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Atanásio de Alexandria

Bispo de Alexandria no egito e santo católico

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Atanásio de Alexandria (em grego: Ἀθανάσιος Ἀλεξανδρείας; romaniz.: Athanásios Alexandrías; em latim: Athanasius), foi o vigésimo arcebispo de Alexandria (como Atanásio I de Alexandria), Doutor da Igreja e santo da Igreja Católica (Alexandria, c. 296 – Alexandria, 2 de maio de 373). Seu episcopado durou aproximadamente 45 anos, de c. 8 de junho de 328 a 2 de maio de 373, dos quais dezessete ele passou exilado, em cinco ocasiões diferentes e por ordem de quatro diferentes imperadores romanos. Atanásio foi um teólogo cristão, um dos "padres da Igreja", um defensor do trinitarismo contra o arianismo e um líder da comunidade de Alexandria no século IV.

O conflito contra Ário e seus seguidores, apoiados muitas vezes pela corte em Roma, moldou a carreira de Atanásio. Em 325, com 27 anos, começou a luta contra os arianos como assistente de seu arcebispo, Alexandre, no Concílio de Niceia, convocado pelo imperador Constantino I entre maio e agosto de 325 para tratar da tese ariana de que o Filho de Deus, Jesus de Nazaré, e Deus Pai seriam de substâncias (ousia) diferentes. Três anos depois de Niceia, Atanásio sucedeu ao seu arcebispo.

Além do conflito contra os arianos, que incluía o partido liderado por Eusébio de Nicomédia, ele disputou também contra os imperadores Constantino, Constâncio II, Juliano, o Apóstata e Valente e, por isso, era conhecido como "Athanasius Contra Mundum" em latim.

Apesar disso, poucos anos depois de sua morte, Gregório de Nazianzo chamou-o de "Pilar da Igreja". Suas obras foram celebradas por todos os padres da Igreja que vieram depois dele, tanto no ocidente quanto no oriente, que ressaltaram sua rica devoção ao Verbo-encarnado, sua grande preocupação pastoral e seu profundo interesse no nascente monasticismo. Atanásio aparece entre os quatro grandes doutores da Igreja orientais da Igreja Católica Romana. Na Ortodoxia, ele é chamado de "Pai da Ortodoxia". Algumas denominações protestantes chamam-no de "Pai do Cânon".

Atanásio nasceu em Alexandria ou, possivelmente, na cidade de Damanhur, perto do delta do Nilo, no Egito romano em 296. Alguns acadêmicos ocidentais consideram que seu domínio do grego, língua que Atanásio utilizou na maioria das obras sobreviventes, evidenciam que ele seria de origem grega. Porém, na literatura copta, ele é considerado como sendo o primeiro patriarca de Alexandria a fazer uso do copta juntamente com o grego em suas obras.

A Enciclopédia Católica afirma que Atanásio teria nascido entre c. 296 e antes de 298. O argumento para esta última data começa com uma análise do compilador das famosas "Cartas Pascoais" logo depois de sua morte. Este autor, anônimo, afirmou que os arianos haviam afirmado Atanásio, entre outras coisas, de não ter ainda atingido a idade canônica (30 anos) e, por isso, ele não poderia ter sido ordenado patriarca de Alexandria em 328. Como ele não foi julgado novamente por essas acusações, Atanásio deve ter pelo menos parecido ter mais de 30 anos em 328 para a afirmação ser plausível. Além disso, em duas passagens distintas (Hist. Ar., lxiv e De Syn., xviii), Atanásio afirma não se lembrar de ter sido testemunha ocular do início da grande perseguição pelos tetrarcas Diocleciano e Maximiano em fevereiro de 303. Ao fazer referência a estes eventos, ele nunca menciona lembranças próprias e se volta para as tradições, o que tende a indicar juventude (menos de 10 anos de idade) em 303.

Alexandria era o mais importante centro comercial de todo o Império Romano durante a infância de Atanásio. Intelectualmente, moralmente e politicamente, a fervilhante cidade egípcia era o retrato da diversidade étnica do mundo greco-romano, mais do que Roma, Constantinopla, Antioquia ou Massilia (Marselha, na França). Sua famosa escola catequética, sem sacrificar em nada sua famosa paixão pela ortodoxia doutrinária que vinha dos tempos de Panteno, Clemente, Orígenes, Dionísio e Teognosto, já havia começado a adquirir uma característica quase secular e contava com estudiosos da cultura pagã entre os seus membros.

