Andrew Geddes Bain (Thurso, batizado em 11 de junho de 1797 — Cidade do Cabo, 20 de outubro de 1864) foi um geólogo, engenheiro de rodovias, paleontólogo e explorador britânico nascido na Escócia, considerado o "pai" da Geologia da África do Sul. Ele é particularmente conhecido como construtor de estradas e de vários passos de montanhas famosos, incluindo o Passo Vanryneveld perto de Graaff-Reinet, o Passo Michell perto de Ceres e o Passo Bain's Kloof perto de Wellington.
Andrew Geddes Bain nasceu em maio de 1797 em Thurso, Caithnesshire, na Escócia, e batizado em 11 de junho de 1797. É filho único de Alexander Wright Bain e Jean Geddes, ambos falecidos quando ele ainda era criança. Nestas circunstâncias, foi criado por uma tia em Edimburgo, onde recebeu a sua educação. Em outubro de 1816, emigrou a bordo do Princess Charlotte para a Colônia do Cabo, acompanhado pelo seu tio, o tenente-coronel William Geddes do 83.º Regimento, que estava estacionado no Cabo. Em 16 de novembro de 1818, ele se casou com Maria Elizabeth von Backström no Cabo. Ela era filha de um tradutor proficiente em inglês, francês, alemão e holandês. O casal teve onze filhos, oito meninas e três meninos. Em 1822, ele se estabeleceu em Graaff-Reinet, onde era comerciante geral e seleiro. Em 1825, acompanhou seu parceiro, John Burner Biddulph, em uma expedição comercial a Kuruman, a estação missionária na borda do Calaári. Lá, eles entraram em contato com o Dr. Robert Moffat, famoso explorador e sogro de David Livingstone. Eles viajaram mais para o norte e chegaram a Dithubaruba, no protetorado da Bechuanalândia, tornando-se os primeiros brancos registrados a retornar com segurança de tão longe ao norte. No retorno, suas carroças estavam cheias de marfim.
Em 1829, ele e Biddulph viajaram para a região da atual Kokstad, mas foram forçados a retornar por negros que fugiam de Dingaan. Nessas viagens, descobriu seu talento para escrever e desenhar e, de volta para casa, tornou-se um ávido escritor de cartas e colaborador de jornais locais, como o The Graham's Town Journal e o South African Commercial Advertiser. Devido a esses escritos, ele se envolveu em vários processos por difamação, incluindo um com o líder Voortrekker Gerrit Maritz. Pouco após seu retorno, ele construiu um passo de montanha em Oudeberg e, em 1832, recebeu uma medalha especial por sua supervisão do passo Van Ryneveld em Graaff-Reinet. Em agosto de 1834, partiu novamente em uma grande viagem para Bechuanalândia, mas perdeu todos os seus bens em um confronto com os moselekatse e os matabeles. Quando retornou a Graaff-Reinet em dezembro de 1834, relatou o impacto da guerra fronteiriça de 1834–1835. Em 1835, foi nomeado comandante das tropas de Beaufort, perto da atual Alice, e recebeu uma fazenda de 3 mil hectares. Ele perdeu essa fazenda novamente em 1837, quando a zona-tampão onde a fazenda estava localizada foi abolida e as terras foram devolvidas aos xossas.
A esposa de Andrew faleceu em 19 de novembro de 1857 em Grahamstown, após o que ele se casou com Theodora Cornelia Scheepers. Eles tiveram uma filha, Agnes Elizabeth Catherine Maria, que nasceu em 22 de agosto de 1858.
Ele morreu na Cidade do Cabo em 20 de outubro de 1864 e enterrado no cemitério de Maitland.
Embora não tivesse formação nessa área, Bain era um engenheiro nato e recebeu uma medalha especial em 1832 pela supervisão da construção do passo Van Ryneveld, perto de Graaff-Reinet. Foi encarregado da construção de uma estrada militar através do passo Ecca e desempenhou essa tarefa tão bem que foi permanentemente contratado pelo Corpo Real de Engenharia nessa função e, entre 1837 e 1845, construiu várias estradas. Durante esse período, foi responsável pela construção da ponte sobre o rio Fish, na época a maior ponte do país, bem como pela Queen's Road, de Grahamstown a Fort Beaufort. Em 1845, o Corpo Real de Engenharia foi reorganizado e seus serviços foram encerrados com uma breve nota de agradecimento. John Montagu, que se tornou Secretário Colonial do Cabo em 1843, nomeou-o então inspetor de estradas na Província Ocidental. Ele construiu, entre outros, o passo Meiringspoort perto de Ceres, de 1846 a 1848, e o passo Bainskloof perto de Wellington, de 1849 a 1854, usando a técnica de alvenaria de pedra solta. Essas estradas são conquistas científicas notáveis para a época, já que a dinamite ainda nem estava disponível. O pessoal à disposição de Bain era composto por equipes de prisioneiros. Em 1860, ele começou a trabalhar no passo de Katberg, entre Fort Beaufort e Queenstown, mas morreu antes de concluí-la. Durante sua vida, construiu oito grandes passos nas montanhas. Seu filho, Thomas Charles Bain, também se tornou conhecido como engenheiro rodoviário na África do Sul.
