Antonio Palocci Filho GOMM (Ribeirão Preto, 4 de outubro de 1960) é um médico e ex-político brasileiro, foi membro fundador do Partido dos Trabalhadores, legenda na qual foi filiado até 2017. Ocupou o cargo de ministro da Fazenda no governo Lula até 27 de março de 2006, quando renunciou e foi substituído pelo então presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Guido Mantega. Exerceu, desde 1º de janeiro até 7 de junho de 2011, o cargo de Ministro-chefe da Casa Civil do Brasil, escolhido pela Presidente Dilma Rousseff, quando pediu demissão por denúncias de improbidade administrativa, tendo sido, mais tarde, condenado.
Como servidor da Secretaria de Saúde do estado, criou o ambulatório de saúde do trabalhador. Também chefiou a diretoria regional da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Aos 28 anos, depois de ocupar cargos em associações de classe, sindicatos e na Central Única dos Trabalhadores (CUT), disputou seu primeiro cargo eletivo como vereador. Cogitou-se que ele seria o candidato do PT ao governo de São Paulo em 2010. No entanto, não se candidatou e foi coordenador da campanha de Dilma Rousseff.
Tornou-se réu em novembro de 2016, após o juiz federal Sergio Moro aceitar a denúncia do Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava Jato, sendo condenado em junho de 2017 a 12 anos de prisão. Desfiliou-se do PT, partido que ajudou a fundar, em setembro de 2017, após negociar um acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal, acordo este que não foi adiante. Em 2018, voltou a negociar acordo de colaboração, desta vez com a Polícia Federal, que foi homologado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) em junho de 2018. Em 19 de fevereiro de 2025, o ministro Dias Toffoli do Supremo Tribunal Federal anulou todos os processos contra Palocci.
Vida pessoal e formação acadêmica
É filho do artista plástico Antonio Palocci e de Antônia de Castro (Dona Toninha Palocci), que foi militante na década de 1980 da organização trotskista Convergência Socialista. Na juventude, militou em diversas correntes radicais de esquerda, destacando-se a sua participação na Libelu, corrente trotskista. Formou-se na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRPUSP). Foi cofundador do Partido dos Trabalhadores e presidente do PT-São Paulo (1997-1998).
Em 1988 foi eleito vereador de Ribeirão Preto. Em 1990 interrompeu o mandato para assumir o cargo de deputado estadual. Ficou apenas dois anos no cargo pois venceu a eleição para a prefeitura de Ribeirão Preto, em 1992.
Em 1995 recebeu pela Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) o prêmio "criança e paz", por destacar-se na defesa dos direitos da criança e do adolescente. Recebeu também, o prêmio Juscelino Kubitschek, em 1996, junto com a prefeitura de São Paulo pelo trabalho de apoio às micro e pequenas empresas. Novamente, em 2002, teve seu trabalho reconhecido pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) recebendo o prêmio Mário Covas. Em 2002, recebeu a homenagem de "Amigo do Livro" da Câmara Brasileira do Livro, por sua ação nesta área como prefeito (criou um programa que abriu 80 bibliotecas em Ribeirão Preto e aumentou o índice de leitura de 2 para 9,7 livros lidos por habitante/ano). Em 2004, recebeu pela segunda vez o diploma de Amigo do Livro, ao promover a desoneração fiscal do livro no Brasil.
Em 1998 foi eleito deputado federal deixando o cargo em 2000 depois de ser eleito novamente para a prefeitura de Ribeirão Preto, cargo do qual se licenciou em 2002 para se dedicar a campanha presidencial de Lula e depois para coordenar a equipe de transição governamental e assumir o cargo de Ministro da Fazenda, para o qual foi nomeado no ano seguinte.
Foi um dos ministros mais influentes do governo Lula e, segundo seus críticos, exageradamente austero para um político de esquerda. Outros políticos acusam Palocci de incoerência, pois quando deputado, era conhecido por fazer exigências supostamente incompatíveis com a economia do país - as mesmas exigências que, como ministro, passou a barrar sistematicamente que manteve o país economicamente estável. Em 2003, Palocci foi admitido pelo presidente Lula à Ordem do Mérito Militar no grau de Grande-Oficial especial.
