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Araçuaí

Município brasileiro do estado de Minas Gerais

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Araçuaí é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Jequitinhonha, estando situado a cerca de 680 km a nordeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente 2 240 km², sendo que 9 km² estão em área urbana, e sua população foi estimada em 35 185 habitantes em 2025.

O município foi emancipado em 1871 e seu Centro Histórico preserva características do final do século XIX e começo do século XX, sobressaindo-se casarões, igrejas e estabelecimentos de valor histórico e paisagístico. As atividades econômicas mais importantes são a mineração, o comércio e a prestação de serviços. Teve o registro de cidade mais quente do Brasil obtido durante a onda de calor de novembro de 2023.

De acordo com o filólogo Eduardo de Almeida Navarro, Araçuaí provém da língua tupi, por meio da composição entre as palavras araso’iá (araçoia) e ‘y (rio), significando portanto “rio das araçoias”.

Até ser elevado à categoria de vila, em 1857, o lugar foi chamado de Calhau, devido à grande quantidade de calhais existentes na região.

Antes da chegada de forasteiros, o atual município de Araçuaí foi habitado pelos tocoiós e botocudos. Por volta de 1830, havia um povoamento na confluência dos rios Araçuaí e Jequitinhonha, denominado Aldeia do Pontal, onde se encontra o distrito de Itira. Padre Carlos de Moura Murta expulsou dali canoeiros e prostitutas que promoviam festas barulhentas, que foram abrigados na Fazenda Boa Vista da Barra do Calhau pela proprietária, a mulata Luciana Teixeira. Esse movimento deu origem a um arraial, que ficou conhecido como "Calhau", devido à fartura de pedras lisas e arredondadas.

O novo arraial se tornou um ponto de parada de canoeiros e viajantes. Em sequência, foi observado um desenvolvimento populacional e econômico em função da pecuária, agricultura e do artesanato de ferro, cerâmica e couro, superando o núcleo urbano original, em Itira. Assim, mediante a lei provincial nº 471 de 1º de junho de 1850, foi reconhecido o distrito denominado Calhau, pertencente a Minas Novas. Foi emancipado pela lei provincial nº 1.780 de 21 de setembro de 1871, com o nome de "Arassuaí".

Em 1942, a sede da cidade passou a ser atendida pela Estrada de Ferro Bahia e Minas (EFBM), que ligava Araçuaí ao município de Caravelas, na Bahia. Nesse tempo, as estradas para veículos eram precárias, então a via férrea se tornou uma opção relevante de viagens de negócio e lazer, transporte de produtos e correios, sendo responsável por um impulso no desenvolvimento municipal. Entretanto, a ferrovia foi desativada e extinta na década de 1960. Embora a infraestrutura das rodovias tenha se desenvolvido, a cidade foi impactada pelo fim do transporte ferroviário.

No decorrer dos séculos XIX e XX, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos. De Araçuaí foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Itaobim, Comercinho, Medina (1938), Novo Cruzeiro, Itinga (1943) e Virgem da Lapa (1948). Perante a lei estadual nº 336 de 27 de dezembro de 1948, a grafia foi alterada de "Arassuaí" para "Araçuaí".

O município de Araçuaí limita-se com Itinga (a nordeste e norte), Coronel Murta (norte e noroeste), Virgem da Lapa, Francisco Badaró (oeste), Jenipapo de Minas (sudoeste), Novo Cruzeiro (sul e sudoeste), Caraí (sudeste), Padre Paraíso e Ponto dos Volantes (leste). A sede dista por rodovia 678 km da capital mineira, Belo Horizonte. As principais estradas que atendem ao município são a BR-367, que corta a cidade, BR-342, LMG-676 e LMG-678.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediárias de Teófilo Otoni e Imediata de Araçuaí. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Araçuaí, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Jequitinhonha.

O relevo do município é consideravelmente variado, com 60% de sua área acidentada, 30% ondulada e 10% plana. A altitude mínima se encontra no leito do rio Jequitinhonha, com 299 metros, enquanto que a altitude máxima chega aos 1 028 metros na Chapada da Cavalhada. Já o ponto central da cidade está a 307,33 metros. Os tipos de solo predominantes são os latossolos vermelho-amarelo e vermelho-escuro.

