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Alysson Paolinelli

Politico brasileiro, ex-ministro da agricultura e ex-deputado federal por Minas Gerais

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Alysson Paolinelli, também grafado Alysson Paulinelli, foi um engenheiro agrônomo, professor e político brasileiro. Nascido em Bambuí, em 10 de julho de 1936, morreu em Belo Horizonte em 29 de junho de 2023. Formado e professor pela Escola Superior de Agricultura de Lavras, atual Universidade Federal de Lavras, foi secretário de Agricultura de Minas Gerais e ministro da Agricultura no governo de Ernesto Geisel, de 1974 a 1979.

Como ministro, conduziu a estruturação e a expansão da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), instalada um ano antes de sua posse, criou centros de pesquisa voltados ao Cerrado e enviou cerca de dois mil pesquisadores para cursos de pós-graduação no exterior. Lançou ainda programas de crédito e infraestrutura para a ocupação agrícola do Cerrado, como o Polocentro e o acordo de cooperação com o Japão que deu origem ao Prodecer. A transformação do bioma em uma das principais regiões produtoras de grãos do mundo é associada à sua gestão por instituições como a World Food Prize Foundation, que lhe concedeu o Prêmio Mundial de Alimentação em 2006, ao lado de Edson Lobato e Colin McClung.

Depois do ministério, presidiu o Banco do Estado de Minas Gerais e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), foi deputado federal constituinte de 1987 a 1991 e voltou a chefiar a Secretaria de Agricultura mineira na década de 1990. Nos últimos anos de vida, presidiu a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) e o Instituto Fórum do Futuro. Foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz em 2021 e em 2022.

Paolinelli nasceu em Bambuí, filho único do engenheiro agrônomo Antônio Paulinelli de Carvalho, responsável pelo posto agropecuário da cidade e mais tarde prefeito de Bambuí, e da professora Adalgisa Luchesi Paulinelli. Fez os estudos primário e ginasial na cidade natal e, aos 15 anos, mudou-se para Lavras, onde cursou o científico no Instituto Gammon.

Em 1959, formou-se engenheiro agrônomo pela Escola Superior de Agricultura de Lavras (Esal), como primeiro aluno da turma, depois de presidir o centro acadêmico de 1956 a 1958. No mesmo ano tornou-se professor de hidráulica, irrigação e drenagem da escola, cadeira pela qual responderia até 1990. Fez estágios de aperfeiçoamento na Tennessee Valley Authority, nos Estados Unidos, e no Chile e na Argentina.

Foi vice-diretor da Esal de 1966 a 1967 e diretor de 1967 a 1971. Segundo o Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, o número de alunos e de professores triplicou durante sua gestão. A World Food Prize Foundation atribui a ele o esforço de ampliar o currículo e o corpo docente da escola e de integrá-la ao sistema nacional de ensino agrícola superior, processo que levaria à criação da Universidade Federal de Lavras. De 1968 a 1969, presidiu a Associação Brasileira de Educação Agrícola Superior (Abeas).

Secretário de Agricultura de Minas Gerais

De 1971 a 1974, no governo de Rondon Pacheco, foi secretário de Agricultura de Minas Gerais. Assumiu a pasta com a proposta de implantar uma nova matriz produtiva no estado, baseada na incorporação de tecnologia e em crédito voltado à modernização. Criou o Programa de Crédito Integrado (PCI), que associava financiamento a projetos de colonização com assistência técnica, e o Programa de Assentamento Dirigido do Alto Paranaíba (Padap), em parceria com a Cooperativa Agrícola de Cotia, que serviria de modelo para outros projetos de colonização agrícola no Cerrado.

Na secretaria, criou um órgão para integrar as instituições de ensino e pesquisa agrícola do estado e, com apoio de agências de crédito brasileiras e estrangeiras, contratou mais de mil técnicos e pesquisadores em três anos. O novo modelo de crédito rural, com juros baixos e carência superior a uma safra, contribuiu para que Minas Gerais se tornasse o maior produtor de café do país. Nesse período, promoveu reuniões com produtores rurais em 429 dos 722 municípios mineiros.

