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Araguaína

Município brasileiro no estado do Tocantins

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Araguaína é um município brasileiro do estado do Tocantins, Região Norte do país. A população de Araguaína era de 171.301 pessoas em 2022, de acordo com o censo do IBGE. Estimativas para 2025 indicam um valor de aproximadamente 183.024 habitantes, sendo o segundo mais populoso do estado, atrás apenas da capital Palmas.

Segundo o historiador araguainense Raylinn Barros da Silva, a partir da criação da unidade federativa do Tocantins com a Constituição de 1988, Araguaína foi a maior cidade do estado durante os seus primeiros anos, tendo sido depois ultrapassada em aspectos populacionais por Palmas, capital planejada que nasceu junto com o novo estado. A sua localização mesopotâmica entre os rios federais Araguaia e Tocantins, a proximidade com os estados do Pará e do Maranhão, o fortalecimento da região econômica do MATOPIBA e os acessos rodoviário e ferroviário tornam a cidade um importante centro regional, que se destaca nos quesitos comercial, educacional, de saúde e de serviços.

Araguaína se localiza a 384 km da capital Palmas, 1.143 km de sua antiga capital Goiânia e a 1.252 km da capital federal Brasília, além de ser próxima a importantes cidades da região, como Imperatriz, a 250 km; Marabá, a 280 km; e Belém, a 842 km. Além da rodovia federal BR-153 (Belém-Brasília), o município também é servido pelo Aeroporto de Araguaína (IATA: AUX, ICAO: SWGN) e, desde 2007, pela Ferrovia Norte-Sul.

Atende a um total de 1,7 milhão de pessoas (2010), incluindo o próprio estado, o sudeste do Pará e o sudoeste do Maranhão. Os limites do município estão completamente inseridos na extensão geográfica do MATOPIBA, importante região de expansão da fronteira agrícola das regiões Norte e Nordeste. Por tal razão, dentre outros motivos, é considerada capital econômica do Tocantins e capital simbólica do MATOPIBA.

Sociedades indígenas e colonização

O livro "A Transformação Histórica de Araguaína", obra organizada pelos historiadores Raylinn Barros da Silva e Cleube Alves da Silva - coletânea que reúne 15 capítulos de vários pesquisadores que abordam parte da história da cidade - informa que foram os índios carajás foram os habitantes primitivos da vasta região compreendida entre os rios Andorinhas e Lontra, afluentes da margem direita do Rio Araguaia, área que viria a constituir a maior parte do atual município de Araguaína. Os remanescentes dos carajás ainda habitam as margens do Araguaia em reservas indígenas sob a orientação da FUNAI.

A colonização da região tem como marco a chegada de João Batista da Silva e sua família,em 1876, procedentes da Vila de Nossa Senhora do Livramento de Paranaguá, atual município de Parnaguá, no Piauí. A família se instalou à margem direita do Rio Lontra, local que denominaram "Livre-Nos Deus", que expressava o temor do ataque de indígenas e animais selvagens. O desbravador trouxe consigo a esposa, Rosalina de Jesus Batista, e os filhos, dentre os quais, Tomás Batista da Silva, na época aos nove anos de idade, ao qual muitos atribuem, erroneamente, a fundação do município. Poucos meses após a chegada da família, ainda no mesmo ano, outras começaram a chegar e se fixar no mesmo local, o que formou um povoado o qual passaram a chamar de "Povoado Lontra" por localizar-se à margem do rio homônimo.

Os primeiros colonizadores se dedicaram inicialmente ao cultivo de cereais para subsistência. Posteriormente, no início do século XX, passaram a vender os grãos no Povoado Nova Aurora do Coco, atual município de Babaçulândia, a pouco mais de 60 km da região. Tentou-se ainda implantar a cultura do café como atividade predominante do povoado, mas foi abandonada pela dificuldade de escoamento da produção, decorrente da ausência de vias terrestres para transporte.

De acordo com o historiador Raylinn Barros da Silva, o povoado pertenceu inicialmente ao município de São Vicente do Araguaia, atual Araguatins, mas passou posteriormente para o município de Boa Vista do Tocantins, atual Tocantinópolis. Em razão do isolamento causado pela ausência de estradas, o povoado sofreu um longo período de estagnação que durou até o ano de 1925, quando se instalaram na região as famílias de Manuel Barreiro, João Brito, Guilhermino Leal, José Lira e João Batista Carneiro. As famílias recém-chegadas provocaram mudanças no povoado.