Araçuaí integra a bacia do rio Jequitinhonha, que banha o distrito de Itira. Além do Jequitinhonha, os principais mananciais que intercedem a área municipal são os rios Araçuaí, Gravatá e Piauí. O rio Araçuaí irriga a zona urbana e sua foz no rio Jequitinhonha se encontra em Itira. O município é banhado ainda por diversos cursos hídricos de menor porte, que vertem para os leitos principais, porém são comuns os mananciais intermitentes, que secam durante longos períodos de estiagem.

Apesar do predomínio do clima quente e seco, períodos pontuais de chuvas contínuas e intensas, associados aos impactos ambientais de ocupações indevidas do solo, são responsáveis por enchentes reincidentes do rio Araçuaí e seus afluentes na cidade. A mais grave, em fevereiro de 1979, deixou 3 450 desabrigados, 1 050 casas destruídas e perdas consideráveis na agricultura em Araçuaí.

O bioma original predominante é a Mata Atlântica, mas a vegetação nativa foi consideravelmente suprimida pelas atividades econômicas locais, sendo substituída sobretudo por pastagens agropecuárias. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município foi o segundo em Minas Gerais e o quinto no Brasil que mais desmatou áreas de Mata Atlântica no período de outubro de 2021 a outubro de 2022, suprimindo 470 hectares de vegetação nesse período. O clima cada vez mais quente e seco, associado à degradação do solo, fez com que surgissem áreas propensas à desertificação em Araçuaí.

O clima araçuaiense é caracterizado como semiárido brando (tipo BSh segundo Köppen), com temperatura média anual de 25,3 °C, sendo a máxima anual de 32,3 °C e a mínima de 19,9 °C. A pluviosidade média é de cerca de 710 mm/ano, concentrados de novembro a março. No entanto, as mudanças climáticas têm afetado o município com secas cada vez mais severas, propiciando o processo de desertificação no semiárido, que também é favorecido pelo desmatamento. As alterações do clima são evidenciadas pelo encurtamento e irregularidade das estações chuvosas, com chuvas volumosas concentradas em períodos de tempo menores, enquanto os períodos secos estão mais demorados e as temperaturas médias cada vez mais altas.

As chuvas são irregulares e concentradas em períodos curtos, mas são capazes de provocar enchentes e enxurradas. Podem ainda vir acompanhadas de descargas elétricas e rajadas de vento. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), desde 1931 a menor temperatura registrada em Araçuaí foi de 3 °C em 28 de julho de 1942, porém o recorde mínimo absoluto desde 1918, quando tiveram início as medições, foi de 1,8 °C em 12 de julho de 1927. A máxima absoluta atingiu 44,8 °C em 19 de novembro de 2023, durante uma onda de calor intensa. Esse foi o recorde de maior temperatura do Brasil pelo INMET, superando os 44,7 °C observados em Bom Jesus, Piauí, em 21 de novembro de 2005.

O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 129,1 milímetros (mm) em 7 de dezembro de 2000. Outros grandes acumulados iguais ou superiores a 100 mm foram: 115,2 mm em 24 de novembro de 1945, 115 mm em 18 de dezembro de 1943, 108,4 mm em 4 de dezembro de 1983, 107,5 mm em 2 de janeiro de 1960, 106,4 mm em 29 de outubro de 1949, 106,3 mm em 24 de fevereiro de 1968, 105 mm em 25 de novembro de 1996, 103,6 mm em 29 de novembro de 1987 e 13 de novembro de 2000, 102,8 mm em 7 de fevereiro de 1944 e 100,9 mm em 5 de novembro de 2002.

Em 2022, a população foi estimada em 34 297 habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, 16 813 habitantes eram homens (49,02%) e 17 484 habitantes mulheres (50,98%). Ainda segundo o mesmo censo, 25 477 habitantes viviam na zona urbana (74,28%) e 8 820 na zona rural (25,72%). Segundo o IBGE, Araçuaí é considerada um centro sub-regional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência regional com relação à gestão e disponibilidade de serviços e na gestão do território. Trata-se do quarto município mais populoso do Vale do Jequitinhonha, depois de Diamantina, Almenara e Capelinha.

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