O ataque em Abqaiq-Khurais de 2019 foi um ataque de drones que atingiu as fábricas de petróleo da Saudi Aramco de Abqaiq (Biqayq em árabe) e Khurais no leste da Arábia Saudita em 14 de setembro de 2019. O ataque causou grandes incêndios nas fábricas, que foram apagados após várias horas, de acordo com o Ministério do Interior da Arábia Saudita. O movimento Houthis no Iêmen assumiu a responsabilidade pelo ataque, vinculando o ataque aos eventos que envolveram a intervenção da Arábia Saudita na Guerra Civil Iemenita. No entanto, as alegações de autoridades dos Estados Unidos de que os ataques foram originados no Irã, apesar da negação do país, também vincularam o evento a atual crise do Golfo Pérsico.
O ataque causou grandes incêndios nas fábricas que, de acordo com o Ministério do Interior da Arábia Saudita, foram reativadas várias horas depois. Entretanto, ambas as instalações foram fechadas até que os reparos fossem concluídos, reduzindo a produção de petróleo da Arábia Saudita em mais da metade — representando cerca de 5% da produção global de petróleo — e causando alguma desestabilização dos mercados financeiros globais. O ministério da energia da Arábia Saudita declarou que as instalações devem estar operando em plena capacidade até o final de setembro e aproveitarão suas reservas de petróleo para manter as exportações nesse período de tempo.
A Saudi Aramco é uma empresa petrolífera nacional de propriedade do governo da Arábia Saudita; é o segundo maior produtor de petróleo do mundo, atrás da empresa russa Rosneft. A Aramco opera várias instalações de perfuração, transporte e produção de petróleo na Arábia Saudita. As reservas comprovadas de petróleo na Arábia Saudita são as segundas maiores do mundo, ficando atrás apenas da Venezuela, sendo que a Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo.
A instalação de Abqaiq é considerada pela Aramco como "a maior planta de estabilização de petróleo bruto do mundo", convertendo o petróleo bruto pela remoção de impurezas de enxofre em petróleo bruto doce, antes de ser transportado para outras refinarias de petróleo, processando mais de 7 milhões de barris de petróleo por dia ou cerca de 7% da produção diária global de petróleo. Bob McNally, ex-membro do Conselho Econômico Nacional e do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, havia declarado anteriormente a Reuters que "um ataque bem-sucedido às instalações de Abqaiq seria semelhante a um ataque cardíaco maciço no mercado de petróleo e na economia global". A instalação de Abqaiq havia sido palco de um atentado suicida fracassado anteriormente pela Al-Qaeda, em 2006. O campo de petróleo de Khurais produz cerca de 1,5 milhão de barris de petróleo por dia, e estima-se que mantenha até 20 bilhões de barris de petróleo.
Por volta das 4h00 (1h00 TMG), a Saudi Aramco informou que estava lidando com incêndios nas instalações de Abqaiq e Khurais na Arábia Saudita. Acreditava-se que o ataque foi realizado por vários drones, pois as metralhadoras podiam ser ouvidas nas gravações do azan muçulmano (gravações para oração) perto das instalações, quando os guardas de lá dispararam para tentar derrubar os drones. Os incêndios foram contidos poucas horas depois, sem mortes relatadas, embora não esteja claro se alguém foi ferido no ataque.
O Ministério do Interior da Arábia Saudita divulgou um relatório logo após o incidente, afirmando que os incêndios foram "resultado de [...] drones". Acreditava-se que vários veículos aéreos não tripulados (UAVs ou drones) estavam envolvidos, e que podia-se ouvir tiros de metralhadora nas gravações de vigilância das instalações, enquanto os guardas das instalações tentavam derrubar os drones.
A análise das imagens de satélite da instalação de Abqaiq antes e depois dos ataques parece mostrar dezessete ataques diretos do evento; catorze que atingiram e perfuraram tanques de armazenamento e três que desativaram os trens de processamento de petróleo. Também foram observados dois ataques adicionais no terreno da instalação, mas que não danificaram o equipamento.
O ministério da Arábia Saudita não identificou a fonte do ataque, mas iniciou uma investigação.
