André Luis Gaspar Janones (Ituiutaba, 5 de maio de 1984) é um advogado, influenciador digital e político brasileiro filiado à Rede Sustentabilidade (REDE). É deputado federal por Minas Gerais desde 2019, eleito pelo Avante em 2018 e 2022 e pela REDE em 2026.
Ganhou projeção nacional nas redes sociais durante a greve dos caminhoneiros no Brasil em 2018 e, na pandemia de COVID-19, com a defesa do Auxílio Emergencial. Lançou pré-candidatura à Presidência da República em 2022, mas desistiu para apoiar Luiz Inácio Lula da Silva e passou a atuar na estratégia digital da campanha petista. Nesse período, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mandou remover publicações suas por considerá-las desinformação, e o próprio deputado descreveu seus métodos como "eticamente duvidosos" no livro Janonismo cultural, de 2023, embora negue ter divulgado notícias falsas. Na eleição presidencial de 2026, criou e administrou o canal "Exército do Lula" no WhatsApp, que reuniu cerca de 10 milhões de seguidores.
Em 2025, firmou com a Procuradoria-Geral da República um acordo de não persecução penal, homologado pelo Supremo Tribunal Federal, no qual admitiu irregularidades no inquérito sobre a prática de "rachadinha" em seu gabinete e se comprometeu a pagar 157,8 mil reais. No mesmo ano, teve o mandato suspenso por três meses pelo Conselho de Ética da Câmara por ofensas ao deputado Nikolas Ferreira. A Justiça de Minas Gerais concedeu à sua ex-companheira, a prefeita de Ituiutaba Leandra Guedes, medida protetiva com base na Lei Maria da Penha, após acusação de ameaça de divulgação de imagens íntimas, que Janones nega.
Nasceu em Ituiutaba, em 5 de maio de 1984, filho de Divina Gaspar Janones.
Seu primeiro emprego foi como cobrador de ônibus entre 2003 e 2005. Em 2004, conseguiu uma bolsa de estudos na então Fundação Educacional de Ituiutaba, hoje Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG).
Em 2005, passou a trabalhar como escrevente no Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG), em Ituiutaba. Em 2008, foi aprovado no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e constituiu seu escritório André Janones & Advogados Associados.
É membro da Igreja Batista da Lagoinha.
Em 2016, candidatou-se a prefeito de Ituiutaba pelo Partido Social Cristão (PSC), terminando em segundo lugar, com 13 759 votos (24,40% dos votos válidos). Ganhou notoriedade ao se apresentar como uma das principais lideranças da greve dos caminhoneiros no Brasil em 2018, movimento do qual se tornou porta-voz nas redes sociais sem nunca ter sido caminhoneiro, e, em decorrência disso, foi eleito deputado federal pelo Avante nas eleições de 2018. Foi o terceiro deputado federal mais votado de Minas Gerais, com 178 660 votos (1,77% dos votos válidos). Recebeu destaque durante as votações do Auxílio Emergencial, quando uma de suas transmissões ao vivo no Facebook chegou a ser a mais comentada do mundo ocidental, com 3,3 milhões de visualizações e 177 mil comentários, igualando a marca da cantora sertaneja Marília Mendonça.
Sua pré-candidatura à Presidência da República pelo Avante foi oficializada em 29 de janeiro de 2022. Em entrevista ao jornalista Roberto D'Ávila, exibida pela GloboNews em 12 de abril de 2022, afirmou não ter "uma análise profunda sobre a Argentina" e, perguntado sobre o nome do presidente do país, respondeu que era Emmanuel Macron, presidente da França; o mandatário argentino era Alberto Fernández. Após um silêncio, acrescentou "da França" e confirmou que Macron presidia aquele país. Também disse não saber quem governava a China. Justificou que um presidente precisa saber "muito mais o que o trabalhador, a empregada doméstica, o pedreiro está precisando", citou preços do gás de cozinha, do arroz e do feijão e declarou: "posso te falar a cesta básica inteira [...] Isso eu entendo muito bem, muito mais do que política externa". Questionado se estudaria o tema, respondeu que aprenderia "no exercício do mandato". Em 4 de agosto de 2022, durante uma transmissão ao vivo ao lado do ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou a desistência da candidatura para apoiar o petista: "A partir desse momento a nossa candidatura está unificada e passa a ser representada pela candidatura do presidente Lula", declarou. Após a desistência, passou a colaborar com as redes sociais de Lula.
