Andrea di Pietro della Gondola, vulgo Palladio (Pádua, 30 de novembro de 1508 – Vicenza, 19 de agosto de 1580) foi um arquiteto renascentista italiano ativo na República de Veneza. Palladio, influenciado pela arquitetura romana e grega, principalmente por Vitruvio, é amplamente considerado um dos indivíduos mais influentes da história da arquitetura. Embora tenha projetado igrejas e palácios, era mais conhecido por casas de campo e vilas. Seus ensinamentos, resumidos no tratado de arquitetura Os Quatro Livros da Arquitetura, lhe renderam amplo reconhecimento.
A cidade de Vicenza, com seus 23 edifícios projetados por Palladio, e suas 24 vilas no Vêneto estão listadas pela UNESCO como parte de um Patrimônio Mundial chamado Cidade de Vicenza e das Vilas Palladianas do Vêneto. As igrejas de Palladio estão localizadas dentro do Patrimônio Mundial da UNESCO "Veneza e sua Lagoa".
Andrea nasceu em Pádua, então parte da República de Veneza, na Itália. Sobre sua vida pessoal pouco é conhecido. Iniciou sua carreira como cortador de pedra, tendo estudado no atelier do escultor Bartolomeo Cavazza da Sossano. Em 1524 mudou-se para Vicenza, sendo admitido na oficina Pedemuro de cantaria e construção. Quando estava com cerca de trinta anos e já trabalhava como construtor seu talento chamou a atenção do conde Gian Giorgio Trissino, um afamado humanista, que se tornou seu mentor e deu-lhe o apelido de Palladio, a partir de um personagem de seu poema épico A Itália liberta dos Godos, e providenciou para que ele recebesse uma educação humanista esmerada com uma ênfase na arquitetura. A partir de então Palladio entrou em contato com o pensamento de arquitetos canônicos como Vitrúvio e Alberti, e de tratadistas contemporâneos como Sebastiano Serlio, e viajou várias vezes para Roma a fim de realizar desenhos e medições exatas das ruínas antigas, desvendando seu sistema de proporções. Seus estudos resultaram nos livros L'Antichità di Roma, publicado em 1554, na verdade mais um guia turístico como muitos que circulavam na época, descrevendo os monumentos antigos mais importantes, mas já abordando os temas principais de seu interesse, e Descrizione delle chiese in la Cità di Roma, do mesmo ano, cujo caráter era acima de tudo o de um roteiro piedoso pelas igrejas da cidade, mas tratando também da técnica de construção. Com esses livros em seu crédito, Palladio ergueu-se na cena como uma autoridade. Sua consagração definitiva veio logo em seguida, quando em 1556 o celebrado humanista Daniele Barbaro, que havia se tornado seu novo patrono depois da morte de Trissino, publicou uma edição da obra de Vitrúvio que superou todas as que então existiam, traduzida para o vernáculo e acrescida de extensos comentários eruditos, ilustrado com reconstruções de prédios desaparecidos da Antiguidade feitas pelo próprio Palladio, e elogiando seu protegido por sua vivacidade mental e sua habilidade de entender os mais belos e sutis princípios da antiga arquitetura. Tornou-se então uma figura notória, obtendo o favor de importantes aristocratas e tornando-se amigo de intelectuais, chegando a se tornar membro da prestigiosa e exclusivista Academia de Florença. Em 1570, com uma carreira já consolidada e grande prestígio, publicou uma obra que se tornaria fundamental na história da arquitetura moderna, I Quattro Libri dell'Architettura, em quatro volumes e fartamente ilustrado, onde discutia seu próprio trabalho bem como o resultado de suas pesquisas sobre a arquitetura clássica. Abordava as ordens arquitetônicas, a edificação doméstica e pública, o urbanismo e a construção sacra, e considerava o modelo antigo indispensável para a formação de uma verdadeira civilização, mas não obstava a criação original a partir dele. Disse que '"não é vedado ao arquiteto afastar-se algumas vezes do uso comum, pois tais variações são graciosas, e se baseiam na natureza". As ruínas antigas então visíveis eram principalmente prédios públicos, pouco se sabia da habitação romana, e com isso ele ofereceu seus próprios projetos como exemplos idealizados, estabelecendo com eles o mais coerente sistema de proporções edilícias do Renascimento. Além de apresentar suas ideias de uma forma inovadoramente sucinta e objetiva, o livro introduziu um novo sistema de ilustração arquitetônica com vistas múltiplas e detalhes em separado a fim de fornecer a maior quantidade possível de informações exatas. I Quattro Libri dell’Architettura desde então se tornou canônico, sendo, com a exceção da obra vitruviana, o mais influente tratado de arquitetura de todos os tempos.