O cargo de coordenador da campanha eleitoral de Lula, que Palocci exerceu em 2002, era antes ocupado pelo prefeito de Santo André, Celso Daniel, assassinado meses antes da eleição.Em meados de 2009, um grupo do PT paulista sugeriu o nome de Palocci como alternativa ao de Dilma Rousseff para a presidência da República em 2010. Ele também foi ventilado para a disputa do Governo do Estado de São Paulo. Palocci teve papel de destaque na eleição para presidência da República de Dilma Rousseff, como membro da coordenação nacional da campanha, sendo citado como um dos principais ministros no governo Dilma.
Ministro da Fazenda (2003 - 2006)
Após protagonizar a virada à moderação econômica durante a campanha de Lula para a eleição de 2002 com a divulgação da Carta de Ribeirão Preto, Palocci assumiu o ministério da Fazenda. Ainda durante a transição, se encontrou com o presidente do Banco Central Armínio Fraga, que lhe apresentou um documento, originalmente feito para a campanha de Ciro Gomes, chamado de "A Agenda Perdida", que defendia reformas estruturais microeconômicas por um ponto de vista economicamente ortodoxo para retomar o crescimento do Brasil. Palocci convidou para ser central em sua equipe econômica um dos autores da "Agenda Perdida", o economista Marcos Lisboa, que assumiu a Secretaria de Política Econômica.
A prioridade inicial de Palocci como ministro foi de restaurar a credibilidade do Brasil com os investidores, que temiam uma guinada ao radicalismo de esquerda por parte de Lula, e conter a alta da inflação. Para isso, arquitetou um forte ajuste nas contas públicas, aumentando a meta de superávit primário de 3,75% do PIB para 4,25%. A política de austeridade fiscal sofreu forte oposição interna dentro do Partido dos Trabalhadores. Em resposta aos críticos à esquerda, Palocci argumentava que a estabilidade fiscal era condição para o desenvolvimento social e que este não era preterido em favor dos cortes de gasto. Um assessor de Palocci resumiu como se viam da seguinte forma: "somos os ortodoxos do bem".
Além do ajuste fiscal, Palocci patrocinou uma agenda de reformas microeconômicas, com destaque à redução de barreiras no setor de crédito e à criação do crédito consignado, e de políticas sociais, como a formulação do Bolsa Família. Sobre este, ficou famoso o embate entre a economista ligada ao Partido dos Trabalhadores Maria da Conceição Tavares e o secretário de Política Econômica Marcos Lisboa, em que Tavares chama Lisboa de "débil mental".
O tempo de Palocci à frente do ministério não durou muito, contudo, visto que o ministro teve de renunciar ao seu cargo devido ao escândalo da quebra do sigilo bancário de Francenildo Santos, em 2006. O encontro entre a ortodoxia econômica e o Partido dos Trabalhadores ficou conhecido, desde então, como paloccismo.
Em 27 de março de 2006 Palocci renunciou ao cargo de ministro da Fazenda. Sua situação ficou insustentável a partir da quebra ilegal do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa, testemunha de acusação contra Palocci no caso da casa do lobby, mansão alugada pela chamada "República de Ribeirão Preto" para servir de sede para reuniões de lobistas e encontros com prostitutas, conforme investigações da CPI dos Bingos. Francenildo declarou ter visto o então ministro frequentando a mansão para reuniões de lobistas acusados de interferir em negócios de seu interesse no governo Lula, para partilhar dinheiro além de abrigar festas animadas por garotas de programa. Seu depoimento na CPI foi cancelado por uma liminar expedida pelo STF, a pedido do senador Tião Viana (PT do Acre).
Após uma semana de desentendimentos, pressão do Congresso, dos meios de comunicação e da opinião pública, Lula alegou "quebra de confiança" e pediu o afastamento do seu mais importante ministro, último homem de sua estrita confiança que ainda permanecia no governo. Assumiu o cargo o presidente do BNDES, Guido Mantega.