Angélica Ksyvickis Huck (Santo André, 30 de novembro de 1973) é uma apresentadora, atriz, empresária e cantora brasileira. Começou sua carreira na televisão aos 4 anos, no programa Buzina do Chacrinha, na TV Bandeirantes vencendo o concurso "A criança mais bonita do Brasil" iniciando sua carreira como modelo infantil e participando de campanhas publicitárias. Estreou como apresentadora de programas infantis na extinta Rede Manchete aos 12 anos onde comandou os programas Nave da Fantasia, Clube da Criança e Milk Shake. No SBT, trabalhou entre 1993 e 1996 onde apresentou o Casa da Angélica, TV Animal e Passa ou Repassa. Em 1996, transferiu-se para a TV Globo, onde apresentou o programa Angel Mix e atuou nas telenovelas infantis Caça Talentos, Flora Encantada e Bambuluá. Posteriormente, Angélica modificou sua imagem e passou a apresentar programas voltados para o público jovem-adulto, como Vídeo Game, o talent show Fama, Estrelas e Simples Assim. Em 2021, assinou com a plataforma HBO Max e apresentou o programa Jornada Astral. Em 2023, retornou à Globo na série "Angélica: 50 & Tanto". Atualmente comanda o programa Angélica Ao Vivo no canal GNT.
Também interpretou músicas sendo contratada pela gravadora CBS aos 14 anos de idade para divulgar suas faixas em seus programas de TV. Seu primeiro álbum no ano de 1988 acabou lhe projetando para o sucesso nacional com o hit "Vou de Táxi" vendendo mais de 1,2 milhões de cópias, entre os anos de 1988 e 2001 acabou lançando 13 álbuns de estúdio, nesse período esteve nas gravadoras CBS, Columbia e Universal. Além da carreira na televisão e na música, Angélica também atuou em diversos filmes e licenciou várias linhas de produtos com sua marca e imagem ao longo dos anos.
Filha da dona de casa Angelina Ksyvicks e do metalúrgico Francisco Ksyvicks, tendo ainda como irmã mais velha a empresária Márcia Marbá, Angélica nasceu em 30 de novembro de 1973. Seu nome é em homenagem à mãe Angelina que, após diversas tentativas de ter um segundo filho, conseguiu engravidar de uma menina. Nascida em Santo André, região do ABC Paulista, foi criada em São Bernardo do Campo. Tem uma pinta nevos de nascença na perna esquerda, que sempre foi sua marca registrada.
Angélica, apesar do sobrenome lituano, também tem ascendência polaca, italiana, austríaca, russa, portuguesa, croata, romena, moldava, ucraniana e indígena piquerobi.
Quando Angélica tinha apenas 4 anos, presenciou um assalto em sua casa, no qual seu pai, Francisco Ksyvicks, foi baleado. Esse trauma a afetou profundamente, levando-a a se isolar e ter dificuldades em lidar com outras pessoas, foi quando sua mãe Angelina Ksyvicks à levou em uma gravação do programa de auditório Buzina do Chacrinha, na TV Bandeirantes. Lá chamou a atenção do apresentador Abelardo Barbosa, que fez com que ela participasse do programa, vencendo o concurso "A Criança mais bonita do Brasil", junto com outra concorrente, Helen Mara Michelet. Após vencer o concurso, Angélica se tornou uma das modelos infantis mais requisitadas do país e durante sua infância participou de inúmeros comerciais, editoriais de moda, capas de revistas e desfiles. Em 1986 foi convidada através de um empresário musical a integrar o grupo infantil Ultraleve, inspirado no Balão Mágico, que também trazia Rodrigo Faro e Ticiane Pinheiro, porém o grupo teve vida curta e não chegou a gravar músicas, uma vez que os três foram convocados para se tornarem apresentadores em emissoras diferentes.
1987–1993: Início na TV Manchete
Começou como apresentadora de TV em 1987, após ser descoberta pelo diretor Maurício Sherman nos bastidores da TV Manchete em uma divulgação do grupo Ultraleve. Segundo o diretor, ele percebeu na jovem um grande potencial artístico para ser uma nova apresentadora de programas infantis e a convidou para participar de testes de gravação. Pouco depois, Angélica assinou contrato com a emissora de Adolpho Bloch e iniciou sua carreira na televisão no programa infantil Nave da Fantasia no dia 6 de abril de 1987, substituindo Simony que migrava para o SBT, e também no juvenil Shock. Porém, o sucesso maior veio quando substituiu a apresentadora Xuxa no comando do Clube da Criança a partir do dia 12 de outubro de 1987. Inicialmente Angélica tinha a companhia de Ferrugem na apresentação do infantil, mas logo o ator deixou o programa e Angélica passou a apresentar sozinha, alcançando grande prestígio na imprensa não apenas pela sua maneira de conduzir o Clube, com os bordões "Um Beijãozão" e "Bye que Bye Bye Bye", mas principalmente por sua beleza e charme. O programa tinha brincadeiras, desenhos animados e atrações musicais, e ia ao ar nas tardes de segunda à sexta das 16h às 19h, registrando bons índices de audiência para o canal e transformando a apresentadora em um dos ícones infantis da televisão brasileira nas décadas de 80 e 90, além dos desenhos animados, o programa foi o portão de desembarque para a febre tokusatsu no Brasil, como Jaspion, Changeman, Flashman, e outros, e contava com várias assistentes de palco primeiramente intituladas de Clubetes, tendo as atrizes Camila Pitanga e Joana Limaverde e posteriormente as Angelicats e Angels, entre elas as atrizes Giovanna Antonelli, Juliana Silveira, Amanda Pinheiro, Karine Carvalho, Micheli Machado e Geovanna Tominaga. Logo a apresentadora vira uma marca de sucesso em licenciamentos, lançando LP´s, bonecas, brinquedos e cosméticos, além de ter sido personagem de quadrinhos lançados pela Bloch Editores.
