Neste Dia

Arthur do Val

Ex-deputado estadual de São Paulo (2019–2022) e ativista do Movimento Brasil Livre (MBL)

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Arthur Moledo do Val (São Paulo, 21 de agosto de 1986) é um youtuber, empresário, escritor, músico e político brasileiro. É ativista do Movimento Brasil Livre e ex-deputado estadual de São Paulo, tendo sido eleito pelo Democratas (DEM) e exercido o cargo de 2019 a 2022, quando teve seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar, tornando-se inelegível por oito anos.

Arthur é um defensor de ideias liberais e usa de seu canal "Mamaefalei", no YouTube, para difundir tal ideologia entre seus seguidores, ocupando relevante espaço na direita liberal do país. Em novembro de 2025, o canal contava com 2,67 milhões de inscritos.

Foi eleito deputado estadual nas eleições gerais de 2018 como o segundo mais votado, com 478 mil votos, ficando apenas atrás de Janaina Paschoal. Inicialmente apoiou o político de direita e ex presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, mas em meados de 2019 retirou seu apoio e adotou posturas mais duras contra Bolsonaro. Foi candidato à prefeitura da cidade de São Paulo pelo Patriota em 2020 e terminou a eleição em quinto lugar com uma soma de 522 mil votos (9,78% dos votos válidos), não avançando para o segundo turno.

Em 2022, lançou-se como pré-candidato ao governo de São Paulo pelo Podemos, mas desistiu da candidatura e se desfiliou do partido após o vazamento de áudios de sua autoria sobre refugiadas ucranianas durante a invasão russa. No dia 20 de abril, renunciou ao cargo de deputado estadual após o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovar, por unanimidade, a abertura de processo por quebra de decoro parlamentar. Em 17 de maio, o plenário da Assembleia Legislativa decidiu pela cassação do mandato, tornando Arthur do Val inelegível por oito anos.

Arthur é o mais velho de três filhos homens do casal Manoel Costa do Val Filho e Elza Moledo de Souza, divorciados desde 2003. Seu pai tem uma empresa de sucata de aço em Guarulhos aberta na época em que Arthur nasceu, e onde trabalhou antes de se tornar youtuber. Frequentou a faculdade de Engenharia Química no Instituto Mauá de Tecnologia mas não se formou.

No final do ano de 2015, Arthur criou um canal no YouTube chamado "Mamaefalei" para expor suas ideias e vídeos que fazia na rua. O canal alcançou notoriedade rapidamente. Segundo Arthur, o YouTube reúne usuários dispostos a gastar tempo assistindo a vídeos longos — os dele costumam ter até dez minutos —, o que, em tese, favorece a construção de narrativas mais elaboradas sobre a atualidade política. Segundo diz, o seu estilo polêmico o ajudou a projetá-lo, mas hoje o atrapalha, pois prejudica a imagem de seriedade que quer criar, além de comprometer a receita que poderia fazer com seu conteúdo no YouTube. Os seus primeiros vídeos traziam considerações de inspiração liberal sobre impostos, multas e direitos trabalhistas.

Entre junho e julho de 2016, Arthur conheceu os coordenadores do MBL, passando a produzir conteúdos relacionados à ideologia do grupo.

No mesmo período, aconteciam manifestações a favor da permanência no cargo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como Ministro da Casa Civil. Arthur aproveitou a oportunidade para pôr em pauta um dos principais pontos de seu trabalho: a crítica à militância política cega. O formato de vídeos em que ele ia a manifestações políticas (sobretudo de esquerda) e questionava manifestantes sobre pautas defendidas, na tentativa de expor incoerências, trouxe crescimento ao canal. O canal alcançou notoriedade rapidamente, se associando a grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL) e, juntamente com o movimento, recebendo o Prêmio Boletim da Liberdade, do jornal homônimo, em 2017; internautas assinantes do jornal participaram da eleição dos vencedores.

Em 19 de novembro de 2019, foi expulso do partido Democratas. De acordo com o diretório estadual da sigla, a decisão foi tomada por unanimidade pela Comissão Executiva Estadual que considerou os atos do parlamentar incompatíveis com as deliberações do partido. Posteriormente em fevereiro de 2020, filiou-se ao Patriota.

