Almir Eduardo Melke Sater (Campo Grande, 14 de novembro de 1956) é um violeiro, cantor, compositor, ator e instrumentista brasileiro.
Participou de diversos shows e festivais de música e, nos anos 1990, ao aceitar convites para representar em novelas "personagens de violeiro", se tornou conhecido nacionalmente como cantor e ator.
Seu estilo caracteriza-se pelo experimentalismo. Agrega uma sonoridade tipicamente caipira da viola de 10 cordas, também com influências das culturas fronteiriças do seu estado, como a música paraguaia e andina, ao mesmo tempo refletindo traços populares e eruditos.
Com mais de 30 anos de carreira e 10 discos solo gravados, Almir tornou-se um dos responsáveis pela preservação da viola de 10 cordas. O músico acrescentou um toque mais sofisticado ao instrumento, temperado com estilos estrangeiros como o blues, o rock e o folk, uma mistura de música folclórica, clássica e popular.
Foi incluído na lista 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão (Categoria: Raízes Brasileiras) da revista Rolling Stone Brasil, em 2012.
Nascido em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, numa família de raízes turcas e libanesas, Almir Sater desde os doze anos já tocava violão e gostava do mato e sons da natureza. Aos vinte anos mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Direito, mas desistiu da carreira de advogado, motivado inicialmente por escutar no Largo do Machado uma dupla tocando viola caipira. Retornou a Campo Grande onde formou a dupla Lupe e Lampião com um amigo, adotando Lupe como nome artístico. Desfeita a dupla, dedicou-se então ao estudo de viola de 10 cordas, tendo Tião Carreiro como mestre. Motivado pela Música, foi para São Paulo para dar início a sua carreira solo.
Anos 1980 - Comitiva Esperança
Em 1979 foi para São Paulo, onde iniciou um trabalho com sua conterrânea Tetê Espíndola, acompanhando também a cantora Diana Pequeno.
Gravou seu primeiro disco em 1981, Estradeiro, produzido por Pena Schmidt, contando com a participação de Tetê Espíndola, Alzira Espíndola e Paulo Simões. Fez parte da Geração Prata da Casa no início dos anos 80, sendo uma das principais atrações do movimento que juntou os maiores expoentes da música sul-mato-grossense.
Em 1986, juntamente com o parceiro Paulo Simões, com o maestro e violinista Zé Gomes, o jornalista, crítico e pesquisador Zuza Homem de Mello e do fotógrafo Raimundo Alves Filho, iniciou uma comitiva que explorou o Pantanal, realizando registros fotográficos, pesquisando o modo de vida dos pantaneiros de maneira poética, enquanto percorriam o Paiaguás, Nhecolândia, Piquiri, São Lourenço e Abobral. Esse projeto, batizado de Comitiva Esperança, resultou em documentário coproduzido pelo próprio artista, juntamente com Paulo Simões.
Em 1988, foi escolhido por unanimidade pela crítica para participar da abertura do Free Jazz Festival, em 1989, ao lado de nomes consagrados da música mundial. Compositor, violeiro e instrumentista. Único cantor do país a cantar em Nashville, nos Estados Unidos (cidade considerada o berço da música country americana), no mesmo ano, onde gravou o disco Rasta Bonito com a participação de Eric Silver, que resultou no encontro da viola com o banjo americano.
Anos 1990 e 2000 - Novelas e prêmios
Nos anos 1990, ganhou três prêmios Sharp com as canções "Moura" (como melhor música instrumental e solista) e como coautor de "Tocando em Frente" como melhor canção na voz de Maria Bethânia, em parceria com Renato Teixeira.
Na mesma década estreou como ator na telenovela Pantanal (de Benedito Ruy Barbosa) pela Rede Manchete em 1990. Na trama, Sater interpretou Trindade, um peão misterioso. Nessa mesma novela, teve seu grande sucesso "Um Violeiro Toca", incluído na trilha sonora.
Em 1991, protagonizou ao lado de Ingra Liberato, a novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, de Marcos Caruso, pela mesma emissora.
Paralelamente na mesma época, Sater estabeleceu ricas parcerias com Renato Teixeira e Paulo Simões, que criaram verdadeiras pérolas do cancioneiro regional-popular. Com Sérgio Reis, o artista fez parcerias somente em novelas. Suas influências vão de Tião Carreiro, Al Jarreau, Beatles e Pink Floyd às músicas fronteiriças com seu estado de Mato Grosso do Sul, como a andina e a paraguaia. Também toca violão folk de 12 cordas e charango. Os personagens vividos pelo ator possuíam essas características similares como em O Rei do Gado, de Benedito Ruy Barbosa, pela TV Globo, entre 1996 e 1997, onde seu personagem fazia dupla com o personagem de Sérgio Reis, "Pirilampo & Saracura", tendo gravado, inclusive, músicas na trilha sonora da novela.
Sua última aparição como ator na década foi em 2006 na telenovela Bicho do Mato, de Bosco Brasil e Cristianne Fridman (remake da telenovela homônima, de Chico de Assis e Renato Corrêa e Castro exibida pela TV Globo em 1972), pela RecordTV, em que interpretava o personagem Mariano.
Em 2010, o artista foi um dos convidados para o especial e gravação do DVD Emoções Sertanejas, em homenagem aos 50 anos de carreira de Roberto Carlos. Sua interpretação para a canção "O Quintal do Vizinho", contida e suave, recebeu diversos elogios, sendo apontada por vários internautas como a mais bonita apresentação.