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Anésia Pinheiro Machado

Aviadora e Instrutora de voo brasileira

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Anésia Pinheiro Machado (Itaí, 5 de junho de 1904 – Rio de Janeiro, 10 de junho de 1999) foi uma aviadora brasileira. Foi a segunda mulher a conseguir o brevê de aviadora no Brasil e a primeira a realizar um voo solo em céu nacional. Ficou conhecida mundialmente por seu ativismo nas causas feministas e pelas conquistas aéreas durante toda sua vida.

Em maio de 1940, Mrs. Ulysses Grant McQuenn, presidente da Women's International Association of Aeronautics, em visita ao Brasil, fez elogios ao desempenho de Anésia, depois de assistir a uma exibição acrobática da aviadora brasileira em um avião de treinamento Bücker Jungman, no Rio de Janeiro.

O primeiro emprego de Anésia foi no jornal Diário de Itapetininga, enquanto fazia faculdade de farmácia. Foi em sua cidade natal que viu um avião pela primeira vez durante as comemorações do "Festeiro do Divino". Por indicação do Capitão João Alexandre Busse que estava na cidade, Anésia foi para São Paulo em 1921, com apenas dezessete anos, para fazer o curso de pilotagem aeronáutica. Iniciou seus estudos naquele mesmo ano com o instrutor alemão Fritz Roesler e realizou seu primeiro voo solo em 17 de março de 1922, pilotando um biplano Caudron G.3.

Anésia conseguiu seu brevê, de número 77, no dia 9 de abril de 1922, pelo Aeroclube do Brasil, tornando-se a segunda mulher a ter a licença no pais. A primeira foi Thereza de Marzo, que teve o mesmo instrutor que Anésia. Elas realizaram o voo solo no mesmo dia, mas Thereza conseguiu o brevê de número 76 no dia 8 de abril.

Anésia afirmava que a vontade de voar existia por ela ser quem era.

Anésia foi a primeira mulher a realizar um voo com passageiro, em 23 de abril de 1922. Foi também a primeira brasileira a realizar um voo acrobático. A bordo do Caudron G.3, conquistou o recorde feminino de voo em altitude até então alcançando, 4 124 metros, em 18 de maio de 1922.

Voo interestadual São Paulo - Rio de Janeiro

Em 5 de setembro de 1922, pilotando também um Caudron G.3, Anésia realizou seu primeiro voo interestadual de São Paulo ao Rio de Janeiro, como parte das comemorações do centenário da Independência do Brasil. A viagem durou quatro dias, pois ela voava apenas uma hora e meia por dia, precisando parar para reabastecer e para manutenções diárias. Foi o primeiro voo interestadual realizado por uma mulher no país. Por conta disso, Anésia recebeu uma carta do pioneiro da aviação e inventor Santos Dumont, a parabenizando pelo sucesso na viagem. Junto com o bilhete, o aviador mandou uma réplica da medalha de São Bento que havia recebido da Princesa Isabel pelos feitos inéditos realizados em Paris, e que Anésia levou consigo pela vida inteira. Esse voo foi muito importante para ela e para a causa feminista na época, pois no mesmo período a piloto participou do Primeiro Congresso Feminista Internacional, representando a Liga Paulista pelo Progresso Feminino.

Anésia participou da Revolta Paulista de 1924, por afinidade com o general Isidoro Dias Lopes, ao lado dos capitães Joaquim Távora, Juarez Távora e Índio do Brasil, chegando a ser detida pelas tropas revoltosas. Sua participação foi voar sobre as tropas legalistas e sobre o encouraçado Minas Geraes, jogando flores e panfletos com a frase "E se fosse uma bomba?". Por conta disso, ela foi proibida de voar. Assim, durante os anos de 1927 e 1928, voltou ao jornalismo e manteve um coluna sobre aviação no jornal O Paiz. Também trabalhou como jornalista no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) e na Assembleia Legislativa, voltando a voar somente em 1939.

Em julho de 1940, Anésia obteve a licença de piloto privado, de n.º 271, e em agosto de piloto comercial, ambas pelo Departamento de Aviação Civil (DAC). Dois anos depois, obteve a licença de piloto instrutor pelo Aeroclube do Brasil.

Primeiro campeonato feminino da "Semana da Asa"

Também em 1940, Anésia participou, ao lado de Floripes do Prado, Rosa Sehorling, Leda Batista, Cecília Bolognani, Ada Rogato e Carolina de Assis, das provas femininas disputadas pela primeira vez durante o campeonato "Semana da Asa", organizado pelo Aeroclube do Brasil. Ela participou da prova "Cruzeiro do Sul" e chegou em quinto lugar, com dez pontos perdidos. A prova seguinte foi de acrobacia, sendo a segunda a levantar voo, ficando em quarto lugar na colocação geral após voar com Joana Martins Castilho, Nelly Bordini e Ada Rogato.

Em 1943, convidada a estudar nos Estados Unidos pela CAA (Civil Aviation Administration), hoje denominada FAA, (Federal Aviation Administration), Anésia conquistou suas licenças para Piloto Comercial e Instrutor de Voo, funções que exerceu no Panair do Brasil (companhia aérea pioneira no Brasil) e no CPOR da Força Aérea Brasileira (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva), além de conseguir também licenças de Instrutor de Voo por Instrumentos e Instrutor de Link Trainer. Ela chegou a frequentar aulas na Pan American World Airways a convite da própria companhia

Em 1951, Anésia realizou um voo transcontinental de Nova York até o Rio de Janeiro, percorrendo mais de 17 000 km em um avião Kian-Navion Super 260. No mesmo ano, ela cruza a Cordilheira dos Andes, de Santiago do Chile à Mendoza, na Argentina.

Anésia fez parte da The Ninety-nines: Internacional Organization of Women Pilots, fundado por Amelia Earhart, focando no suporte e no desenvolvimento de mulheres pilotas em todo o mundo.

Anésia começou a difundir o nome de Santos Dumont pelo mundo em 1956, quando foi comemorado o cinquentenário do primeiro voo de avião do piloto. Ela embarcou em uma viagem internacional e sua primeira conquista foi a doação de uma réplica do avião 14-bis e do dirigível de Santos Dumont ao Museu de Aviação Smithsonian em Washington. Além disso, ela lutou para que o nome do aviador fosse dado a uma das crateras da lua. Seu esforço foi recompensado durante a 15ª Assembleia Geral da União Aeronáutica Internacional, realizada na Austrália, quando o nome foi aprovado.

Anésia morreu no Rio de Janeiro aos 94 anos, no dia 10 de junho de 1999. Seu corpo foi cremado e suas cinzas estão em uma urna que faz parte do acervo do Museu de Cabangu, na cidade de Santos Dumont, em Minas Gerais.

Em maio de 1940, o Brasil recebeu a visita de Mrs. Ulysses Grant McQuenn, presidente da Women's International Association of Aeronautics. Ela ficaria dois dias em território nacional, mas acabou ficando duas semanas por se encantar com o entusiasmo brasileiro na aviação civil. Segundo o jornal A Noite, Anésia realizou com maestria sua apresentação para Mrs. McQueen a bordo de um Bucker-Jungman e a aviadora norte-americana ficou impressionada com o desempenho dela. As duas acreditavam que a aviação feminina precisava de muito mais reconhecimento do que tinha na época.

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