Assim falou Zaratustra: um livro para todos e para ninguém (em alemão: Also sprach Zarathustra: Ein Buch für Alle und Keinen) é um livro escrito entre 1883 e 1885 pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche, que influenciou significativamente o mundo moderno. O livro foi escrito originalmente como três volumes separados em um período de vários anos. Depois, Nietzsche decidiu escrever outros três volumes, mas apenas conseguiu terminar um, elevando o número total de volumes para quatro. Após a morte de Nietzsche, ele foi impresso em um único volume.
O livro narra as andanças e ensinamentos de um filósofo, que se autonomeou Zaratustra após a fundação do Zoroastrismo na antiga Pérsia. Para explorar muitas das ideias de Nietzsche, o livro usa uma forma poética e fictícia, frequentemente satirizando o Velho e o Novo Testamento
O centro de Zaratustra é a noção de que os seres humanos são uma forma transicional entre macacos e o que Nietzsche chamou de Übermensch, literalmente "além-do-homem", normalmente traduzido como "super-homem".
Amplamente baseado em episódios, as histórias em Zaratustra podem ser lidas em qualquer ordem. Zaratustra contém a famosa frase "Deus está morto" (em alemão: Gott ist tot), embora essa também tenha aparecido anteriormente no livro A Gaia Ciência, de Nietszche, e, antes ainda, em diversas obras de Georg Hegel.
Os dois volumes finais não terminados do livro foram planejados para retratar o trabalho missionário de Zaratustra e sua morte.
O livro começa com Zarathustra, um profeta Persa, descendo de sua caverna após dez anos de solidão. Cheio de sabedoria e amor, o homem chega na cidade de Motley Cow com o propósito de ensinar à humanidade sobre o super-homem. Ele anuncia que o super-homem há de ser a razão da terra, alguém que é livre de todos os preconceitos e morais humanas, tendo então seus próprios valores e propósito. As pessoas, em geral, têm dificuldade de entender Zarathustra, e se mostram desinteressadas no super-homem. No final de seu primeiro dia junto às pessoas, Zarathustra está decepcionado com sua incapacidade de mover esta multidão de pessoas. Ele resolve, então, não tentar converter as multidões, mas sim falar com os indivíduos que estão interessados em se separar dos outros.
As primeiras três partes — de totais quatro partes do volume — reúnem lições e sermões individuais fornecidos por Zarathustra. Majoritariamente, estas partes abrangem os temas mais genéricos da filosofia madura de Nietzsche, todavia de maneira simbólica e obscura. Ele valoriza empenho e sofrimento, pois o caminho para se tornar um super-homem é difícil e exige grandes sacrifícios. A dificuldade com respeito a se tornar o super-homem é muitas vezes simbolicamente representado como subir uma montanha, e o espírito livre e alegre do super-homem é representado por danças e risadas.
Na quarta parte, Zarathustra reúne em sua caverna homens que se aproximam, mas não precisamente alcançaram a posição do super-homem. Ali, eles aproveitam um banquete e músicas múltiplas. O livro termina com Zarathustra alegremente abraçando a recorrência eterna, junto ao pensamento de que “toda alegria quer profunda, profunda eternidade”. No livro "Assim falou Zarathustra”, os três maiores ensinamentos e conceitos da filosofia de Nietzsche são: 1) Vontade de Potência 2) Recorrência Eterna e 3) o Übermensch.
Do ponto de vista de Zoroastro, todas as pessoas eram iguais perante Deus. Com a morte de Deus, no entanto, todas as pessoas são apenas iguais na frente da “turba”. É por isso que a morte de Deus é uma chance para o super-homem.
Zaratustra ama sua função de ligação com o super-homem nos humanos, ele ama sua “queda” neles: “O homem é algo que deseja ser superado”. A marca do “homem superior” é sua autoconquista. Este esforço, que é cultivo e educação ao mesmo tempo, é um esforço criativo que não ocorre no mercado, onde a multidão só faz o que é para ganho pessoal em troca de bens. Em vez disso, o homem superior é ativo criativamente e com o objetivo de completar as coisas. Ele reavalia o que as pessoas no mercado são indiferentes e o que parece inútil, é por isso que ele fica sozinho contra a multidão. Ele é um inovador e, portanto, um aniquilador.
Como defensor da vida, suas formas de expressão preferidas são a leveza da dança e o riso. "… Toda luxúria quer a eternidade". A forma mais elevada de afirmação da vida é simbolizada no "Anel da Segunda Vinda". Mesmo que o mundo não busque um fim divino, o super-homem encontra sua autoconfirmação em seu ato criativo de autoperfeição, que lhe permite afirmar o " eterno retorno do mesmo", de que sua vida é como é, mesmo que fosse para sempre, iria se repetir.
Seu impulso original na “reavaliação de todos os valores”, para se empenhar por coisas superiores e ser um criador, é sua “vontade de poder”. Por causa deste princípio da criação, o mundo escapa de sua futilidade mesmo sem Deus e encontra um novo significado.
Nietzsche formula — ao se distanciar da obra de Schopenhauer "O mundo como vontade e ideia", com sua interpretação pessimista da vontade como uma força universalmente irracional — a ideia da "vontade de poder" como um "dionisíaco" afirmador da vida energia criativa que controla o mundo emocional. Segundo Nietzsche, o “devir” criativo, ao contrário da “concepção cristã do mundo”, não leva a uma redenção escatológica do mundo, mas, ao contrário, realiza um “eterno retorno do mesmo” como um jogo de si sempre repetido-renovação.
As novas virtudes do "super-homem" são acima de tudo:
a criação, a ação. O super-homem é uma pessoa criativa. No entanto, a aniquilação sempre faz parte da criação;
Amor-próprio que evita servidão e melancolia;
Amor pela vida e confiança em suas próprias habilidades;
a vontade (masculina) do super-homem, que é sua única medida de ação;