Em setembro de 2020, o The Intercept divulgou áudios nos quais Arthur teria feito falsas acusações para retirar um desafeto político do programa Pânico, da rádio Jovem Pan. Nas mensagens, ele afirma que inventou que Felipe Ferreira, ex-militante do Movimento Brasil Livre (MBL), foi o responsável por um ataque à sede do MBL ocorrido em 2016. Arthur também pediu para que se troque um dos participantes por André Marinho, filho do empresário carioca Paulo Marinho, suplente de Flávio Bolsonaro no Senado e imitador do presidente. Em um vídeo publicado em seu canal Mamãefalei, Arthur disse que Felipe Ferreira "é meu amigo hoje", e afirmou que ambos sabem quem ordenou os ataques. Arthur também disse que o fato não foi inventado, mostrando imagens dos ataques no vídeo e declarando que foi feito um boletim de ocorrência.

Candidato a prefeito de São Paulo

A candidatura à prefeitura da cidade de São Paulo de Arthur foi oficializada em 7 de setembro de 2020. Participou de protestos e focou em suas redes sociais. No dia 15 de novembro, data da votação do 1° turno, Arthur terminou na quinta colocação entre os candidatos, com 522 210 votos. O resultado, entretanto, não fez com que conseguisse ir ao segundo turno, encerrando assim sua campanha.

Pré-candidatura ao governo de SP

Em janeiro de 2022, Arthur do Val se filiou ao Podemos, que pretendia lançar sua candidatura ao governo de São Paulo. Contudo, após o vazamento de seus áudios sexistas sobre ucranianas, retirou a candidatura no dia 5 de março de 2022. Pediu a desfiliação do Podemos no dia 8 de março de 2022.

Em outubro de 2019, integrantes do Conselho de Ética votaram por cinco votos a dois pela aplicação de advertência a Arthur do Val, a denúncia apresentada foi em função de uma fala dele em plenário utilizando uma palavra de baixo calão para se referir aos deputados presentes a uma sessão em plenário.

Em fevereiro de 2022, o Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) decidiu advertir Arthur do Val por quebra de decoro parlamentar no processo em que um assessor parlamentar dele assinou o ponto sem trabalhar. O relator do caso – deputado Wellington Moura (Republicanos) – afirmou que o então chefe de gabinete Marcelo Aguiar de Castro estava no Chile no período de 11 a 14 de julho de 2019 para resolver problemas pessoais e, mesmo assim, assinou o ponto de trabalho como se tivesse prestado serviço à Alesp.

No final de fevereiro de 2022, Arthur do Val e Renan Santos, coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), gravaram um vídeo ainda no aeroporto de Frankfurt anunciando sua ida à fronteira da Eslováquia com a Ucrânia, com o objetivo de acompanhar de perto a invasão russa ao país. Eles afirmaram ter custeado a viagem com recursos próprios e criticaram a posição de neutralidade defendida por Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva diante do conflito.https://revistaforum.com.br/politica/video-arthur-do-val-gera-revolta-ao-insinuar-eliminacao-de-homem-negro/ A dupla foi criticada na internet, incluindo pelo Senador da República, Flávio Bolsonaro.

Durante a estadia, o grupo lançou uma campanha de arrecadação de fundos, reunindo 2.653 doações entre 1º e 4 de março e totalizando R$ 275.366,20. A proposta inicial era adquirir suprimentos diretamente na região e repassá-los a organizações humanitárias atuantes no leste europeu. Entre os materiais comprados, segundo notas fiscais divulgadas pelo movimento, estavam bandagens, curativos, antissépticos, kits de primeiros socorros, lanternas, roupas térmicas, além de gastos com combustível para veículos que transportavam refugiados da Ucrânia para a Eslováquia. Em 8 de março, publicou um documento de 25 páginas intitulado “Missão Ucrânia – prestação de contas”, no qual informou que, do total arrecadado, cerca de R$ 40 mil foram destinados às compras realizadas na região de fronteira. Após a divulgação dos áudios de Arthur do Val, o MBL revisou sua decisão inicial de reter os valores arrecadados para futura transferência a organizações humanitárias na Ucrânia e decidiu encerrar a “Missão Ucrânia”. Com isso, a maior parte dos recursos — R$ 211.829,58 — foi destinada imediatamente à Representação Central Ucraniano-Brasileira, entidade indicada pela embaixada da Ucrânia para receber contribuições.

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