Anaurilândia é um município brasileiro do estado de Mato Grosso do Sul, na Região Centro-Oeste. Está situado no leste do estado, na antiga mesorregião do Leste de Mato Grosso do Sul e na microrregião de Nova Andradina; na divisão regional vigente do IBGE, pertence à região imediata de Nova Andradina e à região intermediária de Dourados.
O município tem 3 415,657 km² e população de 7 653 habitantes no Censo 2022, sendo 4 537 na área urbana e 3 116 na área rural. A estimativa do IBGE para 2026 é de 7 643 habitantes.
A história do município remonta ao início do século XX, quando a região foi ocupada por colonos atraídos pela extração da erva-mate. O povoado formou-se a partir do loteamento da fazenda Água Amarela e recebeu o nome de Vila Água Amarela; foi elevado a município em 11 de novembro de 1963, com a denominação atual, em homenagem a Anaurelíssia Gonzáles, esposa do fundador Ciriaco Gonzáles. A economia municipal baseia-se na agropecuária, com destaque para a soja, o milho e a mandioca, além da bovinocultura.
O topônimo Anaurilândia foi adotado quando da criação do município, em 1963, em homenagem a Anaurelíssia Gonzáles, esposa do fundador do povoado, Ciriaco Gonzáles. Antes disso, a localidade era conhecida como Vila Água Amarela, denominação associada à fazenda Água Amarela, de propriedade do fundador, e à região homônima.
O gentílico registrado pelo IBGE é anaurilandense.
Colonização e formação do povoado
Em 1916, os pioneiros Ciriaco Gonzáles e o major Cecílio Manoel da Costa Lima chegaram à região e radicaram-se às margens do Riacho Quiteroizinho. Segundo o histórico municipal, no dia 19 de janeiro de 1940 Ciriaco Gonzáles adquiriu 5 870 hectares de terras na região então denominada Água Clara, que a partir de 1948 começou a ser loteada com o objetivo de formar um povoado; foram vendidos inicialmente 56 lotes, com a construção das primeiras moradias, dando origem ao povoado de Água Amarela.
A decisão de lotear parte da fazenda foi influenciada por Deocleciano Paes, irmão de Anaurelíssia Gonzáles, que estimulou o cunhado a edificar o povoado. A principal atividade econômica da região era a exploração da erva-mate, planta nativa; o principal ervateiro foi Eduardo Fernando dos Santos, representante da Companhia Mate Laranjeira. O café foi introduzido na localidade por José Martins. O primeiro porto de navegação da região foi o Porto Sete de Setembro, descoberto por uma caravana reunida por Ciriaco Gonzáles e Cristiano Severino da Silva e comandada por José Lito. No comércio, destacou-se como pioneiro Edufo Quinhone, que trazia mercadorias de São Paulo pelo Porto São José para comercializar na região.
Em 1951, Ciriaco Gonzáles construiu a primeira igreja e, ao lado dela, a primeira escola, que teve como professoras Paulo Ney e Lurdes, filha de Deocleciano Paes. Um mutirão foi organizado na antiga Vila Água Amarela para construir a escola reunida; anos depois, com a morte de Deocleciano Paes, a escola passou a denominar-se Escola Reunida Maria José. O histórico municipal registra ainda a presença de diversos pioneiros na ocupação da área, entre eles Joventino de Alemão, José Martins dos Santos, Eduardo Fernando dos Santos, Cristiano Severino da Silva, José Lemes de Godoy, Antônio Francisco Faria, Manoel Alves, Izidoro Pereira de Souza, José Pardini e Clementino Antônio Quilin. Luciano da Costa Lima é apontado como fundador do distrito de Quebracho, atualmente distrito de Anaurilândia.
O distrito de Anaurilândia foi criado pela lei estadual n.º 672, de 11 de dezembro de 1953, com terras desmembradas do distrito de Ivinhema e subordinado ao município de Bataguassu. Nas divisões territoriais de 1955 e 1960, o distrito figurava no município de Bataguassu.
O município foi criado pela lei estadual n.º 1.948, de 11 de novembro de 1963, desmembrado de Bataguassu, com sede no antigo distrito; a instalação ocorreu em 25 de abril de 1965, data em que se comemora a emancipação política. Com a criação do estado de Mato Grosso do Sul pela lei complementar federal n.º 31, de 11 de outubro de 1977, Anaurilândia passou a integrar a nova unidade federativa.
Anaurilândia localiza-se no leste de Mato Grosso do Sul, na divisa com o estado de São Paulo. A sede municipal situa-se a 22°11'16" de latitude sul e 52°43'04" de longitude oeste, a cerca de 367 km de Campo Grande, por rodovia. O município limita-se com Bataguassu, Batayporã e Nova Andradina, em Mato Grosso do Sul, e com Rosana, no estado de São Paulo, além de municípios paranaenses situados na margem oposta do rio Paraná.
A superfície municipal é de 3 415,657 km². No Censo 2022, a densidade demográfica era de 2,24 habitantes por quilômetro quadrado.
O clima de Anaurilândia é classificado como Cfa na classificação de Köppen, isto é, subtropical úmido, mesotérmico, com inverno brando e verão quente e precipitação significativa em todos os meses do ano. Segundo dados do INMET citados no diagnóstico técnico da Sanesul, a temperatura média é de 23 °C e a precipitação anual média situa-se entre 1 500 e 1 700 mm, sendo dezembro a março os meses mais chuvosos e junho a setembro os mais secos.
A altimetria da cidade é plana, com declividade média de 2,59% e caimento em direção ao rio Paraná, com cotas variando de 275 a 335 metros em relação ao nível do mar; não há regiões inundáveis na área urbana. No município predomina o latossolo vermelho-escuro álico, associado a argissolos, planossolos, neossolo quartzarênico e associação complexa de solos.
O município pertence à Região hidrográfica do Paraná e está inserido na Unidade de Planejamento e Gerenciamento (UPG) Ivinhema. Essa região hidrográfica ocupa aproximadamente 52,54% do território estadual, a leste, e tem entre seus cursos d'água de referência os rios Aporé, Sucuriú, Verde, Pardo, Ivinhema, Amambai e Iguatemi. O território municipal é banhado pelo rio Paraná, que faz a divisa com o estado de São Paulo, e por cursos como o rio Baía — correndo paralelo à margem direita do Paraná, em cujo alto curso era a continuidade do rio Três Barras —, o rio Quiterói e o rio Três Barras, que corta o município e deságua na lagoa Baía. Tanto a lagoa Baía quanto o trecho do rio Baía foram atingidos pelo reservatório da Usina Hidrelétrica Engenheiro Sérgio Motta, também conhecida como Usina de Porto Primavera.
A sede municipal está sobreposta à área de incidência do bioma Mata Atlântica da planície do rio Paraná, que se estende por cerca de 14% do território de Mato Grosso do Sul e inclui formações de floresta estacional semidecidual e decidual, matas ciliares e remanescentes incrustados nos biomas Cerrado e Pantanal. A fisionomia vegetal original da região da sede é a floresta estacional semidecidual, hoje majoritariamente convertida em pastagens.
No Censo 2022, Anaurilândia tinha 7 653 habitantes, dos quais 3 849 homens e 3 804 mulheres; 4 537 pessoas residiam na área urbana e 3 116 na área rural. A taxa de alfabetização das pessoas de 15 anos ou mais de idade era de 91,49%. A estimativa populacional do IBGE para 1º de julho de 2026 é de 7 643 habitantes.