Ana Maria Maurícia de Habsburgo (Valladolid, 22 de setembro de 1601 – Paris, 20 de janeiro de 1666), foi a esposa do rei Luís XIII e Rainha Consorte da França e Navarra de 1615 até 1643, além de regente durante a menoridade de seu filho Luís XIV, entre 1643 e 1651.
Quando menina, Ana tinha cabelos claros e levemente ondulados, pele branca e um nariz pequeno e elegante. O lábio inferior era saliente, como era típico dos Habsburgos. Os olhos eram verdes escuros.
A historiadora francesa Claude Dulong, referindo-se a um retrato de Rubens no Louvre, decreve-a como: "A mesma luz solar brilhante que doura a pintura também irradiava de Ana da Áustria. Não há nada de espanhol nessa infanta espanhola. Seus olhos verdes, seu corpo rosado, sua pele de lírio e rosa, para usar o idioma da época, eram tão deslumbrantes quanto o volume de seu cabelo. Ela tinha talvez um nariz ligeiramente irregular e um lábio inferior grosso, que sugeria sangue Habsburgo, mas era essa sugestão que tornava sua boca sensual. Ana tinha um corpo pequeno, mas perfeitamente modelado, que permaneceu assim por muito tempo. Quanto às suas mãos, elas eram tão delicadas que são até mencionadas em sua oração fúnebre."
Em 1613, Ana contraiu varíola, mas a doença não afetou sua aparência.
Batizada como Ana Maria Maurícia, era filha mais velha do rei Filipe III da Espanha, da casa de Habsburgo, oriunda da Áustria, isto fazia de Ana uma infanta da Espanha e arquiduquesa da Áustria. Ela também era uma infanta de Portugal durante o domínio espanhol sobre Portugal.
Ana foi criada principalmente no Palácio Real de Alcázar em Madrid. Ao contrário do que era comum na época, Ana era muito próxima dos seus pais que eram muito religiosos. Estes deram-lhe uma educação bastante religiosa e era comum levarem-na a ela e aos irmãos a visitar mosteiros. Em 1611, a mãe de Ana morreu poucos dias depois de dar à luz o seu filho mais novo, Afonso (este morreu pouco antes de completar um ano de idade). Apesar do luto, Ana fez o seu melhor para cuidar dos seus irmãos mais novos e a família permaneceu unida até o final da sua vida.
Quando Ana tinha 10 anos, a corte espanhola iniciou as negociações de um casamento duplo entre as famílias reais da França e Espanha. O irmão de Ana, Filipe, Príncipe das Astúrias (futuro Filipe IV da Espanha), se casaria com a filha de Henrique IV da França, Isabel, e o filho e herdeiro do rei francês, Luís (futuro Luís XIII da França), desposaria Ana. No entanto, Henrique IV considerava os Habsburgos seus arqui-inimigos e descartou quaisquer planos de matrimónio. No entanto, cerca de um ano após a morte de Henrique IV, em 1612, sua viúva Maria de Médici, com o apoio do partido católico, em um reviravolta política, procurou uma aliança matrimonial com a Espanha afim de solidificar a paz entre as duas potências católicas. Finalmente, o contrato de casamento foi assinado em Fontainebleau em 22 de agosto de 1612. Filipe III, esperando que a presença da sua filha na corte francesa estimulasse os interesses espanhóis, deu-lhe instruções secretas.
Como Ana, que tinha o direito de herdar o trono espanhol, renunciou à suas reivindicações, Filipe III teve que pagar um dote de 500.000 coroas. Luís XIII prometeu que Ana receberia uma pensão de 21.000 francos por ano em caso de viuvez, e que suas "despesas de quarto" e as quantias apropriadas ao seu status e necessárias para a manutenção de sua casa seriam cobertas. Ela pode ir aonde quiser, levando consigo seu dote, bens, móveis, subordinados e criados.
Em 18 de outubro de 1615, Ana, então com 14 anos, casou por procuração na Catedral de Burgos com o jovem rei Luís XIII. O noivo foi representado pelo duque de Lerma, ministro do rei da Espanha. No mesmo dia, em Bordéus, a irmã de Luís XIII, Isabel, casou com o irmão de Ana, o Filipe, Príncipe das Astúrias. Mais tarde, em 9 de novembro, as princesas foram "trocadas" na Ilha dos Faisões, localizada na fronteira entre França e Espanha.
