Maria Assunta Caterina Marchetti (Camaiore, 15 de agosto de 1871 - São Paulo, 1 de julho de 1948) foi uma freira italiana da Igreja Católica, que exerceu suas atividades no Brasil, de 1895 até sua morte.
Com seu irmão, padre José Marchetti, fundou a Congregação das Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu (Irmãs Scalabrinianas), cujas irmãs continuam seu trabalho hoje em 26 países.
Foi beatificada na Catedral Metropolitana de São Paulo, em 25 de outubro de 2014.
Nascida em uma pequena aldeia na Itália, chamada Lombrici di Camaiore, na província italiana de Lucca, terceira filha de Angelo Marchetti e Carolina Ghilarducci, recebeu o nome de Assunta por ter nascido no dia em que a Igreja Católica celebra a Assunção de Nossa Senhora.
Desde jovem, Assunta sentia o desejo de tornar-se irmã de clausura. Seu ingresso na vida contemplativa, porém, foi adiado por questões familiares, até o ano de 1895.
Os primeiros nove anos da vida de Assunta foram passados em Lombrici da Camaiore, no moinho administrado por seu pai. Este ambiente, imerso na natureza e no silêncio, contribuiu para a formação de sua personalidade, incentivando a profundidade de pensamento e sentimento, a tenacidade e uma concepção positiva da vida. Sua família era vista como positiva, honesta e praticante de valores cristãos, transmitindo o amor à vida, o sentido do dever, a confiança em Deus e a solidariedade.
A primeira catequista de Assunta foi sua própria mãe, Carola, que era uma pessoa piedosa. Assunta frequentou uma escola cuja diretora, a religiosa Irmã Giuliana Lenci, era sua tia, irmã de sua avó materna. Nesta escola para meninas pobres, Assunta recebeu os primeiros elementos de conhecimento humano e cristão. Apesar de ter viva inteligência, ela precisou interromper seus estudos cedo para ajudar a mãe, que tinha saúde precária, a criar os irmãos mais novos.
Assunta foi batizada em 16 de agosto de 1871, na igreja paroquial de Santa Maria Assunta de Camaiore, a qual deu seu nome. Recebeu a Crisma em Viareggio, em 26 de setembro de 1876, aos cinco anos de idade, na paróquia de Santo Antonio de Padova. A escolha de Viareggio para a Crisma, onde sua tia-avó, Irmã Giuliana, tinha uma obra florescente, sugere uma ligação contínua com a família materna naquela cidade.
Em 1883, aos doze anos, fez sua Primeira Comunhão, um evento significativo que aumentou seu amor por Jesus Eucarístico e aprofundou seu chamado à vida religiosa. Na família, Assunta era conhecida como "a freirinha".
Quando estava com nove anos de idade, em 1880, a família de Assunta se mudou de Lombrici para La Fabbrica, na zona de São Lázaro, em Camaiore. Essa mudança, embora modesta, foi sua primeira experiência de emigrar. Na casa de La Fabbrica, que incluía o moinho administrado pelo pai, Assunta assumiu responsabilidades crescentes. Durante sua adolescência, demonstrou grande energia, ajudando a mãe nos trabalhos domésticos e, muitas vezes à noite, substituindo o pai e o irmão mais velho, José, no trabalho do moinho. Desde cedo, ela se dedicava aos outros, aceitando a pobreza da família e demonstrando ser piedosa, simples e trabalhadora. Esses anos de trabalho árduo e dedicação moldaram seu caráter para a futura vida missionária.
Em 1894, o padre José Marchetti, irmão de Assunta, chegou ao Brasil, vindo de Gênova juntamente com mil e quinhentos emigrantes italianos que buscavam uma vida melhor na América. Durante a viagem, a morte de uma jovem mãe e seu pedido para que ele cuidasse de seu filho e marido selaram sua decisão de dedicar sua vida aos emigrantes e seus órfãos. Depois de deixar o menino temporariamente sob custódia no Rio de Janeiro, foi a São Paulo, destino da maioria dos emigrantes, para fundar um orfanato para órfãos italianos. Com a ajuda do conde José Vicente de Azevedo, conseguiu um terreno no Alto do Ipiranga, para o Orfanato Cristóvão Colombo, e outro em Vila Prudente, para uma seção feminina.
Ao término do verão de 1895, José Marchetti retorna à Itália. Entre as ideias que tem em mente está convencer sua mãe e sua irmã Assunta a acompanhá-lo de volta a São Paulo, para juntos cuidarem dos órfãos que viessem bater à porta do orfanato, que àquela altura já se encontrava praticamente terminado. Assunta se mostra inicialmente relutante em aceitar o convite do irmão, que então a leva até um quadro do Sagrado Coração de Jesus, e questiona se a irmã pode negar o pedido de Jesus para cuidar dos órfãos. Diante da imagem, ele acaba convencendo-a a prometer que irá ao Brasil para ajudar em sua obra.
Em 25 de outubro daquele ano, Assunta e sua mãe fizeram votos temporários como "servas dos órfãos e dos abandonados", durante uma missa celebrada pelo bispo de Placência, São João Batista Scalabrini. A família então parte de Gênova, no navio Fortunata Raggio, em 27 de outubro, e chega a São Paulo em 20 de novembro daquele mesmo ano, passando a cuidar juntos dos órfãos.
Assunta e seu irmão se dedicaram aos cuidados dos órfãos, realizando diversos gestos de caridade. No orfanato feminino, localizado no bairro da Vila Prudente, onde ela viveu a maior parte do tempo, até sua morte, Assunta também assistia aos doentes, idosos e demais pessoas necessitadas.
Responsável pelo atendimento às crianças que chegavam ao Orfanato Cristóvão Colombo, no Ipiranga, Assunta acumulava funções de cuidado, assistência à saúde e catequese. O orfanato havia sido fundado pelo padre José, seu irmão, falecido precocemente. Com sua morte, Assunta assumiu a direção da instituição e, junto às demais religiosas, deu continuidade às atividades do estabelecimento, que abrangiam alimentação, saúde, educação e a administração de dívidas institucionais.
O estilo de vida era simples, serviçal, e a santidade que expressavam em sua missão atraiu muitas jovens, a quem Deus tinha dado o dom da vocação religiosa. Assim, a Congregação cresceu e se expandiu no Brasil e fora dele, expressando a caridade evangélica entre os migrantes. Madre Assunta continuou sua migração no Brasil, servindo em diversas cidades de São Paulo e no Rio Grande do Sul.
Assunta Marchetti faleceu em 1º de julho de 1948, às 15h, no Orfanato do Ipiranga, na Vila Prudente. Recebeu os últimos sacramentos, e suas últimas palavras foram em resposta à pergunta se queria comungar: "Se a Superiora quiser...". Faleceu pacificamente, deixando um "vazio no Orfanato, na Congregação e no mundo". Foi sepultada no Cemitério da Consolação, em São Paulo, ao lado de seu irmão José, e de sua mãe. Carola. Seus restos mortais foram posteriormente trasladados para a capela do Orfanato de Vila Prudente, em 29 de julho de 1991.
Em 24 de novembro de 2014, Madre Assunta Marchetti foi beatificada na Catedral Metropolitana de São Paulo, depois que o Vaticano reconheceu um milagre ocorrido em Porto Alegre, em 1994.