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Antônio Lemos

Político ligado ao desenvolvimento urbano da cidade de Belém, Pará, Brasil

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Antônio José de Lemos (São Luís, 17 de dezembro de 1843 — Rio de Janeiro, 2 de outubro de 1913) foi um político brasileiro com base eleitoral no estado do Pará e intendente de Belém entre 1897 e 1911. Um dos sócio-fundados do Instituto Histórico e Geográfico do Pará em 1900.

Lemos foi o principal responsável pelo desenvolvimento urbano da cidade de Belém, tendo projetado uma série modificações que geririam a vida do cidadão paraense àquela época, sendo tratado como "o maior administrador municipal dos últimos tempos", além de ser dono do título de mais poderoso e recorrente mito político da Amazônia.

Era filho de Antônio José de Lemos e de Olívia de Sousa Lemos, casado com Inês Maria de Lemos e pai de cinco filhos: Antônio Pindobussu de Lemos, Maria Guajarina de Lemos, Olívia de Lemos Lalor, Cecília Ierecê de Lemos e de Manuel Tibiriçá de Lemos (com alcunha de Duca Lemos), além de tio e sogro de Artur de Sousa Lemos, deputado e senador pelo Pará.

A carreira política de Antônio Lemos se iniciou em 1885, quando o Partido Liberal, do qual era membro, o elegeu deputado provincial pelo 1º e 5º Distrito. Quando ocorreu a proclamação da República, Lemos estava exercendo cargo de presidente da Câmara Municipal, pois havia sido eleito vereador em 1889. Dessa forma, foi Lemos que empossou a primeira junta constituída por Justo Chermont, José Maria do Nascimento e José Fernando Júnior, que passaram a governar o Pará nos primeiros momentos do regime republicano.

Filho do casal Antônio José de Lemos e de Olívia de Sousa Lemos, Antônio José de Lemos nasceu em 17 de dezembro de 1843 no estado do Maranhão e mudou-se para a cidade de Belém, no Pará, quando jovem. Antes de ingressar na carreira política, Antônio Lemos trabalhou como criado de bordo da marinha, tendo sido este emprego o responsável pela sua ida à capital do Pará. Assim que chegou ao estado, Lemos logo conseguiu um emprego no jornal local, A Província do Pará, devido as suas habilidades de leitura e escrita. Com a morte do dono do jornal, Dr. Assis, Lemos adquiriu-o por um preço simbólico, mudando a sede do jornal para o edifício onde atualmente funciona o Instituto de Educação do Pará, transformando o periódico no terceiro em circulação do país naquela época. Os anos como editor do periódico, fizeram com que Antônio conquistasse a "confiança" e "destaque" frente a sociedade paraense, o que lhe facilitou em muito o ingresso para a vida política.

Lemos foi, inicialmente, vogal de Belém, deputado estadual e até secretário de governo do estado, onde notabilizou-se por recepcionar e ser sensível aos apelos dos políticos do interior, enquanto que as outras autoridades os ignoravam, por os julgarem "políticos menores", e assim foi conquistando o respeito e o apoio de diversas autoridades.

Em 1897 chega ao ápice de sua carreira política, quando é eleito intendente (cargo correspondente hoje a prefeito municipal) da capital, Belém. Sua gestão ficou marcada pela galicização da cidade, pela edição de medidas que regravam os hábitos e modos urbanos, proibindo atos como cuspir em via pública, regrando as fachadas das casas, retirou cortiços do centro e inclusive fechou diversas casas que gerassem um nível desagradável de poluição sonora.

A construção da Paris n'América

O dinheiro gerado com a comercialização da borracha foi importante para a reestruturação urbana de Belém, a partir de 1897, que marcou o inicio do governo do intendente Antônio Lemos (1897-1911), responsável por modernizar a cidade de Belém, quando o país ainda iniciava o período da República, promovendo uma renovação estética e higienista da cidade no período do Ciclo da Borracha, também conhecido como Belle Époque Paraense", com o projeto de construção da Paris n'América (em francês: Petit Paris). Atendendo ao novo gosto da elite do látex (em destaque os seringalistas) e também demonstrar aos investidores estrangeiros que Belém era segura e salubre para transformar a capital em centro: financeiro, luxo, divertimento e de consumo. Fazendo parte do discurso republicano pautado no progresso com bases cientificamente no saneamento e higienização. Ressalta-se, que a maior parte da população era pobre, não possuía dinheiro sequer para comprar peixe, enquanto tentavam adotar hábitos europeus.