A partir do segundo semestre de 1973, como assessor do Conselho de Extensão Rural, Paolinelli passou a frequentar o Ministério da Agricultura. Em 15 de março de 1974, data da posse de Ernesto Geisel, foi nomeado ministro. Apontou o abastecimento interno como prioridade e defendeu que o país poderia não apenas alcançar a autossuficiência em trigo como também tornar-se exportador.

Embrapa e formação de pesquisadores

A Embrapa foi autorizada pela Lei n.º 5.851, de 7 de dezembro de 1972, no governo de Emílio Garrastazu Médici, e instalada em abril de 1973. Paolinelli não foi seu primeiro presidente, mas integrou o grupo que estruturou a empresa e, como ministro, recebeu a incumbência de modernizá-la. Durante sua gestão, a Embrapa foi organizada como instituição de pesquisa e difusão de tecnologia de alcance nacional. Foram implantados os centros de pesquisa Cerrados, Milho e Sorgo, Arroz e Feijão, Gado de Corte e Hortaliças, além do Serviço de Produção de Sementes Básicas e de dez estações experimentais em estados do Cerrado. Segundo o Canal Rural, 26 das 43 unidades de pesquisa da empresa foram criadas sob sua orientação. A Embrapa Cerrados foi concebida para dar suporte de pesquisa ao programa de ocupação do bioma.

Paolinelli também implantou um programa de bolsas de mestrado e doutorado em universidades de ciências agrárias de outros países, sobretudo nos Estados Unidos, pelo qual cerca de dois mil pesquisadores brasileiros foram enviados ao exterior com o compromisso de retornar e aplicar no Brasil o conhecimento adquirido, com foco na adaptação da ciência agrícola às condições tropicais.

No início de sua gestão, lançou o Programa de Desenvolvimento dos Cerrados (Polocentro), que levou crédito, infraestrutura e tecnologia à região. Segundo a World Food Prize Foundation, o programa previa financiar a produção agrícola em três milhões de hectares de Cerrado, meta superada em três anos. Para dar continuidade à expansão, Paolinelli buscou investimentos públicos, privados e estrangeiros e, em 1978, negociou com o Japão um acordo de cooperação para pesquisa, extensão e investimento na região, origem do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer).

A fundação estima que a área cultivada no Cerrado passou de cerca de 200 mil hectares em 1955 para mais de 40 milhões de hectares em 2005, expansão que Norman Borlaug classificou como uma das grandes realizações da ciência agrícola do século XX. A entidade atribui a Paolinelli as políticas, as instituições de pesquisa e a infraestrutura que permitiram aos agricultores abrir o Cerrado à produção, ao passo que credita a Edson Lobato e a Colin McClung as pesquisas sobre a correção da acidez e da fertilidade dos solos da região.

Em setembro de 1976, ao fazer o balanço da primeira metade do governo, afirmou que os investimentos na agricultura haviam passado de 36 bilhões de cruzeiros em 1974 para 160 bilhões em 1976. Em março de 1977, informou que os recursos da política de garantia de preços mínimos haviam crescido cerca de 1 000% desde 1973. Em julho do mesmo ano, quando o governo limitou a expansão do crédito agrícola, retirou o subsídio aos fertilizantes e instituiu o confisco cambial sobre a soja, declarou que as medidas não pretendiam punir a agricultura.

O Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro registra que, em maio de 1975, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária pôs à venda 1,4 milhão de hectares na Amazônia em lotes de 66 mil a 72 mil hectares, operação que marginalizou os pequenos colonos aos quais antes se destinavam lotes de no máximo três mil hectares. Na mesma época, Paolinelli contestou a tese de que a concentração fundiária explicasse o atraso agropecuário do Nordeste. Em março de 1978, foi um dos três ministros que se dispuseram a falar à imprensa sobre a anistia, admitindo a possibilidade de uma anistia ampla, embora considerasse o debate prematuro.

Deixou o ministério ao fim do governo Geisel, em 15 de março de 1979, sendo sucedido por Antônio Delfim Netto.

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