Neste Dia

Amamentação

Alimentação saudável dos lactentes

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Amamentação ou aleitamento é a alimentação de bebés e crianças com leite natural da mãe ou de alguém que a substitua. A prolactina é uma hormona produzida pela hipófise que, após o parto, estimula a produção de leite através das glândulas mamárias. Os profissionais de saúde recomendam que se inicie a amamentação na primeira hora de vida do bebé (hora de ouro) e que continue a ser amamentado com a frequência e quantidade que o bebê desejar até aos quatro a seis meses de idade. Durante as primeiras semanas de vida, os bebés podem amamentar com intervalos de aproximadamente duas a três horas. O líquido produzido nos primeiros dias pelas glândulas mamárias leva o nome de colostro. A duração de cada mamada é, em média, de dez a quinze minutos em cada mama. Os bebés mais velhos mamam com menos frequência. Quando não é possível à mãe amamentar, podem ser usadas bombas de extração de leite e o leite armazenado para consumo posterior. A amamentação possui uma série de benefícios para a mãe e para o bebé, benefícios esses que não estão presentes no leite artificial. O aleitamento materno contribui para o desenvolvimento adequado das estruturas orofaciais por estimular funções como sucção, deglutição e respiração, favorecendo o crescimento craniofacial e a maturação neuromuscular.

Estima-se que o aumento da amamentação pudesse evitar anualmente a morte de 820 000 crianças com menos de cinco anos em todo o mundo. A amamentação diminui o risco de infeções respiratória e diarreia, tanto em países desenvolvidos como em países em vias de desenvolvimento. Diminui ainda o risco de asma, alergias alimentares, doença celíaca, diabetes tipo 1 e leucemia. A amamentação pode também melhorar o desenvolvimento cognitivo e diminuir o risco de obesidade em adulto.

Entre os benefícios da amamentação para a mãe estão uma diminuição das hemorragias após o parto, melhor recuperação do útero, perda de peso e menor incidência de depressão pós-parto. A amamentação atrasa o regresso da menstruação e da fertilidade, um fenómeno denominado amenorreia lactacional. Entre os benefícios a longo prazo para a mãe estão a diminuição do risco de cancro da mama, doenças cardiovasculares e artrite reumatoide. A amamentação é geralmente menos dispendiosa do que o leite artificial. As mães podem-se sentir pressionadas para amamentar. No entanto, em países desenvolvidos as crianças amamentadas com biberão geralmente crescem saudáveis.

As organizações de saúde, entre as quais a Organização Mundial de Saúde, recomendam que as crianças sejam amamentadas em exclusivo durante seis meses. Isto significa que geralmente não são dados outros alimentos, com a exceção de vitamina D em alguns casos. Depois da introdução de alimentos sólidos aos seis meses, recomendam que se continue a amamentar até, pelo menos, os dois anos de idade. 38% de todas as crianças do mundo são amamentadas em exclusivo até aos seis meses de idade. Nos Estados Unidos, embora cerca de 75% das mulheres comecem a amamentar, só 13% é que amamentam até aos seis meses. As condições médicas que impedem a amamentação são raras. As mulheres que consumam determinadas drogas recreativas e medicamentos não devem amamentar. Fumar, consumir álcool em pouca quantidade e beber café não são motivos para deixar de amamentar.

O desenvolvimento dos seios começa na puberdade com o crescimento dos ductos, células de gordura e tecido conjuntivo. O tamanho final dos seios é determinado pelo número de células de gordura. O tamanho da mama não está relacionado à capacidade de amamentação da mãe ou ao volume de leite que ela produzirá. O processo de produção de leite, denominado lactogénese, ocorre em três estágios. A primeira fase ocorre durante a gravidez, permitindo o desenvolvimento da mama e a produção de colostro, a forma espessa e inicial do leite, de baixo volume, mas rica em nutrientes. O nascimento do bebé e da placenta desencadeia o início do segundo estágio da produção de leite, fazendo com que o leite seja suficiente nos próximos dias. A terceira fase da produção de leite ocorre gradualmente ao longo de várias semanas e é caracterizada por um suplemento completo do leite que é regulado localmente (no seio), predominantemente pela procura alimentar e sucção do bebé, que mantém os níveis de prolactina elevados, permitindo a contínua produção de leite. Isso difere do segundo estágio da lactogénese, que é regulado centralmente (no cérebro) por ciclos de retoma hormonal que ocorrem naturalmente após a expulsão da placenta.