Sua produção está toda na região do Vêneto, com um bom número de prédios na cidade de Vicenza e alguns em Veneza, e muitos outros espalhados pelo interior. A República de Veneza, que dominava a região como uma potência naval, em meados do século XVI estava tendo de enfrentar a competição de rotas comerciais oceânicas que começavam a minimizar a importância da navegação mediterrânea. Entrando o comércio marítimo em declínio, a elite veneziana passou a se interessar pela aquisição de propriedades em terra firme, estabelecendo fazendas e ali erguendo villas para poder administrar seus investimentos rurais mais diretamente e com mais eficiência, ao mesmo tempo desejando tornar a sede rural uma mansão confortável e sofisticada, que fosse capaz de receber as nobres famílias dignamente para temporadas de descanso e prazer. O caso de Vicenza, onde está a maior concentração de suas obras, foi um pouco diferente. Seu patriciado era ideologicamente muito mais coeso do que o veneziano, tendo fechado as portas para a absorção de novos-ricos em suas fileiras, o que a tornou um baluarte de um humanismo aristocrático e conservador. Mas era uma cidade provinciana, sem qualquer expressão significativa na política da República. A solução que sua aristocracia encontrou para afirmar seu status foi a construção de palacetes urbanos imponentes, e sua ambição excessiva se revela na quantidade de projetos que nunca foram levados a cabo. De qualquer forma, a forte inclinação de Palladio para a arquitetura da Roma Antiga o tornou uma figura de eleição para que a elite pudesse contestar simbolicamente a supremacia veneziana, que alimentava uma estética edilícia bem mais eclética. Mas do mesmo modo que os venezianos, os vicentinos também ergueram diversas mansões rurais, com os mesmos objetivos de administração prática e recreio. Palladio projetou igrejas, palácios e palacetes urbanos e outros edifícios, mas foram suas villas rurais que lhe granjearam a maior estima de seus contemporâneos e dos pósteros, a ponto de um grande conjunto delas, com 47 exemplares, ser hoje Patrimônio Mundial conforme declaração da UNESCO.
Segundo Tavernor a arquitetura de Palladio é uma síntese entre os altos vôos do idealismo social de seu tempo com uma preocupação de atender às necessidades práticas de habitabilidade como a base de um bom projeto, aliando funcionalidade, conforto e estabilidade com a beleza e um simbolismo significativo. Nisso ele era um claro continuador de Vitrúvio, que recomendava ao arquiteto obter de um edifício firmitas, utilitas e venustas (solidez, utilidade e beleza) Tendo como base a espessura das paredes ele determinava todas as dimensões da casa usando proporções derivadas de consonâncias musicais, e dispunha os aposentos de acordo com coordenadas modulares. As mesmas preocupações de integração total entre espaços, funções e estética norteavam suas ideias urbanísticas, e dizia que "a cidade não seja mais do que uma grande casa, e que a casa seja uma pequena cidade". Palladio organizava a planta de modo a associar organicamente ao corpo principal da casa outras dependências para armazenagem de equipamentos e da produção agrícola, formulando um modelo geral que se tornou sua marca registrada, onde, usando um número de elementos formais relativamente limitado, conseguia criar soluções elegantes e de enorme variedade, e empregando materiais econômicos. A villa palladiana é inovadora porque, segundo Pevsner,