As ruas estreitas do bairro Cidade Velha e da Campina manteriam o estilo colonial português, mas era necessário construir avenidas largas de acordo com o projeto de embelezamento urbanístico até o bairro de São Brás. Assim, a construção do Boulevard da República próximo ao cais do porto, facilitando o escoamento comercial da borracha, simbolizando também o estilo europeu. Com calçamento das ruas, instalação de rede de esgotos, criação de serviço de transportes públicos, construção de praças.

O centro comercial tornou-se um centro de consumo de tecidos, conforme a moda de Paris e Londres (na loja Paris n'América, na Av. Presidente Vargas), bebidas e alimentos importados como carne, champagne, vinho (Piper Mint de Rivel), manteiga entre outros.

Preocupado com a paisagem urbana, Lemos implantou áreas verdes, recuperando o Horto Municipal, embelezando as praças, reestruturando o Bosque Rodrigues Alves. Havia também os quiosques (Bar do Parque), elegantes na paisagem urbana.

O poder público criou o Código de Conduta para repassar os ideais de moral e higiene nos espaços. Regulando o cotidiano da cidade: proibindo banhos nas praças e chafarizes; ficar de trajes “indecentes” em casa ou ir à janela; ordenou a demolição de todos os cortiços (como ocorreu em outras cidades, como o Rio de Janeiro), pois eram considerados locais focos de epidemias e desordem; os moradores construiriam as residencias de acordo com as plantas aprovadas pela intendência.

Quanto aos problemas com local de abate e comercialização de carne e de alimentos, construiu-se um matadouro público (atualmente chamado de Curro Velho) e um mercado no boulevard da República, o Mercado do Ver-o-Peso (em ferro ao estilo art nouveau) sendo considerado na época um dos melhores do país. Em busca de disciplinar o trabalho de vendedores ambulantes, foram proibidas barraquinhas de lanche, consideradas sujas e pontos de desocupados; Iniciou a construção de uma rede de esgotos (empresa londrina The Amazonia Development) e forno crematório; iniciou campanha de vacinação; recolhimento de lixo nas residências; O Código de Conduta impunha também a limpeza da sociedade, combatendo a mendigagem, principalmente às proximidades da Basílica de Nazaré.

Outro problema era o abastecimento de água, era vendida por aguadeiros nas portas das residências. Lemos encomendou nos Estados Unidos equipamentos para construir vários poços artesianos na cidade;

Em 1902 completou seu projeto, que incluiu construção de diversos: palacetes; bolsa de valores; grandes teatros; igrejas; necrotério; grandes praças com lagos e chafarizes; infra-estrutura sanitária; alargamento de vias nos principais bairros, com calçamento de vias com pedras importadas da Europa e malha de esgoto; aterramento de rios e córregos, a plantação de várias mudas de mangueira, importadas da Índia, nas novas avenidas e boulevards a fim de construir túneis sombreados devido muita incidência do sol na cidade. Tudo ao estilo da arquitetura francesa, no desafio delegado a um grupo de engenheiros de nações europeias, incluindo os responsáveis pela recente reforma urbanística de Paris.

Devida a sua localização geográfica, Belém centralizava as exportações da Amazônia, e durante o Ciclo, a Amazônia respondia por 40% da pauta de exportações do Brasil, igualando-se, em valor, ao que São Paulo exportava durante o ciclo do café. Belém era a sede de residências da maioria dos barões da borracha e a empresários, com negócios relacionados a cidade ou a logística de exportação do látex.

Antonio Lemos ordenou a expansão da cidade com a abertura de vias largas e quadras retas onde não havia cidade, área hoje compreendida pelos bairros da Pedreira e do Marco (considerado o segundo melhor em qualidade de vida da capital). Belém era invejada por brasileiros das zonas produtoras de café, retratada nos jornais do sudeste do país como uma verdadeira metrópole perdida na selva que Rio de Janeiro e São Paulo nunca conseguiriam construir, até que em 1905 a cidade de Rio de Janeiro realiza sua reforma urbanística com Pereira Passos.

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