Arnaldo Dias Baptista (São Paulo, 6 de julho de 1948) é um multi-instrumentista, compositor, escritor e artista visual brasileiro. Foi participante ativo e influente na cultura musical jovem do Brasil desde o final dos anos 1960.
Ficou conhecido por seu protagonismo criativo com Os Mutantes, banda que integrou de 1966 a 1973, sendo um dos fundadores, e logo depois, pelos álbuns e trabalhos solo, com sete álbuns, incluindo o aclamado Loki? (1974). Já foi citado como referência para astros internacionais, como Kurt Cobain e Sean Lennon, filho de John Lennon.
Sua história foi retratada no documentário Loki – Arnaldo Baptista, de 2008, dirigido por Paulo Henrique Fontenelle.
Na infância e adolescência, Arnaldo fez curso de vivência de piano clássico com sua mãe, Clarisse Leite, e aulas com Zilda Leite Rizzo de contrabaixo clássico, violão prático e piano jazz-rock.
Sua carreira musical inicia em 1962, quando inspirado pelo amigo Raphael Vilardi, decide vender uma moeda de ouro de 10 dólares e compra seu primeiro instrumento, um baixo Del Vecchio sem trastes. No mesmo ano, forma com seu irmão Cláudio César e Raphael Vilardi o grupo The Thunders.
Em 1964, com o fim do The Thunders, Arnaldo entra no grupo The Wooden Faces. Começa a se apresentar em pequenos bailes, tocando twist, estilo que era popular na época. Com o começo da Beatlemania, Arnaldo passa a se interessar pelo grupo The Beatles, que se tornou uma grande influência. No mesmo ano, em uma apresentação no Teatro João Caetano, conheceu Rita Lee, que se apresentava com o grupo The Teenage Singers. Nessa época, os dois começaram a namorar. Nessa época, também se apresentou com alguns outros grupos em apresentações menores, como o Só Nós e Sand Trio.
Em 1966, com a união entre Raphael e Arnaldo, do The Wooden Faces, e Rita e Suely Chagas, do The Teenage Singers, decidiram formar um novo conjunto, com a inclusão do irmão mais novo de Arnaldo, Sérgio Dias, e o baterista Luiz Pastura. Assim, se formou o grupo Six Sided Rockers. O grupo é renomeado para O'Seis, rebatizado por executivos da gravadora Continental, e gravou um compacto, com as faixas "Suicida" e "Apocalipse". Ainda em 1966, Arnaldo se junta com Rita e Sérgio para trocar o empresário Antonio Peticov por outro com mais experiência, Asdrúbal Galvão. Com a discordância de Raphael, Moggy (que entrou no lugar de Suely) e Luiz Pastura, o trio assina um contrato e passa a se apresentar como O Konjunto.
Arnaldo, Sérgio e Rita, após o fim do O'Seis, montam o grupo O Konjunto, mas o nome ainda não agradava. Logo, passaram a se apresentar como Os Bruxos. Ao participar do programa O Pequeno Mundo de Ronnie Von, na TV Record, o produtor do programa, Alberto Helena Júnior, dá a ideia de rebatizar o grupo como Os Mutantes. O grupo gostou da ideia e assim, começaram a se apresentar com esse nome.
À frente dos Mutantes, Arnaldo colocou seus conhecimentos musicais e seu privilegiado senso de humor a serviço de canções como “Ando meio desligado”, “Don Quixote”, “Caminhante noturno”, “Mande um abraço para a velha”, “Top-top” e muitas outras. Entre 1968 e 1972, com o grupo gravou cinco LPs.
Arnaldo trouxe para o Brasil um órgão Hammond Porta-B, um amplificador rotatório Leslie e um exemplar de Mellotron, com o qual gravou o compacto "Mande um Abraço pra Velha" e o disco O A e o Z.
Em 1971, na primeira viagem da turnê internacional deles em Paris, conheceu o LSD, apresentado por Antonio Peticov, amigo da banda.
Arnaldo e Rita se casaram em 1971. Já casados, Rita e Arnaldo se mudaram para uma casa na Serra da Cantareira, em São Paulo. O casal rasgou sua certidão de casamento em um programa de Hebe Camargo, a pretexto de “dividir sua alegria”, dando uma metade do documento para a apresentadora atônita e a outra metade para a plateia. Por motivos que envolvem traições, falta de companheirismo e muitas brigas, o relacionamento termina. O divórcio sairia apenas em 1977, quando Rita já estava com Roberto de Carvalho e grávida do filho Beto, e Arnaldo com Martha Mellinger, esperando o filho Daniel.
Rita contou que foi expulsa da banda por Baptista, que alegou que "iriam seguir na linha progressiva-virtuose, e ela não tinha calibre como instrumentista".
Depois de problemas e brigas internas, ele sai da banda em 1973.
Tenta seguir carreira de produtor musical, mas o insucesso o motiva a tentar carreira solo.
Em 1974, Baptista estava inseguro. Chegava a tomar até duas doses de LSD por dia. Ele não tinha certeza de ser capaz de levar adiante uma carreira solo, não sabia ao certo quais seriam os próximos passos como músico e estava com o coração destruído após o fim do relacionamento com Rita Lee. Neste cenário lança Lóki? em 1974. O álbum foi gravado no Estúdio Eldorado, em São Paulo, com direção de produção de Roberto Menescal e Mazzola. As 10 faixas são assinadas por Baptista, com exceção de “Uma Pessoa Só”, em parceria com Os Mutantes. Traz ainda traz backing vocals de Rita Lee em duas canções, "Não Estou Nem Aí" e "Vou Me Afundar na Lingerie". Arnaldo canta e toca piano no álbum, que traz ainda arranjos do maestro Rogério Duprat em duas canções. Acompanharam Baptista nas gravações músicos como Dinho (bateria), Liminha (baixo) e Sergio Kaffa (baixo). A capa é do artista plástico Antônio Peticov.
O disco fez sucesso com a crítica, mas não vendeu bem. Anos depois, se tornaria um sucesso cult. Ficou em 34º na Lista dos 100 maiores discos da música brasileira pela Rolling Stone Brasil. O disco seria relançado em vinil pela Polysom, em 2017.
Depois de Lóki?, casa-se com a atriz Martha Mellinger, que é mãe de seu único filho, Daniel (1977), e refugia-se num sítio da serra da Cantareira.