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Anne Barnard

Anne Barnard (nascida Lindsay; Mansão de Balcarres, Fife, 12 de dezembro de 1750 – Londres, 6 de maio de 1825) foi uma e

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Anne Barnard (nascida Lindsay; Mansão de Balcarres, Fife, 12 de dezembro de 1750 – Londres, 6 de maio de 1825) foi uma escritora de viagens, artista e figura da alta sociedade escocesa. É autora da balada Auld Robin Gray. Sua estadia de cinco anos na Cidade do Cabo, África do Sul, teve, apesar de breve, um impacto significativo na vida cultural e social de sua época.

Anne Lindsay nasceu na Mansão de Balcarres, em Fife; a nona criança e a primeira filha de Anne Lindsay (nascida Dalrymple) e James Lindsay, Conde de Balcarres. Quando seus pais se casaram, seu pai tinha 58 anos e sua mãe apenas 22, e ela sofria com essa situação. Ela descarregava sua frustração nos filhos, especialmente em Anne, que, aos olhos dela, nunca fazia nada certo. Talvez seja essa a razão que leva Anne Lindsay a recusar várias propostas de casamento, vinte no total. Quando, em algumas ocasiões, ela se apaixona, o casamento não pode ser realizado, seja por causa da oposição de seus pais, seja por causa do próprio noivo, o que lhe rende uma reputação de namoradeira. Em 1793, ela se mudou para Londres, onde conheceu e se casou com Andrew Barnard, filho de Thomas Barnard, bispo de Limerick, e doze anos mais novo que ela. Ele tinha então 30 anos e ela, 42. O casamento foi celebrado em Saint Georges, na Hanover Square, em Londres, em 30 de outubro de 1793, de forma simples. Corria o boato de que ela se casara abaixo de sua posição social e que ele era um aventureiro, mas o casamento revelou-se um casamento por amor, o que era pouco comum naquela época. Seu marido não era nobre, mas ela continuou a usar seu título de Lady, por ser filha de um nobre.

Em seguida, ela solicitou um cargo a Henry Dundas, 1.º Visconde Melville. Este ofereceu a Andrew Barnard um cargo remunerado como secretário do governador no Cabo da Boa Esperança, que na época estava sob ocupação militar britânica. Não era exatamente o que Anne esperava, mas ela acabou declarando que acompanharia o marido. Os Barnard partiram para lá em março de 1797, e Lady Anne permaneceu no Cabo até janeiro de 1802.

Suas cartas endereçadas a Melville, então secretário da Guerra e das Colônias, e seus diários de viagem pelo interior do continente tornaram-se uma importante fonte de informações sobre as pessoas, os acontecimentos e a vida social da época. Ela também é lembrada popularmente como uma socialite, famosa por suas recepções no Castelo da Boa Esperança como anfitriã oficial de George Macartney, 1.º Conde Macartney.

A notável coleção de cartas, diários e desenhos que ela produziu foi publicada em 1901 sob o título South Africa a Century Ago.

Em 1806, durante a reconquista do Cabo pelos britânicos, Andrew Barnard foi reconduzido no cargo de secretário das colônias, mas Lady Anne preferiu permanecer em Londres em vez de acompanhá-lo. Andrew Barnard morreu na Cidade do Cabo em 1807.

Anne Barnard foi então informada, por meio de uma carta do governador Lord Caledon, da existência de uma filha ilegítima que seu marido teve com uma escrava após ela ter partido para Londres. Anne Barnard perdoa a infidelidade do marido, culpando-se por tê-lo deixado sozinho. Ela acolhe a pequena Christina Douglas em sua casa no número 21 da Berkeley Square em 1809. Ela também cuida de Margaret e Anne Hervey, as filhas dos dois filhos ilegítimos que Andrew Barnard teve antes de seu casamento.

O resto da vida de Anne Barnard decorreu em Londres, onde levou uma vida bastante reclusa, dedicando-se à escrita e ao desenho e preparando suas memórias com a ajuda de Christina. Alguns membros de sua família temem que essas memórias possam prejudicá-los e exigem que não sejam publicadas, o que de fato aconteceu.

Ela faleceu em 6 de maio de 1825 em sua residência em Berkeley Square. Deixou uma herança para as três filhas sob sua tutela e o restante de seus bens para seus sobrinhos, James e Lindsay.

Anne também era uma artista talentosa; algumas de suas obras estão incluídas em suas biografias publicadas nos séculos XVIII e XIX. Ela é autora de pinturas a óleo e desenhos.

O reverendo William Leeves revelou em 1812 que Auld Robin Gray foi escrita por ela em 1772 e musicada por ele próprio. Anne só reconheceu a autoria dessa canção, publicada anonimamente em 1783, dois anos antes de sua morte, em uma carta a Walter Scott (1823), que a publicou posteriormente para o Bannatyne Club com duas suítes.

A memória de Anne é mantida de várias maneiras na Cidade do Cabo. Uma sala do Castelo da Boa Esperança é conhecida como “Salão de Baile de Lady Anne Barnard”; uma rua no subúrbio de Newlands, onde os Barnards moravam, leva o nome de “Lady Anne Avenue”, e uma escultura dela está exposta no saguão do centro municipal de Claremont. A casa de campo dos Barnards, The Vineyard, ainda existe e funciona como hotel.

Segundo o Dicionário Biográfico das Mulheres Escocesas, a canção de Lindsay teve origem numa canção interpretada por Sophia Johnston, de Hilton.

A compositora americana Florence Turner-Maley usou o texto de Lady Anne para sua canção In a Garden Wild, publicada em 1921.

Stephen Taylor - Defiance: The Life and Choices of Lady Anne Barnard (Faber, 2016)

Archives, The National. «The Discovery Service». discovery.nationalarchives.gov.uk (em inglês). Consultado em 26 de novembro de 2021

«CONTENTdm». dmr.bsu.edu. Consultado em 26 de novembro de 2021. Cópia arquivada em 21 de abril de 2025

«South Africa a century ago; letters written from the Cape of Good Hope (1791-1801).». digital.library.upenn.edu. Consultado em 26 de novembro de 2021

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