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Arthur Conan Doyle

Escritor e médico escocês (1859–1930)

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Sir Arthur Ignatius Conan Doyle foi um escritor e médico britânico, nascido em Edimburgo em 22 de maio de 1859 e falecido em Crowborough em 7 de julho de 1930. Criou o detetive particular Sherlock Holmes e seu companheiro Dr. Watson, protagonistas de quatro romances e 56 contos que se tornaram referências da literatura policial. Também escreveu O Mundo Perdido, de 1912, primeira narrativa do professor Challenger, cujo título deu nome ao gênero dos mundos perdidos. Sua produção abrange mais de duzentos contos e artigos, quatro volumes de poesia e peças de teatro. Recebeu o título de cavaleiro de Eduardo VII em 1902.

Publicou os primeiros contos enquanto estudava medicina na Escola de Medicina da Universidade de Edimburgo e trabalhou como médico de bordo em duas viagens antes de abrir um consultório em Portsmouth, que lhe trouxe poucos pacientes. As experiências no mar inspiraram "J. Habakuk Jephson's Statement", de 1884, conto que difundiu o mistério do navio Mary Celeste. Holmes surgiu em Um Estudo em Vermelho, publicado em 1887. "Um Escândalo na Boêmia", de 1891, iniciou uma sequência de 24 contos mensais na The Strand Magazine, e o sucesso do personagem fez de seu criador um dos escritores mais bem pagos de sua época. Conan Doyle tentou encerrar as aventuras do detetive com sua morte em "O Problema Final", de 1893, mas voltou a escrever sobre ele em O Cão dos Baskervilles, publicado em capítulos a partir de 1901, e o trouxe de volta à vida em "A Casa Vazia", de 1903. Os últimos contos saíram em 1927. Entre suas outras criações estão as histórias de humor do brigadeiro Gerard, soldado das Guerras Napoleônicas.

Participou de campanhas políticas e disputou duas eleições para o Parlamento do Reino Unido, sem se eleger. Defendeu a vacinação obrigatória, a atuação britânica na Segunda Guerra dos Bôeres e na Primeira Guerra Mundial e a reforma do Estado Livre do Congo. Investigou as condenações de George Edalji e Oscar Slater e ajudou os dois a obter reparação judicial. A campanha de Edalji integrou o movimento pela criação de um tribunal de apelação criminal na Inglaterra, em 1907. Praticou esportes, atuou como árbitro e participou de projetos de arquitetura.

Criado no catolicismo, tornou-se agnóstico na juventude e passou a investigar o espiritualismo ainda no século XIX. Já defendia publicamente essa crença antes de perder familiares na Primeira Guerra Mundial. Foi maçom em dois períodos de sua vida. Acreditou na telepatia, na fotografia espírita e nas fadas de Cottingley, cujas fotografias foram posteriormente reconhecidas como montagens. Suas convicções sobre fenômenos sobrenaturais o afastaram do amigo e ilusionista Harry Houdini. Seus livros receberam adaptações para o cinema e a televisão, e Holmes tornou-se o personagem literário humano mais representado nessas mídias. A vida do próprio Conan Doyle também foi tema de filmes, séries e obras de ficção.

Arthur nasceu no número 11 da Picardy Place, em Edimburgo, em 22 de maio de 1859. Seu pai, Charles Altamont Doyle, era inglês de ascendência católica irlandesa, e sua mãe, Mary Foley, era irlandesa e católica. Os dois se casaram em 1855. A mãe lhe ensinou as primeiras letras e contava histórias que ele recordaria na vida adulta. Em 1864, o agravamento do alcoolismo de Charles levou à separação temporária da família, e os filhos foram acolhidos em casas de Edimburgo. Arthur ficou com Mary Burton, tia de um amigo, em Liberton Bank House, na Gilmerton Road, enquanto frequentava a Newington Academy.

A família voltou a morar junta em 1867, em um apartamento precário no número 3 de Sciennes Place. Charles morreu em 1893 no hospital psiquiátrico Crichton Royal, em Dumfries, depois de anos de doença. Desde menino, Arthur escrevia à mãe, e muitas das cartas que trocou com ela ao longo da vida foram preservadas.