Ao longo de sua carreira, ele desenhou a fauna e a flora sul-africanas, que mais tarde se tornaram obras africanas muito procuradas. Enquanto trabalhou na construção de estradas, seu interesse pela geologia foi despertado e, com a ajuda do livro Princípios de Geologia, de Charles Lyell, ele aprendeu sozinho sobre o assunto. Em seguida, realizou várias expedições geológicas e paleontológicas. Bain iniciou sua investigação pioneira sobre a geologia da África do Sul em 1837 e, em 1844, enviou fósseis de muitos répteis, incluindo o do Dicynodon (1838), extraído dos Leitos Karroo perto de Fort Beaufort e descrito na literatura por Richard Owen. Bain dedicou todo o seu tempo extra aos estudos geológicos e preparou em 1852 a primeira carta geológica abrangente da África do Sul, obra de grande mérito, publicada pela Sociedade Geológica de Londres em 1856.
Ele também concluiu a primeira descrição geológica da terra desde a foz do rio Great Fish até Colesberg, o que causou grande entusiasmo. No ano seguinte, recebeu uma recompensa de 200 libras por sua pesquisa. Roderick Murchison e Henry de la Beche, geólogos proeminentes, recomendaram sua nomeação como Geólogo do Cabo em 1852, mas na época não havia fundos coloniais disponíveis para esse fim. Ele é, portanto, considerado o pai da geologia sul-africana. Em 1854, foi para Namaqualândia e chamou a atenção do governo para as minas de cobre da região. Enquanto estava de licença médica em 1864, visitou a Inglaterra, onde foi recebido por Richard Owen, do Museu Britânico, e Roderick Murchison, da Real Sociedade Geográfica, e nomeado membro honorário do Athenaeum Club.
Em sua juventude, suas críticas francas e bem-humoradas lhe renderam muitos inimigos. Nos últimos anos, seu espírito aventureiro, humildade diante do sucesso e humanidade o tornaram querido pelo povo da Cidade do Cabo. Seus Journals foram publicados pela Fundação Van Riebeeck em 1949. Um monumento em sua homenagem foi inaugurado no cume do Eccapas, na Queen's Road, em 7 de setembro de 1964, e uma placa no cume do passo de Bainskloof, em 14 de setembro de 1953.
No Museu Britânico está armazenado um manuscrito, de 1846, de autoria de Bains, listando os fósseis sul-africanos, que consiste de 31 painéis. Uma parte de seu espólio encontra-se no arquivo da Universidade de Witwatersrand de Joanesburgo.
Enquanto morava em Grahamstown, ele escreveu esquetes satíricos para grupos teatrais amadores locais, incluindo Kaatje Kekkelbek, que ele provavelmente coescreveu com George Rex. Nesses esquetes, Kaatje zomba com sagacidade de John Philip, do reverendo Read e de outros missionários da época, mas os bôeres e os colonos ingleses também são alvo de suas críticas. O subtítulo da peça é A Vida entre os Hotentotes e ela procura retratar o comportamento dos coissãs convertidos da estação missionária de Bethelsdorp, provavelmente da perspectiva daqueles que viviam perto da missão, embora seja apresentada como um monólogo pelo personagem principal. Há incerteza quanto à data e ao local da primeira publicação deste texto. Segundo P. W. Laidler em The Annals of the Cape Stage, a peça data de 1834 e já havia sido encenada em 25 de outubro de 1838 pelo Graham's Town Amateur Theatre, com a autoria atribuída a Bain e George Rex. J. du P. Scholtz afirma em O africâner e sua língua 1806–1875 que a peça apareceu pela primeira vez em 4 de março de 1839 no South African Sentinel. Segundo Frederik Bosman em Drama and Theatre in South Africa, as referências a certas pessoas na peça tornam impossível que ela tenha sido criada antes de outubro de 1843, e o texto mais antigo conhecido é o que apareceu no jornal da Cidade do Cabo, Sam Sly's African Journal, em 20 de agosto de 1846.