Arno (ou Arn) de Salzburgo (Isengau, Baviera, após 740 − Salzburgo, 24 de janeiro de 821) foi um abade católico no mosteiro de Santo Amando em Elno (hoje Saint-Amand-les-Eaux), bispo e, posteriormente, o primeiro arcebispo da nova Arquidiocese de Salzburgo e abade do mosteiro de São Pedro. Arno é venerado na Igreja Católica Romana como beato. Sua festa é comemorada em 24 de janeiro.
O nome Arno, também conhecido em latim como Aquila, é de origem alto-alemã antiga e significa ‘águia’.
Arno provavelmente nasceu em meados da década de 740, em uma família nobre do sudeste da Baviera. Ele ingressou na Igreja ainda jovem e, após passar algum tempo na abadia de Weihenstephan, em Freising, tornou-se abade de Elnon, ou abadia de Santo Amando, como passou a ser chamada posteriormente, onde conheceu Alcuíno.
Em 785, foi nomeado bispo de Salzburgo e, em 787, foi designado por Tassilão III, duque dos bávaros, como enviado a Carlos Magno em Roma. Parece que ele chamou a atenção do rei franco, graças à influência do qual, em 798, Salzburgo foi elevada à sede de um arcebispado; e Arno, como primeiro titular desse cargo, tornou-se metropolita da Baviera e recebeu o pálio do Papa Leão III.
Após a destituição de Tassilão, Arno tornou-se um dos servos mais confiáveis de Carlos Magno, viajando continuamente entre sua diocese — transformada em arquidiocese em 798 — e a corte real. Esse novo arcebispado transformou a Baviera em uma província eclesiástica distinta, tendo Salzburgo como seu centro. Em 788, imediatamente após a destituição do duque Tassilão III, Arno encomendou a compilação da Notitia Arnonis, um inventário detalhado das terras, igrejas e direitos pertencentes à Igreja de Salzburgo. Elaborado pelo diácono e monge Bento, do círculo do predecessor de Arno, Virgílio, o documento registrava doações e concessões ducais diretas feitas sob o domínio dos Agilolfingos, a serem garantidas por Carlos Magno.
A área de sua autoridade foi ampliada para o leste pelas conquistas de Carlos Magno sobre os ávaros em nome do Império Carolíngio, e ele passou a desempenhar um papel de destaque no governo da Baviera. Atuou como um dos missi dominici e passou algum tempo na corte de Carlos Magno, onde era conhecido pelos estudiosos reunidos ali como Aquila, a “Águia”. Seu nome aparece como um dos signatários do testamento do imperador. Ele fundou uma biblioteca em Salzburgo, promoveu de outras formas os interesses do saber e presidiu vários sínodos convocados para melhorar a situação da Igreja na Baviera.
Arno desempenhou um papel de destaque em sínodos carolíngios fundamentais e, em particular, em iniciativas políticas, valendo-se de sua posição como bispo (a partir de 785) e, posteriormente, arcebispo (a partir de 798) de Salzburgo. Ele colaborou com Carlos Magno e com clérigos de destaque na assembleia de Aachen, em março de 802, contribuindo para o Capitular Programático (MGH Capit. I, n.º 33), um conjunto abrangente de decretos relativos à reforma moral e à ordem administrativa, que ele então aplicou como um “missus” imperial em toda a sua arquidiocese e além dela nos anos subsequentes. Arno também participou da reunião de Paderborn em 799, onde ele e o arcebispo Hildebold de Colônia acompanharam o Papa Leão III até a presença de Carlos Magno durante a fuga do papa de Roma; e, posteriormente, ele se juntou à comitiva papal que escoltou Leão de volta à cidade em novembro daquele ano, o que o colocou próximo aos acontecimentos que culminaram na coroação imperial de 800.
Arno contribuiu significativamente para o desenvolvimento do scriptorium de Salzburgo durante seu mandato como arcebispo, de 785 a 821, promovendo uma cultura de copistas que produziu manuscritos de alta qualidade, reflexo dos padrões acadêmicos carolíngios. Um elogium composto logo após sua morte atribui a ele a encomenda da cópia de mais de 150 volumes, um número corroborado por evidências preservadas e catalogadas por Bernhard Bischoff, que incluem obras sobre computus, exegese e textos patrísticos. Notavelmente, os escribas de Salzburgo, sob a direção de Arno, criaram algumas das melhores cópias iluminadas do computus revisado, elaborado na corte de Aachen entre 809 e 810.
Logo após a morte de Carlos Magno, em 814, Arno parece ter se afastado da vida ativa, embora tenha mantido seu arcebispado até sua morte, em 24 de janeiro de 821. Com a ajuda de um diácono chamado Bento, Arno elaborou, por volta de 788, um catálogo das terras e dos direitos de propriedade pertencentes à Igreja na Baviera, sob o título de Indiculus ou Congestum Arnonis.
Muitas outras obras foram produzidas sob a proteção de Arno, entre elas um consuetudinário de Salzburgo, cuja edição consta em “Quellen und Erörterungen zur bayerischen und deutschen Geschichte”, vol. VII, editado por L. Rockinger (Munique, 1856). O historiador alemão Wilhelm von Giesebrecht sugeriu que Arno foi o autor de uma seção inicial dos Laurissenses majores, que se conserva no exemplar da abadia de Lorsch, que trata da história dos reis francos de 741 a 829; e cuja edição consta da Monumenta Germaniae Historica, Scriptores, volume i, pp. 128–131, editada por G. H. Pertz (Hanôver, 1826). Se essa suposição estiver correta, Arno foi o primeiro escritor conhecido a aplicar o nome “Deutsch” (“theodisca”) à língua alemã.
Chisholm, Hugh, ed. (1911). «Arno (bishop)». Encyclopædia Britannica (em inglês) 11.ª ed. Encyclopædia Britannica, Inc. (atualmente em domínio público)