Com ajuda de tios abastados, foi enviado aos nove anos para a escola preparatória Hodder Place, dirigida por jesuítas em Stonyhurst, no Lancashire. Estudou ali de 1868 a 1870 e depois no Stonyhurst College, até 1875. Ao recordar a escola, disse que não fora infeliz, mas que não guardava boas lembranças de um ensino que julgava medieval, limitado a conhecimentos elementares, retórica, geometria euclidiana, álgebra e estudos clássicos. Para ele, esse método só se justificava pela ideia de que qualquer exercício mental, mesmo sem utilidade aparente, poderia fortalecer a mente. Também criticou os castigos físicos e a humilhação dos alunos.

Entre 1875 e 1876, estudou no colégio jesuíta Stella Matutina, em Feldkirch, na Áustria. A família pretendia que aperfeiçoasse o alemão e ampliasse sua formação. Abandonou a fé católica e tornou-se agnóstico. O biógrafo James O'Brien relacionou esse afastamento à passagem pela escola austríaca, menos rígida que Stonyhurst. A biografia de Indalício H. Mendes também menciona suas dúvidas diante da condenação religiosa de não católicos e suas leituras de Thomas Babington Macaulay, Walter Scott e Edgar Allan Poe. Mais tarde, aderiu ao espiritualismo.

O uso de "Sir Arthur Conan Doyle" ou "Conan Doyle" pode dar a impressão de que "Conan" integra um sobrenome composto. No registro de batismo da Catedral de Santa Maria, em Edimburgo, porém, os prenomes são "Arthur Ignatius Conan", e o sobrenome é "Doyle". Michael Conan consta como padrinho. Os catálogos da Biblioteca Britânica e da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos usam "Doyle" como sobrenome.

Steven Doyle, editor do The Baker Street Journal, explicou que o escritor passou a empregar "Conan" como parte do sobrenome depois de terminar a escola, embora tecnicamente seu sobrenome fosse apenas "Doyle". A publicação oficial de sua nomeação como cavaleiro na The London Gazette também o incluiu na ordem alfabética de "Doyle".

Entre 1876 e 1881, Arthur estudou medicina na Escola de Medicina da Universidade de Edimburgo. Fez estágios em Aston, então uma cidade do Warwickshire e depois incorporada a Birmingham, em Sheffield e em Ruyton-XI-Towns, no Shropshire. Em 1878, trabalhou por três semanas em Sheffield em troca de hospedagem e alimentação. Em carta à mãe, brincou que os moradores preferiam ser envenenados por um médico de barba a ser salvos por um sem barba. Também estudou botânica prática no Real Jardim Botânico de Edimburgo.

Ainda estudante, começou a escrever contos. O mais antigo que se conservou, "The Haunted Grange of Goresthorpe", foi recusado pela Blackwood's Magazine. Seu primeiro texto literário publicado, "The Mystery of Sasassa Valley", ambientado na África do Sul, saiu no Chambers's Edinburgh Journal em 6 de setembro de 1879. Em 20 de setembro de 1879, o British Medical Journal publicou sua primeira comunicação científica, "Gelsemium as a Poison", sobre os efeitos tóxicos da planta. Em 2015, o The Sunday Telegraph retomou o texto ao noticiar uma investigação de possível envenenamento.

Em 1880, Arthur trabalhou como médico do navio baleeiro Hope, de Peterhead, em uma viagem à Groenlândia. Passou cerca de sete meses no Ártico. Em 11 de julho de 1880, o Hope, de John Gray, e o Eclipse, de David Gray, encontraram o Eira, de Benjamin Leigh Smith. W. J. A. Grant fotografou a bordo do Eira Arthur, Smith, os irmãos Gray e o cirurgião William Neale. A expedição de Smith explorou a Terra de Francisco José e, em 18 de agosto, deu nomes ao cabo Flora, à ilha Bell, ao estreito Nightingale e às ilhas Gratton, também chamada "Uncle Joe", e Mabel.

Depois de obter os graus de bacharel em medicina e mestre em cirurgia, em 1881, foi médico de bordo do SS Mayumba em uma viagem à costa ocidental da África. A travessia foi difícil, e, ao regressar a Liverpool em 1882, escreveu à mãe que os ganhos eram inferiores aos que poderia obter escrevendo e que o clima era péssimo. Em 1885, concluiu o doutorado em medicina com uma tese sobre tabes dorsalis.

Em 1882, associou-se ao antigo colega George Turnavine Budd em um consultório em Plymouth. A convivência foi difícil, e logo abriu seu próprio consultório. Chegou a Portsmouth em junho, com menos de dez libras, e instalou-se no número 1 de Bush Villas, na Elm Grove, em Southsea. Como tinha poucos pacientes, aproveitava os intervalos para escrever ficção.

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