrogatório ele também confessou a autoria das explosões combinadas, ocorridas duas horas antes em Oslo.
Detenção de sobrevivente inocente
Ao chegar na ilha de Utøya, a polícia prendeu, além de Breivik, Anzor Djoukaev, um inocente sobrevivente de 17 anos que representava a filial do condado de Akershus da Liga de Trabalhadores Juvenis da Noruega naquele acampamento. O jovem foi despido de todas suas roupas e trancafiado em uma cela de prisão localizada a poucos metros de distância da cela que abrigava o assassino confesso do ataque. A vítima, que quando criança havia testemunhado assassinatos em massa na Chechênia, foi considerada suspeita de ser cúmplice porque seu corte de cabelo era diferente daquele que aparecia em seu documento de identidade e porque ele não reagiu à carnificina com as mesmas lágrimas e histeria que a maioria dos jovens sobreviventes. Anzor Djoukaev foi mantido sob custódia das autoridades por dezessete horas sendo interrogado sem a presença de seu advogado e sem que lhe fosse permitido contatar sua família para informar que havia sobrevivido. O jovem acabou sendo liberado quando as autoridades policiais foram obrigadas a reconhecer seu grave erro procedimental.
O cidadão norueguês Anders Behring Breivik (pronunciado 'ɑnəʂ 'beːɾiŋ 'bɾæɪʋiːk, nascido em Oslo, a 13 de fevereiro de 1979), foi descrito inicialmente como um fundamentalista cristão — e muito embora tal definição tenha sido contestada por alguns artigos de opinião, a imprensa internacional, autores acadêmicos e também a polícia norueguesa mantém a descrição de Breivik como um fundamentalista cristão. O ativista, ligado à extrema-direita europeia, filiado numa loja maçônica de Oslo, conservador e ferrenho defensor do Estado de Israel, assumiu a total responsabilidade por todos os crimes. Não está descartada a hipótese de que tenha obtido algum tipo de ajuda, entretanto a polícia jamais encontrou evidências para processar terceiros.
De acordo com o chefe da polícia de Oslo, Breivik era dono de uma empresa agrícola que consistia em uma pequena fazenda no leste do país. Em maio de 2009, ele registrou sua empresa sob o nome de "Breivik Geofarm", o que lhe permitiu comprar grandes quantidades de fertilizantes que mais tarde seriam usados na fabricação de explosivos sem levantar suspeitas. O futuro terrorista ainda estava cadastrado no registo estatal como adquirente de duas armas — uma automática e uma pistola do tipo Glock.
Entre 1999 e 2006, Anders Behring Breivik foi membro do Fremskrittspartiet (Partido do Progresso), da direita populista, que defende maiores restrições à imigração. Entre 1997 e 2007, Breivik participou ativamente da juventude do Partido do Progresso (Framstegspartiet sin Ungdom, FpU), tendo servido em várias funções, inclusive na de presidente da filial local Oslo-Oeste (de janeiro a outubro de 2002) da organização e a de diretor da mesma filial, entre outubro de 2002 e novembro de 2004. Apesar disso, a líder do Partido do Progresso, Siv Jensen, garante que Breivik não milita mais na legenda e que "nunca foi muito ativo".
Retratado como neonazista pela mídia, Anders autoproclamava-se um antinazista e defensor do Estado de Israel como bastião da civilização ocidental no Oriente Médio, ao mesmo tempo em que colocava as ideologias do nazismo, do chamado "marxismo cultural" e do fundamentalismo islâmico num mesmo "pacote anti-ocidental". Segundo o chefe dos serviços de inteligência, Øystein Mæland, Anders Behring Breivik situava-se à extrema-direita no espectro político e tratava-se de um fundamentalista cristão. Breivik manifestou-se em blogs, atacando o multiculturalismo e o Islã: "Quando o multiculturalismo deixará de ser uma ideologia criada para destruir a cultura europeia, as tradições e a identidade do Estado-nação?", escreveu ele em comentário postado no dia 2 de fevereiro de 2010, no site direitista norueguês chamado "Documento". O jornal DagBladet definiu Breivik como "islamofóbico, pró-Israel, anti-imigração, hipernacionalista e relativamente intelectual, que havia sido criado na zona oeste de Oslo, a parte rica e burguesa". Em seu perfil no Facebook, Breivik se declarava solteiro, cristão (porém contrário à política do Vaticano), conservador, interessado em fisiculturismo, francomaçonaria e caça. Devido ao incidente, as contas de Anders B. Breivik no Facebook e no Twitter foram bloqueadas por ordem da justiça norueguesa a pedido das autoridades policiais do país.