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Ataque ao estúdio da Kyoto Animation

Massacre ocorrido em Quioto, Japão em 18 de julho de 2019

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O ataque incendiário à Kyoto Animation (京都アニメーション放火殺人事件, Kyōto Animēshon hōka satsujin jiken) foi um evento incendiário supostamente criminoso ocorrido no Estúdio 1 da Kyoto Animation no bairro Fushimi da prefeitura de Quioto, Japão, na manhã de 18 de julho de 2019, que acarretou na morte de no mínimo 36 pessoas, ferindo mais 33, e destruindo a maioria dos materiais e computadores no local. Considerado "terrorismo suicida" por um professor de criminologia da Universidade Rissho, pois foi supostamente realizado pelo suspeito com a intenção de ser um ataque suicida.

É um dos piores incidentes de assassinato em massa na história do Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial e o incêndio à construção mais mortífero do país desde o incêndio do edifício Myojo 56 em 2001.

O suspeito Shinji Aoba, que não trabalhava no estúdio, entrou pela porta da frente e encharcou a área e diversos funcionários com gasolina antes de acendê-la, incendiando o edifício. Após atear fogo a si mesmo enquanto acendia a gasolina, o suspeito tentou fugir, porém foi apreendido pela polícia cerca de 100 metros de distância do edifício. Testemunhas relataram o ouvir acusar o estúdio de plágio. A polícia prendeu Aoba por suspeita de assassinato e outros delitos em 27 de maio de 2020, após aguardar mais de 10 meses pela suas recuperação das queimaduras graves. Ele foi formalmente acusado em 16 de dezembro de 2020. Posteriormente, Aoba foi declarado culpado às acusações em 5 de setembro de 2023 e foi punido à morte em 25 de janeiro de 2024.

Além das condolências e mensagens de apoio de líderes mundiais e nacionais, fãs e empresas angariaram mais de 3,3 bilhões de ienes no Japão e mais de 2,3 milhões de dólares fora do Japão para ajudar o estúdio e seus funcionários se recuperarem. Como resultado do incidente, algumas obras e colaborações do estúdio foram adiadas, e diversos eventos foram cancelados ou suspensos.

A Kyoto Animation é um dos estúdios de anime mais aclamados do Japão, conhecida por animações como Suzumiya Haruhi no Yūutsu, K-On! e Clannad. A KyoAni possui diversos endereços em Quioto: o Estúdio 1 (localizado em Fushimi), Estúdio 2 (a sede) e o Estúdio 5. O departamento de desenvolvimento de merchandising do estúdio está localizado em Uji, à distância de uma estação de trem do Estúdio 1. O edifício costumava ser utilizado pela equipe de produção de animação e foi construído em 2007.

Algumas semanas antes do ataque a Kyoto Animation recebeu ameaças de morte. O presidente executivo da empresa, Hideaki Hatta, afirmou que eles não sabiam se as ameaças possuíam alguma relação com o incidente, já que elas foram enviadas anonimamente, mas ele informou advogados e a polícia quanto a elas. Eles supostamente recebiam até 200 ameaças por ano antes do ataque. Após ser informada das ameaças em outubro de 2018, a força policial japonesa temporariamente patrulhou o escritório principal da empresa.

O incêndio iniciou-se com uma explosão por volta das 10h31 (01h31 UTC), quando o autor do crime entrou no Estúdio 1 e ateou fogo ao edifício utilizando 40 litros de gasolina. O autor do crime transportou a gasolina até cerca de 10 km de distância do estúdio, e acredita-se que ele caminhou até o edifício enquanto carregava a gasolina em um carrinho de plataforma. A polícia acredita que a gasolina espalhada no local misturou-se com o ar, causando então uma explosão logo de início. De acordo com relatos, o suspeito gritava "morra!" (死ね, shi-ne) conforme realizava o ataque. Ele também jogou gasolina em cima de algumas pessoas antes de acendê-las em fogo — ateando fogo a si mesmo no processo —, fazendo com que elas corressem em chamas para às ruas.

