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Arlindo Cruz

Músico e compositor brasileiro (1958–2025)

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Arlindo Domingos da Cruz Filho (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1958 – Rio de Janeiro, 8 de agosto de 2025) foi um cantor, compositor e músico brasileiro de samba e pagode. Após integrar o conjunto Fundo de Quintal, Arlindo construiu uma bem-sucedida carreira solo, tornando-se um dos principais nomes do samba e pagode e uma figura proeminente no cenário do carnaval carioca, tendo composto sambas-enredo para diversas escolas, como Império Serrano e Acadêmicos do Grande Rio.

Nascido no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro e irmão do também compositor Acyr Marques, Cruz realizou suas primeiras gravações na década de 1970, tocando em um álbum do sambista Candeia. No início da década de 1980, passou a frequentar as rodas de samba do Cacique de Ramos, ao lado de artistas como Beto sem Braço, Almir Guineto e Jorge Aragão. Suas composições tornaram-no célebre por terem sido gravadas por diversos artistas na década de 1990. Com o tempo, passou a cantar as próprias composições e, em 1981, foi convidado a entrar no grupo Fundo de Quintal. Após doze anos, saiu do grupo e deu início à carreira solo, destacando-se principalmente a partir do DVD MTV ao Vivo: Arlindo Cruz (2009), que vendeu cem mil cópias.

Entre 1996 e 2002, em parceria com o músico Sombrinha, lançou cinco álbuns, e o primeiro, Da Música (1996), vendeu sessenta mil cópias. Em 2017, lançou o álbum 2 Arlindos, com o filho Arlindinho. Durante a turnê de divulgação, porém, sofreu um acidente vascular cerebral hemorrágico ainda em março do mesmo ano e foi internado em estado grave. Após vários tratamentos, internações e complicações de seu estado de saúde, Arlindo morreu aos sessenta e seis anos em razão de complicações da doença.

Em trinta e seis anos de carreira lançou vinte e três álbuns, sendo nove enquanto integrante do Fundo de Quintal, cinco em parceria com o sambista Sombrinha e nove em carreira solo. Sua carreira também se estendeu para a televisão; participou do elenco fixo do programa Esquenta!, tendo comandado sua banda e composto a trilha de abertura. Arlindo venceu mais de vinte e seis prêmios, incluindo o 26.º Prêmio da Música Brasileira; venceu também dezenove disputas de samba-enredo pelas escolas Império Serrano, Acadêmicos do Grande Rio, Unidos de Vila Isabel e Leão de Nova Iguaçu. Foi indicado ao Grammy Latino cinco vezes, sendo quatro na categoria Melhor Álbum de Samba/Pagode e um na categoria Melhor Canção em Língua Portuguesa.

Arlindo nasceu às 8h10min de 14 de setembro de 1958 em Piedade, no subúrbio do Rio de Janeiro. Criado em Madureira, é filho de Aracy Marques da Cruz e do policial civil Arlindo Domingos da Cruz. O cantor teve seu primeiro contato com a música por meio de seus pais e seu tio, que tocavam nas festas que faziam em casa; a mãe tocava pandeiro, o pai tocava cavaquinho e o tio tocava violão. Aos sete anos, ganhou do pai o primeiro cavaquinho. A partir dessa idade, já tocava várias canções de ouvido.

Na juventude, entrou para a escola Flor do Méier, onde estudou teoria, solfejo e violão clássico por dois anos. E já nessa época, por volta dos treze anos de idade, começou a trabalhar profissionalmente como músico, fazendo rodas de samba com vários artistas, inclusive Candeia. Participou, como músico de apoio, do disco Roda de Samba, de Candeia, em 1975. Aos quinze anos, ganhou uma vaga e foi estudar em Barbacena, Minas Gerais, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar. Mesmo assim, não perdeu contato com a música, por ainda cantar no coral da escola. Ainda em Minas Gerais, ganhou festivais em Barbacena e Poços de Caldas. De volta ao Rio de Janeiro, foi funcionário da Caixa Econômica Federal. Começou a frequentar o Cacique de Ramos e suas composições passaram a ser gravadas por diversos artistas.

1981–93: Cacique de Ramos e Fundo de Quintal

Ainda no início da década de 1980, abandona a aeronáutica e passa a frequentar a roda de samba do Cacique de Ramos, onde aprendia ao lado de Jorge Aragão, Beth Carvalho, Beto sem Braço, Ubirany e Almir Guineto, além de Zeca Pagodinho e Sombrinha — que viria a ser seu parceiro —, que também estavam aprendendo. No primeiro ano em que esteve na roda, doze de suas canções foram gravadas por vários intérpretes. A primeira delas foi "Lição de Malandragem". Depois vieram outros sucessos, como "Grande Erro" (Beth Carvalho), "Novo Amor" (Alcione) e outros.

