António Joaquim Rodrigues Ribeiro, conhecido por António Variações ComIH (Pilar, Fiscal, Amares, 3 de dezembro de 1944 – Lisboa, São Domingos de Benfica, 13 de junho de 1984), foi um cantor e compositor português do início dos anos 1980. A sua curta discografia continuou a influenciar a música portuguesa nas décadas posteriores à sua precoce morte, aos 39 anos, deixando assim um legado para os tempos vindouros.
António Ribeiro nasceu no lugar de Pilar, freguesia de Fiscal, no concelho de Amares. Filho dos camponeses Jaime Ribeiro e sua mulher Deolinda de Jesus Rodrigues, Tonito, como a mãe lhe chamava, tinha onze irmãos e irmãs, embora dois deles tenham falecido muito cedo. A sua infância foi dividida entre os estudos e o trabalho no campo, para ajudar os pais. Jaime tocava cavaquinho e acordeão e foi a primeira inspiração de Variações, que desde cedo revelou a sua paixão pela música nas romarias e no folclore locais.
Aos onze anos, teve o seu primeiro emprego, em Caldelas, e em Janeiro de 1956 partiu para Lisboa. Aí, trabalhou como marçano, enquanto à noite tirava o curso comercial na Voz do Operário. Trabalhará depois como caixeiro e empregado de escritório.
Seguiu-se o serviço militar em Angola, numa zona pacífica, do qual regressou em Janeiro de 1970. Com a ajuda do amigo e colega Fernando Ataíde, foi admitido no Ayer, o primeiro cabeleireiro unissexo a funcionar em Portugal. Viajou até Londres, onde viviam um irmão e uma irmã, e trabalhou num “colégio de computadores”. Em 1972 regressou a Lisboa, tendo passado ainda por um salão no Centro Comercial Imaviz, onde exerceu a profissão de barbeiro. Em 1974, pouco antes do 25 de Abril, foi até Amesterdão, tendo ali ficado um ano, a trabalhar como cabeleireiro, e a desenvolver a sua técnica de corte, onde descobriu um novo mundo, querendo trazer para Portugal uma nova maneira de viver. Em 1976 juntou-se à equipa do primeiro salão unissexo que abriu em Portugal, dirigido por Isabel Queiroz do Vale. Em meados de 1979, abriu a sua própria barbearia, É Pró Menino e Prá Menina, na Rua de São José.
Entretanto, deu igualmente início aos espectáculos com o grupo Variações, atraindo rapidamente as atenções. Por um lado, o seu visual excêntrico não passava despercebido e, por outro, o seu estilo musical combinava vários géneros, como o rock, o pop, os blues ou o fado. Em 1978, apresentou-se à editora Valentim de Carvalho e assinou contrato.
A discoteca Trumps ou o Rock Rendez-Vous foram os locais onde Variações se apresentou ao público. Em 1981, sem ter até aí editado qualquer música, participou no programa de televisão de Júlio Isidro, O Passeio dos Alegres, tendo cantado o tema Toma um comprimido, com uma encenação muito extravagante. A sua música e o seu estilo próprio e inconfundível fizeram com que depressa alcançasse uma fama razoável.
Editou o primeiro single com os temas Povo que Lavas no Rio de Amália Rodrigues (a sua maior referência), e Estou Além. De seguida, gravou o seu primeiro LP, Anjo da Guarda com dez faixas, todas de sua autoria, onde se destacaram os êxitos É p´ra Amanhã e O Corpo É que Paga.
Em 1984 lançou o seu segundo trabalho, intitulado Dar e Receber, sendo a parte instrumental assegurada por alguns elementos da banda Heróis do Mar. Era Fevereiro e, dois meses depois, a 22 de Abril, Variações daria um concerto, na aldeia de Viatodos, concelho de Barcelos, durante as festas da "Isabelinha". Depois disso, aparece pela última vez em público no programa televisivo "A Festa Continua" de Júlio Isidro. Será a única interpretação no pequeno ecrã das faixas do novo disco, usando o mesmo pijama com ursinhos e coelhinhos que usou na sua primeira aparição televisiva. Variações cantou na Queima das Fitas de Coimbra de 1984, no dia 17 de Maio, na Noite da Psicologia, já gravemente doente, sendo que os seus amigos e familiares deixaram de receber notícias do cantor, que ficou hospedado por alguns dias em casa do seu amigo Ataíde até ter sido levado para o Hospital Pulido Valente, no dia 18 de Maio devido a um problema brônquico-asmático.