A primeira professora nomeada para o povoado foi Josefa Dias da Silva. Em 1936, criou-se o primeiro destacamento policial, cujo primeiro delegado foi o comandante Paulino Pereira. A primeira agência de vendas de passagens de ônibus foi criada em 1963 em uma sala do Hotel São Vicente, na Rua Cônego João Lima, que atendia as primeiras empresas interestaduais, como Expresso Braga, Rápido Marajó e Viação Jussara.

Com a criação do município de Filadélfia, em 1949, o então Povoado Lontra passou a lhe integrar, embora a sua denominação tenha mudado no mesmo ano para "Povoado Araguaína", cuja etnologia provém em homenagem ao Rio Araguaia, que atualmente delimita os municípios de Araguaína e Conceição do Araguaia, no Pará. Com a Lei Municipal nº 86, de 30 de setembro de 1953, o povoado se transformou em um distrito de Filadélfia. A instalação do distrito de Araguaína ocorreu em 1º de janeiro de 1954, quando foi nomeado como subprefeito (primeiro administrador), Cassimiro Ferreira Soares, permanecendo no cargo até janeiro de 1959 quando Araguaína deixou a condição de distrito e passou à condição de município. O município foi instalado oficialmente em 1º de janeiro de 1959, quando foi nomeado como primeiro prefeito, Henrique Ferreira de Oliveira, que governou a cidade até janeiro de 1961, quando assumiu o primeiro prefeito eleito de forma direta, Anatólio Dias Carneiro e seu vice, Raimundo Falcão Coelho.

Para o historiador Raylinn Barros da Silva, as décadas de 1950 e 1960 foram marcadas pela instalação em Araguaína das primeiras igrejas cristãs, com destaque para os católicos e assembleianos no início dos anos 1950 e os batistas e presbiterianos no início da década de 1960. Para o historiador, os missionários orionitas, religiosos pertencentes à congregação católica Pequena Obra da Divina Providência, cujo fundador foi o religioso italiano Luís Orione, chegaram em Araguaína em 1952 e institucionalizaram o catolicismo tanto na cidade como na região. Construíram as primeiras igrejas e fundaram as primeiras paróquias. Sob a liderança desses missionários, dentre eles o italiano Quinto Tonini, ergueu-se no mesmo ano, 1952, o primeiro templo católico da cidade, dedicado ao Sagrado Coração de Jesus, seu padroeiro. Em 1957 essa primeira igreja católica foi transformada em paróquia, tendo seu primeiro pároco o italiano Pacífico Mecozzi.

Do ponto de vista da religiosidade popular em Araguaína, destaca-se a presença na cultura religiosa a figura de Pedro Milagroso, considerado o primeiro mendigo que viveu pelas ruas da cidade no início dos anos 1960. Ele foi assassinado e após sua morte que teria ocorrido de forma trágica, teve seus restos mortais sepultados no cemitério da cidade e, a partir daí, recebido visitas de fieis que acreditaram no seu poder milagroso. A religiosidade popular em torno da figura de Pedro Milagroso em Araguaína já foi objeto de investigação acadêmica, o que resultou na publicação de um livro sobre sua história.

Ainda segundo o historiador Raylinn Barros da Silva, o desenvolvimento econômico e social de Araguaína começou de verdade a partir da década de 1960 com a construção da rodovia BR-153 (Belém-Brasília), que lhe permitiu um crescimento exorbitante em comparação às cidades próximas, maiores e até mesmo mais antigas. No período de 1960 a 1975, a cidade atingiu um ritmo de desenvolvimento sem precedentes na história do estado de Goiás. Em 1965, foi criada a Companhia Industrial e Mercantil da Bacia Amazônica. Em 1967, instalou-se o primeiro frigorífico da cidade, de propriedade do Grupo Boa Sorte, ainda hoje um dos maiores da região. A repercussão do rápido processo de desenvolvimento ultrapassou fronteiras do estado e do país, despertando interesse no exterior. Sobre o fenômeno, foi publicado um estudo na revista Fieldstaff Reports.

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