Em 26 de novembro de 2008 dez atentados terroristas sincronizados atingiram a cidade indiana de Bombaim, conhecida como capital financeira e maior cidade do país; alguns destes ataques só foram encerrados três dias depois, em 29 de novembro, quando as forças de segurança indianas conseguiram ganhar o controle de todos os locais atacados. 195 pessoas, incluindo vinte e dois estrangeiros, foram confirmados como mortos, e cerca de 327 pessoas ficaram feridas.
Oito ataques ocorreram no sul da cidade: na estação ferroviária de Chhatrapati Shivaji Terminus (CST); dois hotéis cinco-estrelas, o Oberoi Trident, em Nariman Point, e o Taj Mahal Palace & Tower, próximo ao Portal da Índia; no Leopold Café, um restaurante popular com turistas em Colaba; o Hospital Cama; na Casa Nariman, de propriedade de judeus ortodoxos; no cinema Metro Adlabs; no quartel-general da Polícia de Bombaim, onde pelo menos três oficias de alta patente, incluindo o chefe do Esquadrão Anti-Terrorismo de Maharashtra, foram mortos a tiros. O décimo incidente envolveu a explosão de um táxi em Vile Parle, próximo ao aeroporto, porém ainda não é claro se este incidente foi ligado aos ataques do resto da cidade. Entre cinquenta e sessenta terroristas teriam participado dos ataques.
Devido ao fato dos alvos aparentes terem sido cidadãos britânicos e americanos, e pelo padrão de ataques simultâneos e coordenados, acredita-se que terroristas islâmicos possam ser responsáveis. Uma organização até então desconhecida, que se identificou como os 'Mujahidin do Decão', alegou a responsabilidade através de um e-mail enviado a diversas organizações jornalísticas. Algumas reportagens têm atribuído estes ataques ao Lashkar-e-Taiba, um grupo militante islâmico que opera a partir do Paquistão. De acordo com algumas versões, alguns terroristas que mantinham reféns no hotel Oberoi teriam afirmado o desejo de que todos os mujahidin em prisões indianas deveriam ser soltos em troca dos reféns; o número de terroristas ainda armados dentro do edifício seria de pelo menos sete. Outras reportagens indicaram que esta exigência teria sido feita através de um dos reféns na Casa Chabad de Bombaim, numa ligação para o consulado israelense em Nova Delhi. Alguns especialistas expressaram visões conflitantes sobre uma possível autoria da Al-Qaeda destes atentados.
Depois de dois dias de tiroteios e explosões, o ataque aparentemente havia cessado na manhã do dia 28 de novembro; Incêndios estavam sendo apagados e soldados carregavam reféns e feridos para a segurança, além dos corpos daqueles que não haviam sobrevivido aos confrontos.
A Casa Nariman e o Oberoi Trident acabaram por ser libertados pelas forças especiais indianas. Cinco reféns teriam sido mortos no centro judaico. A situação no hotel Hotel Taj Mahal também teria se encerrado, apesar dos incêndios que ainda tomavam conta de partes do edifício; a ação da Guarda Nacional de Segurança teria resultado na morte de ao menos mais dois terroristas.
A Índia vem sofrendo uma onda de atentados à bomba nos últimos anos, e Bombaim foi o alvo de muitos destes ataques.
O primeiro evento relatado a respeito deste ataque ocorreu às 20h10 IST de 26 de novembro; um barco carregando cerca de oito jovens com diversas sacolas de grande dimensão ancorou na vizinhança de Cuffe Parade, onde seis deles desembarcaram e o resto seguiu viagem ao longo da costa. Quando residentes perguntaram sobre suas ocupações, o grupo respondeu que eram estudantes. Às 20h30 outro incidente ocorreu em Colaba, no qual dez homens falando urdu desembarcaram de lanchas Zodiac, e teriam dito aos pescadores locais que "cuidassem de suas próprias vidas" antes de se separar e desaparecer em duas direções diferentes.
Os ataques começaram às 21h20, quando dois terroristas armados com rifles AK-47 entraram no terminal de passageiros da Estação Chhatrapati Shivaji abrindo fogo e arremessando granadas, matando pelo menos dez pessoas. Dois terroristas capturaram quinze reféns, incluindo sete estrangeiros, no hotel Taj Mahal.