Quando Canção de Engate invadiu as rádios, já António Variações se encontrava internado no hospital. Transferido para a Clínica da Cruz Vermelha, morreu às 6h30 de 13 de Junho, vítima de uma broncopneumonia bilateral, especula-se que provavelmente foi causada pelo VIH, mas por causa do estigma que essa doença envolvia, o mistério permanece até hoje. Foi sepultado no cemitério da terra natal, em Fiscal, Amares.
Vinte anos após a sua morte, em Dezembro de 2004, foi lançado um álbum em sua homenagem, com canções da sua autoria que nunca tinham sido editadas; sete conhecidos músicos portugueses formaram a banda Humanos e gravaram 12 músicas seleccionadas de um conjunto de cassetes "perdidas" no património de Variações administrado pelo irmão, Jaime Ribeiro.
Em entrevista, António Variações explicou o nome escolhido: "Variações é uma palavra que sugere elasticidade, liberdade. E é exactamente isso que eu sou e que faço no campo da música. Aquilo que canto é heterogéneo. Não quero enveredar por um estilo. Não sou limitado. Tenho a preocupação de fazer coisas de vários estilos."
Ao longo dos anos têm sido várias as homenagens a título póstumo a António Variações. Além do busto colocado em Fiscal, a sua terra natal, há diversas referências na toponímia - no concelho de Amares, aparece em Fiscal, onde o nome do filho da terra designa a principal artéria da freguesia, a Avenida António Variações, e apadrinha ainda uma rua da freguesia de Ferreiros; em Lisboa, encontra-se perpetuado desde 1998 numa rua localizada na actual freguesia do Parque das Nações.
A nível musical, têm-se multiplicado as homenagens, em disco e em palco. Uma das primeiras ocorreu a 10 de julho de 2004, no Teatro Maria Matos, em Lisboa, por onde desfilaram versões a cargo de músicos como Adolfo Luxúria Canibal, Armando Teixeira, Filipa Pais, Funkoffandfly, Lena D’Água, Maria João, Mário Laginha, Pop Dell’Arte, Rádio Macau, Tucanas, Vítor Rua e Vozes da Rádio, além de Jaime Ribeiro, sobrinho de Variações.
A 31 de Maio de 2014, o Palco Mundo do Rock in Rio Lisboa, abriu com uma homenagem a António Variações. Os músicos que participam nesta homenagem foram: Linda Martini, Gisela João, Rui Pregal da Cunha e Deolinda, recordando os 30 anos de morte do cantor e compositor que marcou a história da música portuguesa. A direção artística esteve a cargo do cantor e compositor Zé Ricardo e teve planeamento do jornalista Nuno Galopim. A elaboração do espetáculo foi acompanhada pela família do cantor.
Segundo o músico Zé Ricardo, Director Artístico desta homenagem; “ A influência da música de Variações perdura até aos dias de hoje, e ele continua a ser recordado, com carinho, por todos os portugueses, como uma figura excêntrica que criou um estilo de música muito próprio.”
Em 2014, por ocasião dos trinta anos após a sua morte e 70 do seu nascimento, a Banda Filarmónica de Idanha-a-Nova prestou tributo a António Variações, o evento contou com a contribuição da família do artista, e a participação de Lena D'Água. O tributo teve a participação de cerca de 90 intervenientes, entre os quais, estiveram os músicos da Filarmónica Idanhense, acompanhados vocalmente por Jaime Ribeiro e Luís Ribeiro (irmãos de António Variações), Jaime Rafael Ribeiro (sobrinho), Lena D'Água, (amiga pessoal e colega) e Rui Aziago, também cantor.
Em junho de 2016 estreou no Teatro São Luiz a peça "Variações, de António", uma encenação de Vicente Alves do Ó, com interpretação de Sérgio Praia.
Em 2019, ano em que o cantor celebraria os 75 anos de vida, assinalaram-se várias iniciativas de celebração.