Em 1981, Arlindo Cruz, já reconhecido como compositor, foi convidado a substituir o músico Jorge Aragão no grupo Fundo de Quintal. Permaneceu no grupo por doze anos, e neste período, gravou com muitos artistas do pagode e compôs várias canções para o conjunto, incluindo "Seja Sambista Também", "Só Pra Contrariar", "Castelo de Cera" e "O Mapa da Mina".

1993–2003: Primeiro disco solo e parceria com Sombrinha

Em 1993, Arlindo sai do Fundo de Quintal para seguir carreira solo. O cantor passou a primeira década de sua carreira fora do grupo despercebido pela mídia, tendo poucas vendas em seus primeiros álbuns. No mesmo ano, Arlindinho, seu primeiro álbum solo, que contava com doze faixas, foi lançado pelo selo Line Records, produzido por Milton Manhães e disponibilizado nas lojas no formato de disco de vinil. O disco não vendeu bem, embora tenha sido criticado positivamente.

Com o baixo rendimento de seu álbum de estreia, Arlindo iniciou uma longeva parceria com Sombrinha, que também havia sido membro do Fundo de Quintal. O primeiro disco da parceria, Da Música, foi produzido por Milton Manhães e lançado em setembro de 1996 pela gravadora Velas. O disco, que foi avaliado de forma extremamente positiva pela crítica especializada, contou com composições próprias da dupla bem como de outros nomes do samba, como Candeia, Beto sem Braço e Dona Ivone Lara.

No ano seguinte, lançaram Samba É Nossa Cara, que contou com regravações de sambas antigos e a faixa "O Show Tem Que Continuar", composição da dupla com Luiz Carlos da Vila. Terceiro álbum da dupla, Pra Ser Feliz foi lançado pelos selos Mercury e PolyGram em 1998. Rildo Hora assinou a produção do disco, que foi planejado para conter apenas regravações mas, por consenso, teve quatro regravações e dez faixas inéditas. Em 2002, Cruz e Sombrinha lançaram seu último projeto juntos. Hoje Tem Samba foi recebido positivamente pela crítica, mas classificado como o "CD da virada", em referência ao menor reconhecimento dos músicos em comparação com Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, que vieram do mesmo ciclo do Cacique de Ramos mas já estavam conhecidos em suas carreiras individuais.

2003–2017: Retomada da carreira solo

Em 2003, lançou pela Warner Music o disco ao vivo Pagode do Arlindo, seu primeiro deste tipo, gravado no Teatro Rival, no Centro, e no Barril 1800, na Barra da Tijuca, ambos no Rio de Janeiro. Assim como seu álbum de estreia, Pagode do Arlindo, apesar de ter sido criticado positivamente, também não vendeu bem.

Sambista Perfeito, seu segundo álbum de estúdio, foi lançado em outubro de 2007 pela gravadora Deckdisc e contou com a colaboração, na composição das canções e na interpretação delas, dos cantores Xande de Pilares, Neguinho da Beija-Flor, Nei Lopes, Zeca Pagodinho, Marcelo D2 e Maria Rita. Pelo projeto, Arlindo foi indicado ao nono Grammy Latino de Melhor Álbum de Samba/Pagode. Em meados de 2009, é lançado o DVD e CD duplo MTV ao Vivo Arlindo Cruz, também pela Deckdisc. Gravado em São Paulo, o projeto já era desejado por Arlindo Cruz desde sua participação no clipe de "Dor de Verdade" (de Marcelo D2) e a gravação do acústico do cantor Zeca Pagodinho. Arlindo ainda afirmou que, mesmo sabendo que a MTV não é uma emissora de música brasileira, ficou satisfeito com os resultados.

A partir de janeiro de 2011, Arlindo passou a comandar a banda fixa do programa televisivo Esquenta!, exibido pela TV Globo e apresentado por Regina Casé. Permaneceu até o cancelamento da atração, em 2017. Contribuiu também compondo a música tema do programa, em parceria com Gilberto Gil.

Seu último álbum ao vivo, Batuques do Meu Lugar, foi gravado no Terreirão do Samba, no Centro, em junho de 2012 e lançado no ano seguinte. O disco, que teve a participação de Zeca Pagodinho, Marcelo D2 e Sombrinha, incluiu reproduções de três sambas-enredos (dois dos quais compostos por Cruz que lhe renderam vitórias nas disputas) e uma canção de Candeia. As gravações contaram com uma banda e foram dirigidas pelo maestro Ivan Paulo. Foi indicado à categoria de Melhor Álbum de Samba do Prêmio Contigo! MPB FM de Música 2013.

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