Mesmo que tradicionalmente a lactação ocorra após a gravidez, a lactação também pode ser induzida com terapia hormonal e estimulação dos mamilos na ausência de gravidez. Mais informações sobre este tópico podem ser encontradas no aertigo "lactação induzida".

Lactogénese I e outras alterações na gravidez

As alterações na gravidez que começam por volta das 16 semanas da idade gestacional, preparam a mama para a lactação. Essas mudanças, conhecidas coletivamente como Lactogénese I, são controladas por hormónios produzidos pela placenta e pelo cérebro, nomeadamente estrogénio, progesterona, prolactina, que aumentam gradualmente ao longo da gravidez e resultam no desenvolvimento estrutural do tecido alveolar (produtor de leite) e na produção do colostro. Embora a prolactina seja o hormónio predominante na “produção” do leite, a progesterona, que está em níveis elevados durante a gravidez, bloqueia os receptores de prolactina na mama, inibindo o efeito lactogénico durante a gravidez.

Muitas outras alterações fisiológicas ocorrem sob o controle da progesterona e do estrogénio. Essas alterações incluem, mas não estão limitadas a, dilatação dos vasos sanguíneos, aumento do fluxo sanguíneo para o útero, aumento da disponibilidade de glicose (que posteriormente é passada através da placenta para o feto) e aumento da pigmentação da pele, o que resulta no escurecimento do mamilo e da aréola, formação da linea nigra, e aparecimento de melasma da gravidez.

A terceira fase do trabalho de parto descreve o período entre o nascimento do bebê e a expulsão da placenta, que normalmente dura menos de 30 minutos. A libertação da placenta causa uma queda abrupta dos hormónios placentários. Essa queda, especificamente na progesterona, permite que a prolactina funcione eficientemente nos receptores na mama, levando a uma série de alterações nos dias seguintes que permitem que o leite “entre”; essas mudanças são conhecidas coletivamente como Lactogénese II. O colostro continua a ser produzido nos dias seguintes, conforme ocorre a Lactogénese II. O leite pode “chegar” até cinco dias após o parto; no entanto, esse processo pode ser atrasado devido a vários fatores, conforme descrito na subseção Processo. A oxitocina, que sinaliza o músculo liso do útero para que se contraia durante a gravidez, trabalho de parto, nascimento e pós-parto, também está envolvido no processo de amamentação. As sucções do bebê na mama favorece a produção do leite, devido a ocorrência do estímulo da glândula cerebral hipófise, que libera a prolactina também conhecido como hormônio lactogênico e a ação do hormônio hipófise posteriormente também produz o hormônio ocitocina que usando a corrente sanguínea chega às células que envolvem os alvéolos provocando a apojadura (descida do leite até as ampolas das aréolas), completando a ação da descida com as sucções do bebê. A oxitocina também contrai a camada muscular lisa de células semelhantes a faixas que circundam os ductos de leite e alvéolos para formar o leite recém-produzido através do sistema de dutos que sai pelo mamilo. Este processo é conhecido como reflexo de ejeção do leite ou descida. Devido à dupla atividade da oxitocina na mama e no útero, as mães que amamentam também podem sentir cólicas uterinas na amamentação, durante os primeiros dias ou semanas.

Após a apojadura (descida do leite), inicia-se a fase III da lactogénese, também denominada galactopoiese. Essa fase mantém-se por toda a lactação, depende principalmente da sucção do bebê e do esvaziamento da mama. A prolactina e a oxitocina são vitais para estabelecer o suplemento de leite no início, no entanto, uma vez que o suplemento de leite esteja bem estabelecido, o volume e o conteúdo do leite produzido são controlados localmente. Embora os níveis de prolactina sejam, em média, mais elevados entre as mães que amamentam, os níveis de prolactina em si não se correlacionam com o volume do leite. Nesta fase, a produção de leite é desencadeada pelo esvaziamento do leite das mamas. Nos primeiros dias após o parto, a secreção de leite é pequena, menor que 100 ml/dia, mas já no quarto dia a nutriz é capaz de produzir, em média, 600 ml de leite. Uma nutriz que amamenta exclusivamente produz, em média, 800 ml/ dia no 6º mês. Na amamentação, o volume de leite produzido varia na dependência da quantidade e frequência com que a criança mama, se por qualquer motivo o esvaziamento da mama for prejudicado, pode haver diminuição da produção de leite. A única maneira de manter a produção de leite é drenar as mamas com frequência. A redução da frequência do esvaziamento ou um esvaziamento incompleto das mamas diminui o fluxo sanguíneo para os alvéolos e sinaliza às células produtoras de leite para produzirem menos leite.

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