A rede de televisão americana CNN relatou às 23 horas que a situação no hotel Taj Mahal já havia sido resolvida, citando o chefe de política do estado de Maharashtra como afirmando que os reféns já haviam sido libertados; no entanto, posteriormente se revelou que ainda existiam diversos turistas presos no hotel. Enquanto isso quarenta pessoas eram mantidas como reféns no hotel Oberoi Trident. Seis explosões foram ouvidas no hotel Taj Mahal, e uma no Oberoi. O hotel Taj Mahal foi declarado como completamente sob controle das tropas governamentais às 4 horas e 22 da madrugada e forças especiais indianas teriam matado dois atiradores dentro do Oberoi, assumindo o comando do edifício.
Os dois hotéis estavam em chamas, e foram cercados e invadidos pelos comandos das forças especiais indianas (Rapid Action Force). Surgiram reportagens sobre terroristas que se utilizavam de transmissões ao vivo das estações de televisão; as transmissões para os hotéis foram interrompidas. Explosões ainda acontecem dentro do hotel Taj Mahal, e a polícia e os bombeiros estão trabalhando para resgatar as pessoas presas dentro do edifício. Explosões de pequena intensidade foram relatadas em Vile Parle, e um ataque a granadas ocorreu em Santa Cruz. Duas explosões ocorreram na área da Nepean Sea Road, no sul da cidade; e mais explosões continuam a ser relatadas no hotel Oberoi. Neste meio tempo a polícia apreendeu um barco repleto de armas e explosivos, ancorado nas docas de Mazgaon, no porto de Bombaim.
Diversos delegados da Comissão do Comércio Internacional do Parlamento Europeu estavam alojados no hotel Taj Mahal quando ele foi atacado. O eurodeputado britânico Sajjad Karim, que estava no lobby do hotel quando os terroristas abriram fogo ali, bem como sua colega alemã Erika Mann, foram vistos pela primeira vez se escondendo em diversas partes do edifício. Outro que teria sido visto é o eurodeputado espanhol Ignasi Guardans, que estaria atrás de barricadas num dos quartos do hotel. Outro eurodeputado britânico, Syed Kamall, relatou como havia saído, juntamente com outros membros do Parlamento Europeu, do hotel rumo a um restaurante vizinho pouco tempo antes do ataque. Kamill também relatou que o parlamentar polonês Jan Masiel estaria dormindo em seu quarto quando os ataques começaram, e que teria conseguido fugir do hotel. Kamil e Guardans também relataram a morte de um assistente de um parlamentar húngaro.
A Presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, também teria sido pega de surpresa pelo tiroteio ao fazer o check-in no hotel Oberoi Trident, bem como o parlamentar indiano N. N. Krishnadas, de Kerala, que jantava no restaurante do hotel Taj Mahal.
Diversos reféns foram aprisionados por terroristas na Casa Chabad de Bombaim (também conhecida como Casa Nariman), em Colaba, de propriedade do Chabad Lubavitch. O Chabad Lubavitch também expressou sua preocupação com o seu representante oficial na cidade, o rabino Gavriel Holtzberg, que era mantido como refém juntamente com sua esposa, Rivka Holtzberg. Diversos órgãos de imprensa já confirmaram que tanto o rabino quanto sua mulher foram executados pelos terroristas; a filha pequena do casal teria conseguido escapar no início do confronto, pelas mãos da sua babá.
O Secretário do Interior do estado de Maharashtra, Bipin Shrimali, anunciou que a polícia teria matado quatro suspeitos quando estes tentavam fugir em carros, durante dois incidentes separados, enquanto o Ministro do Interior indiano, R. R. Patil, afirmou que nove suspeitos foram presos.
Cerca de 400 membros das forças especiais do exército indiano e 300 comandos dos Guardas Nacional de Segurança (NSG), além de um número não conhecido de comandos MARCOS foram enviados a Bombaim. O exército alega já ter dominado a situação em um dos hotéis, e que teria libertado oito reféns no edifício judaico.
Em 29 de novembro o Times of India relatou que a batalha pelo controle de Bombaim havia se encerrado, depois de 60 horas de operação, com vitória das forças de segurança indiana. A operação final no hotel Taj Mahal Palace foi finalizada às 8h do dia 29; cerca de 250 pessoas foram resgatadas no Oberoi, 300 no Taj e 12 famílias de 60 pessoas na Casa Nariman. Um total de 195 pessoas teriam sido mortas pelos terroristas ou nas batalhas e tiroteios que se seguiram.