Em 2 de agosto de 2022, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) cassou as candidaturas do Avante à Câmara dos Deputados em 2018, entre elas a de Janones, depois que o Ministério Público Eleitoral denunciou que o partido havia registrado candidaturas femininas de forma fraudulenta para simular o preenchimento da cota de gênero. Janones declarou que a decisão não tinha efeito imediato e que recorreria ao TSE.
Na eleição presidencial de 2022, atuou nas redes sociais da campanha de Lula adotando técnicas que a imprensa associou ao bolsonarismo. Embora tivesse menos seguidores que Jair Bolsonaro, ampliou o engajamento a favor de Lula com uma tática descrita como de "guerrilha", centrada em publicações destinadas a desgastar a imagem do adversário, o que lhe valeu os apelidos de "cachorro louco" e "Carluxo da esquerda". Em entrevista ao Estado de Minas em outubro de 2022, defendeu o uso das "mesmas armas" atribuídas ao grupo de Bolsonaro para "salvar a democracia", acrescentando que ninguém conseguia apontar qual notícia falsa ele teria divulgado. Seu estilo de publicações ganhou o nome de "janonismo cultural" e repercutiu no exterior: participou de documentário nos Estados Unidos sobre como enfrentar a direita nas redes sociais, deu entrevistas sobre o assunto à The New Yorker e à Al Jazeera e foi convidado a palestrar na conferência EuroLeads, em Lisboa.
Durante o primeiro debate presidencial na Band, em agosto de 2022, discutiu na sala de convidados com o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles ao afirmar que o desmatamento havia sido menor no governo Lula do que no governo Bolsonaro; os dois tiveram de ser separados por seguranças.
Agências de checagem e veículos de imprensa identificaram como falsas ou distorcidas diversas publicações suas na campanha, entre elas: o suposto fim do Auxílio Brasil; a afirmação de que Roberto Jefferson seria coordenador informal da campanha presidencial de Jair Bolsonaro; a de que Bolsonaro nomearia o ex-presidente Fernando Collor de Mello ministro, se reeleito; a de que Bolsonaro teria feito um pacto com a maçonaria para vencer a eleição de 2018; a de que o ex-jogador Robinho, condenado por estupro na Itália, não seria extraditado por apoiar Bolsonaro; a de que o Partido Liberal (PL), partido de Bolsonaro, estaria por trás da suspensão do piso salarial da enfermagem; e a de que Bolsonaro havia defendido a redução do salário mínimo.
O TSE monitorou diariamente suas contas durante o segundo turno e ordenou a remoção de várias de suas publicações. Em 8 de setembro de 2022, o ministro Paulo de Tarso Sanseverino determinou que o Twitter e o Facebook excluíssem postagens que relacionavam Bolsonaro à suspensão do piso da enfermagem, por considerar que divulgavam afirmações "inverídicas e manipuladas". Em resposta à jornalista Vera Magalhães, Janones havia escrito que não divulgara notícia falsa, mas apenas deixara "uma fala no ar", como, segundo ele, faziam os adversários. Em 24 de outubro, o presidente do TSE, Alexandre de Moraes, mandou retirar publicações que associavam Bolsonaro ao ataque de Roberto Jefferson a agentes da Polícia Federal e proibiu novas postagens com esse teor, sob multa diária de 100 mil reais; Janones afirmou que cumpriria a decisão. Em agosto, o ministro Raul Araújo havia negado pedido da campanha de Bolsonaro para remover um vídeo em que Janones responsabilizava o então presidente pelas mortes na pandemia.
O Progressistas (PP) e o PL apresentaram representações ao Conselho de Ética da Câmara pedindo a cassação de seu mandato pela divulgação de notícias falsas contra Bolsonaro. Em defesa de Janones, o cientista político Pedro Castelo Branco, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, avaliou que suas publicações eram agressivas e por vezes tiradas de contexto, mas que não inventavam fatos, e criticou a equiparação com a atuação bolsonarista nas redes.