Rufino relata a ocasião quando o bispo Alexandre convidou seus colegas para um café da manhã depois de um importante serviço religioso. Enquanto esperava pelos convidados na janela, ele assistiu alguns jovens brincando na praia. Ele logo percebeu que eles estavam imitando o elaborado ritual cristão do batismo. Ele mandou chamar os garotos e descobriu que um deles (Atanásio) era o "bispo" do grupo. Alexandre determinou que os batismos de mentira fossem considerados reais e estimulou Atanásio e seus companheiros a se prepararem para receber funções clericais.

O próprio Alexandre ordenou Atanásio diácono em 319. Em 325, Atanásio serviu como secretário do bispo no Concílio de Niceia. Já reconhecido como teólogo e asceta, ele era uma das escolha para suceder seu velho mentor como patriarca, apesar da oposição dos seguidores de Ário e de Melécio de Licópolis. Enquanto ainda era diácono à serviço de Alexandre ou nos primeiros anos de seu patriarcado, é possível que Atanásio tenha se encontrado com alguns dos eremitas do deserto egípcio, principalmente com Antão do Deserto, cuja hagiografia acredita-se que ele tenha escrito.

Ele havia tido uma boa educação e era versado em gramática e retórica e, apesar de ainda jovem e de não ter ainda alcançado o episcopado, já dava provas aos que o conheciam de sua sabedoria e sagacidade".

A primeira obra de Atanásio, "Contra os Pagãos - Sobre a Encarnação " (escrita antes de 319), revela traços da influência do origenismo no pensamento alexandrino (como a citação frequente de Platão e a utilização de uma definição originada no "Organon" de Aristóteles), mas de forma ortodoxa. Atanásio conhecia também as teorias das diversas escolas filosóficas e, em particular, os principais avanços do neoplatonismo da época. Apesar disso, em obras subsequentes, Atanásio cita Homero mais de uma vez. Em sua carta a Constâncio II, ele apresenta uma defesa de si com traços evidentes da influência da obra "De Corona", de Demóstenes.

Atanásio conhecia o grego e admitia não saber nada de hebraico. As passagens do Antigo Testamento que ele cita frequentemente são quase todas da Septuaginta grega.

Por volta de 319, quando Atanásio era diácono, um presbítero chamado Ário entrou em conflito direto com o bispo Alexandre de Alexandria. Ao que parece, Alexandre havia repreendido o presbítero por entender que doutrinas heréticas estariam sendo ensinadas por ele. A visão teológica de Ário (o pouco que sobrevive de sua obra são citações feitas por concorrentes) parece ter estado firmemente enraizada no cristianismo alexandrino e seus pontos de vista certamente não eram radicaisː ele defendia uma cristologia subordinacionalista (que defendia que o Filho de Deus, o Logos, era "criado" e não "gerado eternamente", "subordinado", portanto, ao "criador"), fortemente influenciada por pensadores alexandrinos como Orígenes, uma visão comum na cidade na época. O apoio de bispos como Eusébio de Cesareia e Eusébio de Nicomédia ajudam a entender como a cristologia de Ário era compartilhada por diversos outros cristãos por todo o império romano.

O episcopado de Atanásio começou em 9 de maio de 328 depois que o sínodo de Alexandria elegeu-o para suceder o idoso Alexandre. Este concílio também denunciou várias heresias e cismas, problemas que ocupariam Atanásio durante os 45 anos que ocuparia o trono em Alexandria. Ele passou dezessete fora de sua sé em cinco exílios diferentes ordenados por quatro imperadores romanos, sem contar aproximadamente seis outros incidentes nos quais Atanásio teve que fugir da cidade para fugir da população que pretendia matá-lo. Estes eventos deram origem à expressão "Athanasius contra mundum ("Atanásio contra o mundo"). Porém, durante seus primeiros anos como bispo, visitou as igrejas de seu território, que abrangia todo o Egito e a Líbia. Ele também estabeleceu contato com os eremitas e monges do deserto, incluindo Pacômio, o que lhe seria muito útil no futuro. Porém, logo em seguida Atanásio se envolveu nas variadas disputas contra o arianismo que tomariam o resto de sua vida.

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