Alma Maria Mahler-Werfel (nascida Alma Margaretha Maria Schindler, Viena, 31 de agosto de 1879 — Nova Iorque, 11 de dezembro de 1964), mais conhecida como Alma Mahler, foi uma compositora, pintora, editora e socialite austríaca. Ativa musicalmente desde tenra idade, foi aluna de Max Burckhard e autora de pelo menos 17 composições para piano e voz.
Em seus primeiros anos, foi apaixonada pelo compositor e maestro Alexander von Zemlinsky, mas o relacionamento não durou muito. Casou-se então com o compositor Gustav Mahler, que não aprovava que a esposa continuasse a compor música e que devesse cuidar principalmente da casa e dos filhos, o que a levou a entrar em uma profunda depressão. Enquanto o casamento ruía, ela se envolveu com Walter Gropius. Gustav então começou a encorajar Alma a voltar a compor e até a ajudou a preparar algumas delas para publicação, mas ele morreu antes que o casal se reconciliasse, em 1911. Alma então se casou com Gropius, em 1915. Em seu casamento com Gropius, ela se envolveu com Franz Werfel, com quem eventualmente se casou depois de seu divórcio.
Em 1938, depois da anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, Alma e Franz Werfel foram obrigados a deixar o país, que se tornara inseguro para os judeus. O casal se mudou então para Los Angeles. Por muitos anos o salão de composições de Alma se tornou parte da cena artística, primeiro em Viena, depois em Los Angeles e Nova Iorque.
Alma Maria nasceu em 1879, em Viena, na Áustria-Hungria. Era filha do pintor Emil Jakob Schindler e de sua esposa, Anna Sofie. Foi criada na fé católica romana e não frequentou a escola, tendo tutores e professores particulares em casa. A vida financeira da família não era das melhores, tanto que ela precisava dividir o apartamento com um dos colegas de Emil, Julius Victor Berger, com quem a mãe de Alma acabou tendo um caso extraconjugal, do qual nasceu a meia-irmã de Alma, Grete, em 1881. No mesmo ano, Emil ganhou um proeminente prêmio artístico, o que tirou a família da pobreza e permitiu que eles mudassem de residência.
Em 1886, Rodolfo, Príncipe Herdeiro da Áustria demonstrou interesse pelas pinturas de Emil depois do sucesso deste com o prêmio que recebeu e contratou o pintor para uma viagem com a família pela costa do Mar Adriático para produzir várias paisagens para a família real, tornando-se um dos mais importantes artistas para a Casa de Habsburgo. Em 1892, a família também atravessou o mar do Norte até a ilha Sylt, onde Emil acabou falecendo em 9 de agosto de 1892 devido à uma apendicite. Alma tinha 13 anos na época.
Após a morte do pai, com quem Alma passava horas no estúdio, já que ele incentivava que a filha estudasse e se aprimorasse, Alma passou a focar no piano, tendo aulas de composição e contraponto com Josef Labor, um organista e pianista cego que a introduziu à literatura. Aos 15 anos, Alma estudou apenas alguns meses em uma escola de música. Conforme crescia, percebe que um caso de sarampo que teve na infância danificou sua audição. Por volta dessa época, o diretor do Teatro Burgtheater, em Viena, Max Burckhard, se tornou seu tutor. Em seu aniversário de 17 anos, ele lhe deu duas cestas cheias de livros. Em 1895, sua mãe se casou com o estudante de Emil, Carl Moll, com quem teve uma filha, Maria, em 1899.
Alma conheceu o pintor Gustav Klimt através de Carl Moll. Moll e Klimt foram membros fundadores da Secessão de Viena, um movimento de um grupo de jovens artistas no final do século XIX, constituído no âmbito da Künstlerhaus - tradicional sociedade dos artistas austríacos. Klimt se apaixonou por Alma, mas ainda que ela tivesse algum interesse nele no início, o romance esfriou e os dois permaneceram amigos até a morte de Klimt. Em 1900, Alma começou a estudar composição com Alexander von Zemlinsky, com quem manteve um relacionamento em segredo.
