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Ana Beatriz Nogueira

Atriz e produtora de teatro brasileira

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Ana Beatriz Soares Nogueira (Rio de Janeiro, 22 de outubro de 1966) é uma atriz e produtora brasileira. Artista profícua, foi laureada ao longo de sua carreira de quatro décadas com várias premiações, incluindo dois Prêmios Qualidade Brasil, um Molière e o festejado Urso de Prata do Festival de Berlim, além de ter recebido indicações para dois Prêmios Guarani e um Prêmio APTR.

Nogueira iniciou sua carreira no Teatro Amador ao lado de grandes nomes do teatro nacional. Sua estreia profissional foi em Ubu Rei (1984), no mesmo ano em que estreou na televisão na minissérie Santa Marta Fabril S.A., da extinta Rede Manchete. No entanto, foi no cinema em 1987 que ela conseguiu sua primeira consagração artística ao interpretar a personagem principal em Vera do diretor Sergio Toledo Segall, pelo qual ela foi amplamente elogiada, vencendo prêmios de melhor atriz em festivais pelo mundo, em especial o renomado Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival Internacional de Cinema de Berlim.

No cinema, Nogueira ainda se destacou em muitas produções durante a década de 1990 e os anos 2000. Ela esteve em personagens importantes nos filmes Matou a Família e Foi ao Cinema (1991), pelo qual foi eleita Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado; no drama jornalístico Jenipapo (1995) como a jornalista "Márcia"; na cinebiografia Villa-Lobos - Uma Vida de Paixão (2000), onde interpretou a pianista Lucília Guimarães e recebeu sua primeira indicação ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz Coadjuvante; no suspense Querido Estranho (2002) como "Teresa"; e, na adaptação da obra de Nelson Rodrigues O Vestido (2004), pelo qual novamente foi indicada ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz Coadjuvante.

Na televisão, se destacou nas telenovelas. Ela é lembrada por suas atuações em O Rei do Gado (1996), como a integrante do MST "Jacira", e Celebridade (2003), como a ambiciosa "Ana Paula", papel que lhe rendeu dois Prêmios Qualidade Brasil. Nos anos recentes, passou a ser requisitada para personagens mais marcantes em produções da TV Globo, onde se especializou, sobretudo, em interpretar mães possessivas e controladoras, e se tornou uma das atrizes mais populares da teledramaturgia. Entre os seus destaques, incluem-se Caminho das Índias (2009), A Vida da Gente (2011), Saramandaia (2013), Em Família (2014), Além do Tempo (2015), Rock Story (2016), Um Lugar ao Sol (2021) e Todas as Flores (2022).

Formação e início da vida artística

Nascida no Rio de Janeiro em 22 de outubro de 1966, Ana Beatriz Nogueira começou a estudar atuação no curso do Teatro Amador, onde teve como professores os atores Maria Padilha e Miguel Falabella. Durante a formação no curso, ampliou sua rede de contato no teatro e fez amigos, que a fez ingressar na carreira profissional. A estreia nos palcos aconteceu em 1984 no espetáculo infantil Ubu Rei, peça do escritor francês Alfred Jarry, dirigida e adaptada por Ricardo Kosovski, onde interpretou "Bugrelau". No mesmo ano, Nogueira estreou na televisão na minissérie Santa Marta Fabril S.A., produzida pela extinta Rede Manchete, em uma pequena aparição. Dois anos mais tarde, em 1986, foi aprovada em um teste para atuar em sua primeira novela, Mania de Querer, também na Rede Manchete.

1987–91: Vera, Kananga do Japão e Felicidade

Em 1986, aos dezenove anos de idade, fez sua estreia no cinema com o filme de drama biográfico Vera, baseado na autobiografia A Queda para o Alto, de Anderson Herzer, onde ela interpretou a protagonista-título. Na trama, que aborda um complexo drama existencial, Nogueira atuou como uma jovem órfã que passa a adolescência em um orfanato onde aos poucos passa a desenvolver uma personalidade masculina e luta para encontrar seu espaço no mundo. O filme foi lançado no Festival de Brasília e logo recebeu aclamação da crítica, sobretudo pela atuação da atriz. O reconhecimento de sua performance a consagrou pelos festivais de cinema no mundo, lhe rendendo prêmios, sendo o mais importante o Urso de Prata de melhor atriz pelo prestigiado Festival de Cinema de Berlim, na Alemanha. Ela ainda foi laureada melhor atriz no Festival de Cinema de Locarno, na Suíça, e no Festival de Cinema de Nantes, na França, bem como também foi eleita a Melhor Atriz de Cinema pelo Prêmio Molière, um dos mais importantes da cultura nacional à época. Naquele mesmo ano, ainda participou do curta-metragem Dama da Noite como Júlia.