A partir de 6 de agosto de 1988 paralelamente ao Clube da Criança, Angélica também passou a apresentar nas tardes de sábado da TV Manchete o programa de atrações musicais Milk Shake, o programa era feito de "uma porção de som, pitadas de humor e algumas doses de entrevistas". Milk Shake era exibido às 16h. O horário estava "órfão" do Cassino do Chacrinha, da Globo, devido à morte do apresentador Abelardo Barbosa em 30 de junho. A emissora não escondeu a intenção de angariar a audiência que a concorrente havia perdido com a morte do "Velho Guerreiro". De fato, o Milk Shake com Angélica conseguiu avançar na guerra dos números se tornando um sucesso de audiência. O cenário era composto por carros e motocicletas da década de 1960 que dividiam espaço com letreiros em neon. Com o sucesso na TV Angélica acaba sendo contratada pela gravadora CBS Records, e no mesmo ano de 1988 lança seu primeiro álbum de estúdio, que lhe rendeu o hit "Vou de Táxi" música que atinge as paradas de sucesso da época. Nos anos seguintes Angélica voltaria a lançar outros discos que acabavam tendo uma forte divulgação tanto no Clube da Criança quanto no Milk Shake. A seleção de convidados musicais do Milk Shake ia do samba ao rock, passando pela música sertaneja. Com apenas 14 anos de idade Angélica recebia RPM, Dominó, Barão Vermelho, Paralamas do Sucesso, Fábio Junior, Pepeu Gomes, Rosanah entre muitos outros. Além dos números musicais, havia também espaço para a dramaturgia. Angélica treinava seu lado atriz em esquetes relacionadas ao tema de cada episódio, toda semana com um enredo diferente. Para a própria Angélica, o Milk Shake representou um grande passo para a sua carreira na televisão e uma grande contribuição para a revelação de seu talento não apenas diante das crianças, como também do público jovem.
Ainda na Rede Manchete, protagonizou em 1991 a minissérie O Guarani, no papel de Cecília de Mariz. A apresentadora permaneceu na Manchete por 6 anos, de 1987 até 1993, sendo esse considerado um período de muito sucesso.
Em dezembro de 1992, em meio a uma grave crise na Manchete, as gravações dos seus programas foram suspensas, a Rede Manchete havia sido vendida para o grupo IBF. A emissora ainda renovou o contrato com Angélica em janeiro de 1993, que foi rescindido em março. Os projetos da apresentadora no canal foram cancelados em razão de sua saída. Se ela tivesse permanecido tanto o Milk Shake quanto o Clube da Criança seriam extintos. O primeiro seria substituído por um dominical, Angélica Total; o segundo, pelo TV Angélica. Como o nome já diz, o ‘TV’ pretendia brincar com as atrações televisivas e seria dirigido por Jorge Queiroz, recém-saído do também extinto Xou da Xuxa na TV Globo, o programa contaria com sátiras dos apresentadores, jornalistas e novelas. Em abril de 1993 ela decidiu ir para o SBT, para comandar um programa infantil diário nas tardes do canal de Silvio Santos. Em 1988, Silvio Santos já havia oferecido um contrato em branco para Angélica ir para o SBT, porém, ela recusou, permanecendo na Manchete, cujo contrato foi renovado com um bom reajuste de salário. Angélica havia conquistado seu espaço nas tardes da TV Manchete e segundo seu empresário, não seria um bom negócio ir para o SBT, que já tinha Mara Maravilha como destaque na programação. Antes de firmar o acordo com o SBT, a apresentadora também entrou em negociações com a TV Globo, que pretendia mantê-la em um programa musical jovem e aproveitá-la em novelas, mas, com vários contratos publicitários direcionados ao público infantil, ela preferiu aceitar a oferta do SBT. No dia que assinou o seu contrato com o SBT, que foi transmitido ao vivo na época pelo programa Aqui Agora, Angélica recebeu uma correspondência de Adolpho Bloch (dono da Rede Manchete) dizendo que ela não deixasse a emissora, porque ele havia reassumido o controle da empresa, mas, a essa altura Angélica já havia assinado contrato com a emissora de Silvio Santos.