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Armação dos Búzios

Cidade turística localizada na Região dos Lagos, Rio de Janeiro

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Armação dos Búzios, ou apenas Búzios, como é popularmente conhecido, é um município brasileiro situado na Região dos Lagos do estado do Rio de Janeiro. Faz limite a oeste com Cabo Frio, município do qual se tornou autônomo em 1995. De acordo com o censo de 2022 possuía 40 006 habitantes. Localiza-se a cerca de 173 quilômetros do centro da capital do estado. O brasão de Armação dos Búzios foi idealizado por Luid Borges dos Santos - cirurgião-dentista, que foi o vencedor do concurso promovido pela Câmara de vereadores no ano de 1996.

É uma península com oito quilômetros de extensão e 23 praias, recebendo de um lado correntes marítimas do Equador e do outro correntes marítimas do polo sul, o que faz com que tenha praias tanto de águas mornas quanto de águas geladas. Entre as principais praias, destacam-se Jeribá, Tucuns, João Fernandes, Ferradura, Ferradurinha, Marina, Armação, Manguinhos, Tartaruga, Ossos, Brava e Olho-de-Boi, esta última reservada para a prática do naturismo.

A exploração turística e a ocupação imobiliária do local tiveram início após a fama internacional dada a Búzios pela atriz francesa Brigitte Bardot, que a visitou em 1964. Hoje, a cidade é tão visitada por turistas do mundo inteiro que alguns a chamam de "a Saint-Tropez brasileira".

Armação dos Búzios, com seus ventos fortes, é ideal para a prática de iatismo e voo livre. É uma cidade que abriga diversas culturas, com um elevado número de estrangeiros, por ser uma das paradas preferidas de transatlânticos com destino à capital do estado. A temperatura média anual é de 24 °C e tem o índice pluviométrico mais baixo do estado de Rio de Janeiro: cerca de 750 milímetros anuais apenas.

Por volta do ano 1000, a população autóctone da região expulsa para o interior do continente pelos povos tupis procedentes da Amazônia. No século XVI, quando chegaram os primeiros exploradores europeus à região, a área ainda era ocupada por um desse povos tupis: os tupinambás, também chamados tamoios, que praticavam a pesca, a caça e o cultivo de mandioca. Mantiveram estreitas relações com corsários e contrabandistas franceses, que frequentavam a localidade para comprar pau-brasil (Caesalpinia echinata), pimenta e outros produtos nativos.

A Praia de Caravelas ganhou este nome porque ali Américo Vespúcio teria aportado, em 1503. Os franceses contrabandeavam pau-brasil com ajuda dos tupinambás e, ao contrário dos portugueses, não demonstravam ambição colonial, mas apenas o desejo de comerciar. Em 1555, Villegaignon veio fundar a França Antártica, que durou 20 anos - até que os portugueses reuniram um exército que, em 1575, derrotou os franceses e massacrou 10.000 índios, dizimando os tupinambás. Em 1617, os portugueses, aliados aos goitacás, expulsaram definitivamente os franceses da península e exterminaram os tupinambás. Proibiram a pesca em todo o litoral, de Campos a Maricá, para que a região não pudesse se sustentar de forma independente. João Fernandes, que hoje dá nome a uma praia, teria sido condenado, em 1679, a morrer no tronco, apenas pelo crime de pescar nas águas de Búzios.

Em meados do século XVII, Armação dos Búzios era uma pequena vila de pescadores, com cerca de vinte casas. Invadida por franceses e ingleses, tornou-se base de piratas, ponto de tráfico de pau-brasil e de desembarque de escravos africanos. Na Praia de Manguinhos, pode-se apreciar o cais de pedra feito pelos escravos. Mais tarde, os franceses foram novamente expulsos pelos portugueses, após sangrentas disputas que igualmente dizimaram a população indígena.

O litoral entre Campos e Maricá foi destinado à lavoura e à pecuária, e começou o desembarque de negros africanos para as fazendas. Em 1740, Brás de Pina montou, na península, uma armação de baleias que durou 50 anos. Em 1743, um navio carregado de escravos escapou de um naufrágio após um negociante chamado Dionísio invocar a Santa Ana, o que ficou conhecido como o "Milagre do Capitão Dionísio". Dionísio mandou erguer uma capela na colina entre as praias da Armação e dos Ossos.