O Houthis emitiu um comunicado horas após o ataque, assumindo a responsabilidade pelo envio de dez drones para desativar as instalações de produção de petróleo e prometendo ampliar o alcance dos alvos na Arábia Saudita, em retaliação pela intervenção militar liderada pela Arábia Saudita, apoiada pelo Ocidente, no Iêmen, onde aproximadamente 14 milhões de pessoas enfrentam fome, crise essa que é considerada a pior crise humanitária da história. Milhares de civis iemenitas foram mortos durante o conflito, principalmente pelos ataques aéreos da intervenção liderada pela Arábia Saudita no Iêmen. Essa intervenção militar está tentando derrubar o Houthis, após a derrubada do governo liderado pelo presidente Abd Rabbuh Mansur Al-Hadi, enquanto o Houthis busca o reconhecimento internacional de seu governo.
Nas semanas anteriores, houve ataques semelhantes de drones à infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita, mas não tiveram danos ou impactos significativos. O Houthis afirma que esses ataques têm o direito de retaliar ataques aéreos e outros ataques no Iêmen da intervenção militar saudita. Em sua declaração sobre o ataque à produção de petróleo, os representantes do Houthis declararam que "esses ataques são nosso direito, e prometemos ao regime saudita que a próxima operação será mais ampla e mais dolorosa se o bloqueio e a agressão continuarem." Ele acrescentou que os ataques ocorreram após "cuidadosa operação de inteligência, monitoramento prévio e cooperação de pessoas honradas e livres dentro do reino". O Houthis alertou para mais ataques à infraestrutura de petróleo da Arábia Saudita em 16 de setembro e alertaram os estrangeiros para deixarem as usinas sauditas. O Houthis também exibiu alguns de seus UAVs de longo alcance para a mídia em julho de 2019.
Uma autoridade sênior dos Estados Unidos disse que o ataque envolveu uma dúzia de mísseis de cruzeiro e mais de 20 drones. Os Estados Unidos estão trabalhando com a Arábia Saudita para ajudar a investigar o ataque e garantir que as instalações e o suprimento de energia sejam seguros e estáveis; o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo, afirmou que o Irã estava por trás dos ataques. O Irã negou as acusações dizendo que eram "cegas, incompreensíveis e sem sentido", alertando os Estados Unidos de que o país está "pronto para uma guerra". No entanto, até a presente data, os Estados Unidos não forneceram nenhuma evidência para apoiar sua alegação de que o Irã conduziu o ataque.
Um porta-voz da invasão militar liderada pela Arábia Saudita, o coronel Turki al-Malki da Força Aérea da Arábia Saudita, emitiu um comunicado em 16 de setembro afirmando que os drones parecem ter sido baseados em armas iranianas e que provavelmente não foram lançados do Iêmen, contra as reivindicações do Houthis. No entanto, al-Malki disse que a invasão militar ainda está tentando determinar o ponto de origem dos drones.
Alegações de autoria de milícias iraquianas
De acordo com uma reportagem exclusiva do Middle East Eye, um oficial de inteligência iraquiano anônimo disse ao jornal que os ataques foram realizados pelas forças de mobilização popular iraquiana em retaliação aos ataques de drones israelenses financiados pela Arábia Saudita às forças iraquianas em agosto. Um correspondente da CBS relatou que os danos nas instalações de Abqaiq foram nas partes oeste e norte, o que teria sido difícil para o Houthis conseguir atingir as instalações com drones, já que o grupo se localiza na região sul. A BBC informou que imagens de satélite mostraram danos no lado oeste de Abqaiq.
Um ataque do noroeste poderia ter sido lançado a partir do sul do Iraque ou da própria Arábia Saudita. Um ataque do oeste só poderia ter sido lançado de dentro da Arábia Saudita. Mas um ataque do oeste ou noroeste descarta completamente o Irã. Um vídeo no YouTube, feito por um pescador do Kuwait, mostrou o som e a trilha de um grande objeto em alta velocidade na direção da Arábia Saudita. O pescador achou que o som e a trilha eram de um míssil de cruzeiro. Algumas fontes de inteligência dos Estados Unidos também disseram que foi um ataque das milícias pró-iranianas no Iraque e que o ataque envolveu mísseis de cruzeiro.