No ano de 1988, fez uma participação na minissérie O Pagador de Promessas, no papel de Alícia, e voltou aos palcos atuando em duas peças: Maroquinhas Fru Fru, protagonizando no personagem principal ("Maroquinhas Fru-Fru"), e Flor do Milênio, novamente como protagonista ao lado de Fernando Eiras e Isabel Tereza. Em seguida, voltou a assinar contrato com a Rede Manchete após dois anos para atuar na novela Kananga do Japão, onde interpretou "Alzira", irmã da protagonista "Dora" (Christiane Torloni), a qual faz parte de uma família falida com a quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, década de 1930. Em 1990, fez uma participação no filme Stelinha, filme protagonizado por Esther Góes que conta a história de uma cantora em decadência após fazer muito sucesso. No longa, ela interpretou "Marta". Naquele mesmo ano, também fez o curta-metragem Meu Vizinho Comprou um Carro.

Em 1991, Ana assinou contrato com a TV Globo novamente, emissora onde ela viria a trabalhar por muitos anos em papéis que a consagraram como uma das atrizes mais populares do Brasil. De volta à emissora global, ela atuou na minissérie O Sorriso do Lagarto, onde interpretou "Evangelina". Na trama de suspense, a personagem dela era uma das mulheres escolhidas para serem realizadas inseminações artificiais criadas pelo médico "Dr. Lúcio Nemésio" (José Lewgoy), o qual pretendia criar uma sub-raça de seres híbridos, com características humanas e de lagartos. Ainda naquele ano, no segundo semestre, estreou nas telenovelas da emissora como "Selma" em Felicidade, de Manoel Carlos. Na trama, sua personagem é filha de "João" (Sebastião Vasconcelos) e "Rosália" (Regina Dourado), sendo uma jovem que sonha em casar mas não consegue um pretendente por ser considerada "feia" e "sem graça". Também no mesmo ano, fez sua quinta participação no cinema, no filme Matou a Família e Foi ao Cinema, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante no Festival de Gramado.

1992–99: As Noivas de Copacabana, O Rei do Gado e Anjo Mau

Em 1992, deu vida a um de seus personagens mais marcantes, "Fátima" na minissérie As Noivas de Copacabana, que contava a história de um assassino em série de noivas. Na trama, ela é uma das vítimas de "Donato Menezes" (Miguel Falabella), uma mulher simples e filha de um pregador evangélico. Em seguida, em 1993, foi destaque no espetáculo Othello, A Sombra de uma Dúvida. Em 1994, atuou em uma montagem de O Homem sem Qualidades, uma leitura da obra-prima do escritor austríaco Robert Musil, ao lado de Betty Gofman, Daniel Dantas, Lucélia Santos e Silvia Buarque. No ano seguinte, foi convidada para atuar no filme Jenipapo (1995), da cineasta Monique Gardenberg, um drama que aborda conflitos éticos de um jornalista norte-americano ao investigar um caso brasileiro, onde ela interpretou a jornalista "Márcia". No mesmo ano, fez participações no seriado Você Decide nos episódios "Veneno Ambiente" e "O Jogador".

No ano de 1996, foi escalada para viver "Jacira Pereira" na telenovela O Rei do Gado, um de seus primeiros grandes sucessos na televisão. Na trama, impulsionada pelos movimentos de reforma agrária no país, ela deu vida a uma integrante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que lutava ao lado do marido, "Regino Pereira" (Jackson Antunes), por um pedaço de terreno para produzir e morar. Também participou da segunda temporada de Malhação como "Beth". Em 1997, interpretou "Ana" no curta-metragem Dois na Chuva e foi escalada para uma participação na novela Anjo Mau, como "Eduarda", que entra na trama para competir em um rali com "Luís Carlos" (Márcio Garcia) e acaba tendo envolvimento amoroso com "Ciro" (Raul Gazolla).

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