Ana de Lobera Torres (Medina del Campo, 25 de novembro de 1545 — Bruxelas, 4 de março de 1621), mais conhecida como Ana de Jesús ou, no Brasil e Portugal como Ana de Jesus, foi uma freira e escritora espanhola.
Conhecida por ser uma influente mística e pelas orações por ela escritas, foi declarada uma venerável pelo papa Pio IX, e beata pelo Papa Francisco.
Filha de Diego de Lobera e de Francisca Torres, foi batizada no mesmo dia que nasceu, pois nasceu surda e muda e assim permaneceu até os sete anos de idade, até começar a falar. Não chegou a conhecer o pai, já que o mesmo morreu pouco antes do nascimento de Ana. Teve um irmão mais velho, chamado Cristóbal, que depois se tornou jesuíta.
Ao completar nove anos de idade, sua mãe Francisca Torres morreu e a tutela das crianças passou para a avó materna. No ano seguinte à tutela da avó, a criança fez voto de castidade, ainda que contra a vontade da avó, que intencionava orientá-la para o matrimônio.
Já em 1560, aos 15 anos de idade, decidi com o irmão Cristóbal junto com a avó paterna, viver em Plasencia, onde viveria por dez anos.
Aos 18 anos colocou-se sob a direção espiritual do padre Pedro Rodríguez, um jesuíta, que em 1569 foi destinado a Toledo, onde conheceu o padre Pablo Hernández, também jesuíta, que lhe falou e o apresentou a Santa Teresa que estava em Toledo. Nesse mesmo ano, Ana sofreu uma doença grave que durou três meses e tornou-se crônica com febre quartã.
Um ano depois o Pe. Pedro escreveu uma carta a Ana, que estava na Plasencia, contando-lhe sobre Santa Teresa e pedindo-lhe que a avisasse caso quisesse entrar no Carmelo. Assim como indicado pelo padre ela escreveu e pediu para Teresa de Ávila lhe indicar um local para professar e não tardou para Santa Teresa responder. Santa Teresa aceitou o seu pedido de ingresso e no dia 2 de abril, a recebe e pede para ela tratar de sua doença e a recomenda Ávila, para poder ser sua prioresa ali.
No dia 31 de julho, Ana mudou-se para Ávila, onde entrou e tomou o hábito de noviça no dia 1º de agosto, sendo recebida por María de San Jerónimo, na ausência de Teresa de Ávila, que se encontrava em Toledo, e só até meados de agosto é quando tenta a oportunidade de encontrá-la, sendo que voltaria a Ávila nesta época.
Em novembro de 1570, ele a enviou para a nova fundação em Salamanca. Em 22 de outubro de 1571 assume o hábito e a profissão. No ano seguinte, ela nomeou sua sacristã - a sacristã é a religiosa destinada em seu convento a cuidar das coisas da sacristia e fazer os serviços necessários para a manutenção da igreja - e enfermeira, segundo a santa, para distraí-la de seu egocentrismo. Ela permaneceria em Salamanca até janeiro de 1575.
Relacionamento com Santa Teresa D'Ávila
Desde o momento em que Santa Teresa d'Ávila conheceu a irmã Ana de Jesús e viu suas virtudes, tornou-se sua filha predileta, que junto com Maria de San José foram os pilares da santa em sua vida e em sua sucessão.
Em Salamanca, Ana demonstrou o seu talento e assim o testemunhou nas suas Provas. As relações privilegiadas que manteve com ela tiveram uma nota especial, a tal ponto que quando Santa Teresa a ofereceu a fundação do Carmelo de Beas, nos confins de Castela e afastada das outras fundações, ela pensa em Ana como uma peça fundamental a promove para Priora, porque sabe que cumprirá a sua missão de forma notável. Também não se esqueceu de María de San José, as três ficam em Beas por três meses. María foi comissionada como Prioresa em Caravaca de la Cruz (Múrcia), após um tempo Santa Teresa levou-a consigo para Sevilha, onde a deixou como Priora, em 18 de maio de 1575, quando viu Santa Teresa pela última vez.
Desta forma Santa Teresa pôde acalmar-se ao deixar a Andaluzia em 1576 para regressar a Castela, sabendo que os Conventos ali fundados estavam em boas mãos.
A primeira vez que ela saiu de Salamanca foi em 1575 para Beas de Segura. Lá, em abril daquele ano, conheceu o Pe. Jerónimo Gracián, então, visitando a Andaluzia.
Em outubro de 1578, ela esteve no convento de Beas e lá pode conhecer São João da Cruz, quando ele conseguiu sair da prisão depois do problema de Almodóvar. Ana, como as outras freiras, ficaram encantadas com a presença do santo e desfrutaram de sua direção espiritual.
Em janeiro de 1582, a conselho do Pe. Gracián e San Juan, Ana partiu para outra nova fundação, desta vez em Granada, acompanhada por João da Cruz e seis religiosas, onde o convento foi fundado em 21 de janeiro.
Participou também da fundação do de Málaga. Embora não esteve presente, fez de tudo para acelerar todos os procedimentos necessários.
Em julho de 1586 abriu-se outra nova fundação, a de Madrid, que até então era conhecido como um espinho ou pedra no sapato já que Santa Teresa já tinha tentando, porém não tinha conhecido, mas Ana de Jesús, quando no dia 17 de setembro junto com o Monsenhor Neroni erguem o convento dedicado para Santa Ana.