Com a proibição do tráfico de escravos em águas brasileiras, em 1850, o desembarque clandestino floresceu. José Gonçalves, o maior traficante da região, continuou a fazer fortuna nesse deplorável comércio humano, levando a marinha inglesa a desembarcar fuzileiros navais em Búzios. Após a abolição da escravatura, em 1888, os ex-escravos fundaram uma povoação na Rasa, onde já existia um poderoso quilombo.

No fim do século, durante a guerra dos corsos, o navio Vingadores, de bandeira corsa argentina, bombardeou a costa de Búzios, como mostra o óleo sobre tela no Museu Histórico Marítimo de Armação dos Búzios , situado na Rua das Pedras. Entre o final do século XIX e o início do século XX, Búzios começou a receber imigrantes portugueses que se uniram ao grupo de pescadores locais, ensinando-lhes novas técnicas de pesca. Nesse século, foi também criada a armação dos peixes de Búzios (uma estrutura para capturar peixes), que acabou por dar origem ao nome do balneário: Armação dos Búzios.

Também se caçavam baleias para a extração de seu óleo, que era usado tanto para a iluminação da cidade do Rio de Janeiro quanto para exportação. Os ossos dos animais capturados eram enterrados numa praia situada ao lado da Praia da Armação e que, por isso, acabou por ser chamada Praia dos Ossos - uma das mais famosas praias de Búzios, atualmente. Tempos depois, a área foi destinada à lavoura e criação de gado, tendo sido proibida a pesca nesse trecho do litoral. Terminada a proibição, a economia local permaneceu por longo período baseada na pesca e na agricultura de pequena escala, até meados do século XX.

Na década de 1920, o alemão Eugênio Honold comprou terras em toda a península e começou a produzir e exportar bananas. Mas um incêndio destruiu a plantação, e Honold deixou a cidade. Ele passou suas propriedades cabofrienses para as duas filhas Regina e Luiza, que se tornaram acionistas majoritárias da recém-fundada Companhia Industrial Odeon, cujas terras da ponta de Búzios vieram a apresentar grande valorização em função dos loteamentos para construção de residência de veraneio nos anos 1950. O lugar começou a desenvolver um turismo seletivo, preservando a antiga arquitetura. Em 1964, Brigitte Bardot refugiou-se em Búzios, e a fama de Búzios como um lugar paradisíaco correu o mundo. A partir daí, o turismo começaria a se constituir como a mais importante atividade econômica da região.

Em 1964, a Búzios, então distrito de Cabo Frio, recebeu uma das mais famosas atrizes de cinema da época, a francesa Brigitte Bardot (BB, como era chamada), com seu namorado Bob Zaguri, um marroquino que vivia no Brasil. Os dois se hospedaram na casa do russo André Mouriaev, então representante da Organização das Nações Unidas no Rio de Janeiro. Depois disso, a atriz retornou e passou o Natal hospedada na casa da família do cônsul argentino Ramon Avellaneda, na Rua das Pedras, depois transformada na tradicional Pousada do Sol, ponto turístico da cidade. Naquele momento, a imprensa mundial dirigiu sua atenção para a isolada vila de pescadores, acompanhando todos os passos de Bardot através de um informante lá instalado. O impacto foi tamanho que até hoje são feitas referências a BB em qualquer ponto da cidade, na divulgação turística e na vida local.

Crescimento desordenado e invasões

Ao longo dos anos, grandes áreas foram compradas das famílias nativas (ou mesmo invadidas) e, posteriormente, loteadas. Era baixo o preço da terra e não havia controle do uso do solo e das edificações. Paulatinamente, os moradores locais se deslocaram para regiões mais afastadas do núcleo original, após embolsarem algum dinheiro com a venda de suas propriedades. A maioria dessas pessoas mora hoje em bairros mais afastados e fora da península, como Tucuns, José Gonçalves e Rasa e Cem-Braças.

Ao mesmo tempo, imigrantes foram chegando para trabalhar no turismo, instalando-se nos bairros periféricos da porção continental, os quais, não sendo dotados de infraestrutura adequada, resultam em um padrão urbano bastante precário.

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