Conforme o incêndio crescia na entrada, os funcionários ficaram presos dentro do edifício. 20 corpos foram encontrados nas escadas do terceiro andar, a caminho do teto, indicando que as vítimas estavam tentando escapar. O Dr. Tomoaki Nishono, Professor Adjunto do Instituto de Pesquisa em Prevenção a Desastres da Universidade de Quioto, estimou que o segundo e terceiro andar foram preenchidos com fumaça em menos de 30 segundos após a explosão. O suspeito fugiu da cena do crime porém foi perseguido por dois funcionários da Kyoto Animation e então desmaiou na rua, onde ele foi apreendido pela polícia. Múltiplas facas não utilizadas foram encontradas na cena do crime.

O incêndio estava sob controle às 15h19 (06h19 UTC), e foi extinto às 6h20 do próximo dia (21h20 UTC). Após o fim das tentativas de resgate, foi confirmado que todos os funcionários do estúdio haviam sido contabilizados. Às 22h (13h00 UTC), a Agência de Gestão de Incêndios e Desastres publicou um relatório informando que o fogo destruiu o edifício completamente. O prédio não possuía chuveiros automáticos ou hidrantes internos devido à sua classificação como um pequeno prédio comercial, porém ele não possuía carências quanto à conformidade de segurança contra incêndio durante sua última inspeção em 17 de outubro de 2018. Relatos iniciais afirmaram que a entrada ao estúdio exigia a utilização de cartões dos funcionários, porém a porta não estava trancada já que o estúdio aguardava por visitantes. Contudo, estes relatos foram imprecisos: não havia um sistema de segurança implementado e a porta era sempre deixada aberta durante o horário comercial.

O ataque incendiário destruiu a maioria dos materiais e computadores no Estúdio 1 da Kyoto Animation, embora uma pequena parte dos quadros-chave estava em exibição em Tokushima e consequentemente foi poupada da destruição. Em 29 de julho, a Kyoto Animation declarou que conseguiram recuperar parte de seus desenhos originais digitalizados de um servidor que sobreviveu ao incêndio.

O incêndio é descrito como um dos massacres mais mortíferos na história do Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, e o incêndio mais mortal de uma construção no país desde o incêndio do edifício Myojo 56 em 2001. O ataque foi considerado "terrorismo suicida" por um professor de criminologia da Universidade Rissho, já que o incidente foi supostamente realizado pelo suspeito com a intenção de ser um ataque suicida.

Havia 70 pessoas dentro do prédio quando o incêndio foi iniciado. Um total de 36 pessoas morreu, incluindo três que faleceram mais tarde no hospital. De acordo com a força policial de Quioto, foi difícil identificar algumas vítimas já que elas sofreram queimaduras severas. Resultados de autópsias liberados em 22 de julho revelaram que a maioria das vítimas sucumbiu às queimaduras (em vez de intoxicação por monóxido de carbono) graças ao fogo que espalhou-se rapidamente. Testes de DNA foram feitos para ajudar nas identificações, durando uma semana após o incêndio. Foi relatado que dois terços das vítimas (pelo menos 20 pessoas) eram mulheres, já que o estúdio era conhecido por contratar animadoras.

O presidente da Kyoto Animation pediu, através da força policial, que a mídia não divulgasse os nomes das vítimas como uma maneira de respeitar suas famílias, declarando que "divulgar seus nomes não faz nada para servir o bem público". Em 25 de julho, a força policial de Quioto afirmou terem identificado todas as 34 vítimas e começaram a devolver os corpos das vítimas aos seus parentes. 2 dias depois, em 27 de julho, foi relatado que mais uma vítima havia falecido no hospital, aumentando o número de mortos para 35. A polícia discutiu com a Kyoto Animation se, quando e como revelar as identidades dos mortos. Algumas das famílias divulgaram suas próprias descobertas à mídia a respeito da situação de seus entes queridos, incluindo a família da colorista Naomi Ishida que confirmou a morte dela em 24 de julho. Em 26 de julho de 2019, a família do animador, roteirista e diretor do anime A Empregada Dragão da Srta. Kobayashi, Yasuhiro Takemoto também confirmou sua morte através de testes de DNA. Em 2 de agosto, a força policial de Quioto liberou os nomes de dez vítimas cujos velórios haviam encerrado, com o consentimento de seus parentes, e no mesmo dia foi confirmado que os diretores de animação Yoshiji Kigami e Futoshi Nishiya estavam entre os mortos. Em 27 de agosto, considerando o impacto social do caso, as autoridades revelaram oficialmente os nomes das 25 vítimas restantes, incluindo a diretora do conselho e diretora de animação Shōko Ikeda.

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