O relacionamento entre eles, porém começou a se deteriorar com o tempo, quando Alma começou a desdenhar da aparência de Alexander, dizendo que poderia ter qualquer homem que quisesse para substituí-lo. Em 7 de novembro de 1901, em uma apresentação de Alexander, ela começou a flertar com Gustav Mahler e durante aquele mês, ela começou um relacionamento com Gustav, ainda estando junto de Alexander. Em 8 de dezembro daquele ano, Gustav e Alma estava secretamente noivos, porém ela só comunicou a Alexander quatro dias depois em uma carta. O noivado foi formalmente anunciado em 23 de dezembro.
Em 9 de março de 1902, Alma se casou com Gustav Mahler, que era 19 anos mais velho que ela e diretor do Vienna Court Opera. Com ele, Alma teve duas filhas, Maria Anna (1902–1907), que morreu de escarlatina ou difteria e Anna (1904–1988), que posteriormente se tornaria escultora.
Gustav não tinha interesse no trabalho de Alma. Ainda se discute entre os historiadores se ele teria totalmente proibido Alma de compor. Sabe-se que ela se dedicou ao cuidado das filhas e da casa, tornando-se uma esposa dedicada, ainda que em seus diários ela se sentisse sozinha e frustrada. Alma entrou em depressão profunda em junho de 1910, quando sua filha Maria morreu. Pouco depois ela começou um caso com um jovem arquiteto, Walter Gropius, que seria depois o diretor da Bauhaus. Gustav chegou a procurar Sigmund Freud em busca de conselhos.
Com o casamento em crise depois que Gustav descobriu o caso de Alma com Gropius, Gustav começou a levar mais a sério as composições de Alma e a incentivar seu talento musical. Chegou a ajudá-la a organizar suas músicas para publicação, tendo editado algumas, como Die stille Stadt e Ich wandle unter Blumen. Com o auxílio de Gustav, Alma preparou cinco de suas composições para publicação pela mesma empresa que publicava Gustav, mas ele ficou seriamente doente em fevereiro de 1911 devido a um problema de coração diagnosticado anos antes e morreu em 18 de maio.
Relacionamento com Walter Gropius
Após a morte de Gustav, Alma não entrou em contato imediatamente com Gropius. Entre 1912 e 1914, ela teve um caso tumultuado com o pintor Oskar Kokoschka, que criou vários quadros inspirados em Alma. A possessividade de Oskar e os caprichos de Alma acabaram desgastando a relação.
Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, Oskar se alistou no Exército Austro-Húngaro. Alma logo se distanciou dele e retomou o contato com Gropius, que também estava alistado nessa época. Os dois se casaram em 18 de agosto de 1915, em Berlim, durante uma folga militar. Os dois tiveram uma filha, Manon Gropius (1916–1935), que morreu aos 18 anos devido à poliomielite.
Alma ficou grávida e deu à luz a um menino, Martin Carl Johannes Gropius (1918–1919). Gropius acreditava inicialmente que o filho era seu, mas o caso de Alma com Franz Werfel era bem conhecido em Viena. Um ano depois, Alma se divorciou de Gropius. Martin nasceu com hidrocefalia e morreu com menos de um ano de vida.
Relacionamento com Franz Werfel
Alma começou um relacionamento com o poeta e escritor tcheco Franz Werfel em 1917. Ela passava muito tempo sozinha enquanto ainda estava com Gropius por conta de suas obrigações militares. Em algum momento nessa época, os dois começaram a morar juntos, mas Alma postergou um casamento com Franz até 1929, período em que adotou o nome de Alma Mahler-Werfel.
Em 1938, com a anexação da Áustria pela Alemanha Nazista, Alma e Franz foram obrigados a deixar o país por serem judeus e fugiram para a França. Eles se estabeleceram na Riviera Francesa entre 1939 e 1940. Com a ocupação da França pela Alemanha nazista, na Segunda Guerra Mundial e a deportação de judeus e adversário políticos para campos de concentração nazistas, o casal não estava mais a salvo na França e assim foram obrigados a buscar abrigo nos Estados Unidos. Em Marselha, eles entrara em contato com um jornalista norte-americano, Varian Fry, também emissário de uma organização norte-americana que ajudava refugiados artísticos e intelectuais na época.