Na França, Ana se estabeleceu no Louvre com sua comitiva, recebeu todas as honras apropriadas, mas teve dificuldade em se conectar com sua nova família. Sua sogra, Maria de Médici, ainda detinha o título de rainha e não demonstrava respeito pela nora. Seu marido, Luís XIII, era introvertido, inclinado a homossexualidade e preferia a caça à esposa. A personalidade do marido contrastava com a de Ana, extrovertida e amante do teatro e da dança, de modo que ela preferia viver isolada em sua própria pequena corte, cercada por damas espanholas, não conseguindo melhorar seu francês.
Esse cenário só começou a se desenvolver em 1617, após Luís XIII expulsar sua mãe e o conselho católico da corte francesa. O novo favorito do rei, o duque de Luynes, ciente dos problemas diplomáticos e dinásticos que a indiferença do rei para com a rainha estava causando, tentou mediar a situação. Luynes fez com que Ana expulsasse as damas espanholas de sua corte e as substituísse por francesas. Depois, sob a influência da esposa do duque, Maria de Rohan, a rainha começou a se vestir e a se comportar como uma francesa, chegando a ser coagida a usar roupas decotadas. Diz-se que o casamento só foi consumado na primavera de 1619, quando Luynes forçou o rei a dormir com a rainha.
Por um curto período de tempo as relações entre Ana e Luís XIII melhoraram gradualmente e, quando a rainha adoeceu gravemente em janeiro de 1620, Luís permaneceu ao seu lado por um longo tempo. No entanto, Ana não foi admitida no Conselho do Rei, do qual sua sogra ainda era membro. Assim, Ana não teve oportunidade de desempenhar o papel político que seu pai esperava dela. Ademais, após três abortos espontâneos no início do casamento, parecia impossível o casal ter um herdeiro ao trono, e Ana, mais uma vez, foi privada da atenção do marido. Em 14 de março de 1622, a rainha sofreu um acidente enquanto brincava com as damas da corte nas galerias escuras do Louvre, resultando em um aborto espontâneo. Luís XIII estava zangado com ela, mas ainda mais com Maria de Rohan, duquesa de Luynes, que ele considerava imperdoável por permitir que a rainha agisse de forma tão descuidada. O rei removeu temporariamente Maria de Rohan, deixando-a com as funções de mordoma-chefe da rainha. Mas seu casamento com o duque de Chevreuse a tornou intocável. Durante o exílio de Maria de Rohan, Ana frequentemente a visitava e se correspondia com ela. A duquesa, que não tolerava o rei, exercia uma influência prejudicial sobre a rainha.
Como Habsburgo e católica devota, Ana ficou horrorizada quando o primeiro-ministro, o cardeal Richelieu, entrou em guerra contra a Espanha ao lado dos príncipes protestantes em 1635. Sob a influência da duquesa de Chevreuse, a rainha envolveu-se em várias intrigas contra as políticas de Richelieu e foi acusada de participar na conspiração do duque de Chalais contra a vida de Luís XIII e na conspiração do favorito de Luís XIII, o marquês de Cinq Mars. Em agosto de 1637, Ana foi colocada sob suspeita. Por ordem de Luís XIII, uma investigação policial foi conduzida sobre as ações da rainha. O convento de Val-de-Grâce, onde Ana tinha o costume de se refugiar, foi revistado. Luís XIII ordenou que ele assinasse uma confissão sobre sua correspondência ilícita e a sua correspondência foi então aberta. Finalmente, sua comitiva foi expurgada e a problemática duquesa de Chevreuse foi exilada.
Após vinte-e-três anos de casamento em conflito, Ana teve um encontro fatídico com o marido em 5 de dezembro de 1637. Este último estava a caminho de seu pavilhão de caça em Versalhes ou Saint-Maur, mas teve que interromper a viagem devido ao mau tempo e passar a noite no Louvre, onde a rainha havia se instalado para o inverno. Naquela época, apenas os aposentos dos senhores, onde eles viviam, eram aquecidos nos castelos. O rei foi então forçado a dormir no único quarto aquecido, que pertencia à rainha. Nove meses depois, em 5 de setembro de 1638, Ana, de 38 anos, deu à luz seu primeiro filho saudável, o delfim Luís–Dieudonné, mais tarde rei Luís XIV da França. Algum tempo depois, em 21 de setembro de 1640, Ana deu à luz um segundo filho, Filipe. Com isso, sua posição na corte estava finalmente garantida. Mesmo após estes nascimentos, Luís XIII tentou impedir que Ana conseguisse a regência da França após sua morte, o que aconteceu em 11 de maio de 1643, pouco tempo depois da morte do Cardeal de Richelieu.