Ali Hosseini Khamenei (Mexede, 19 de abril de 1939 – Teerã, 28 de fevereiro de 2026) foi um político iraniano e clérigo xiita que serviu como segundo líder supremo do Irã de 1989 até seu assassinato no início da guerra do Irã em 2026. Anteriormente, ele serviu como terceiro presidente do Irã de 1981 a 1989. Seu mandato como líder supremo, com duração de 36 anos e seis meses, fez dele o chefe de estado com mais tempo de serviço no Oriente Médio na época de sua morte. Ele detinha o título de aiatolá e era considerado um dos principais maraji' do xiismo duodecimano do mundo.
Nascido na família Khamenei, estudou em uma hawza na sua cidade natal, Mexede, e mais tarde fixou-se em Cume, em 1958, onde frequentou as aulas de Ruhollah Khomeini. Khamenei envolveu-se na oposição a Mohammad Reza Pahlavi, o xá do Irã, e foi preso seis vezes antes de ser exilado por três anos pelo regime do xá. Khamenei foi uma figura importante na Revolução Iraniana e, após o seu sucesso, ocupou vários cargos na recém-criada República Islâmica. No rescaldo da revolução, foi alvo de uma tentativa de assassinato que lhe paralisou o braço direito. Houve ameaças contínuas de assassinato contra Khamenei por parte de Israel. Khamenei serviu como terceiro presidente do Irã de 1981 a 1989, durante a Guerra Irã-Iraque, quando também desenvolveu laços estreitos com o Corpo de Guardas da Revolução Islâmica (IRGC). Após a morte e o funeral de Estado de Ruhollah Khomeini em 1989, Khamenei foi eleito líder supremo pela Assembleia dos Peritos. Durante as deliberações, Khamenei expressou reservas sobre suas qualificações religiosas e adequação para o cargo. Ao contrário de seu antecessor, que detinha o título de Grande Aiatolá, Khamenei era então um clérigo de nível médio e não atendia ao requisito constitucional de marja'. A constituição foi posteriormente alterada para remover esse requisito, e a Assembleia reconfirmou sua liderança no final daquele ano.
Como líder supremo, Khamenei afirmou apoiar o programa nuclear do Irã para uso civil, ao mesmo tempo em que emitiu uma fátua proibindo a produção de armas de destruição em massa e promoveu o desenvolvimento científico e tecnológico, apesar das sanções internacionais. Khamenei favoreceu a privatização econômica das indústrias estatais e, com as reservas de petróleo e gás, transformou o Irã em uma superpotência energética. Sua política externa centrou-se no islamismo xiita e na exportação da Revolução Islâmica, bem como no combate aos Estados Unidos e a Israel por meio do apoio ao terrorismo e ao conflito indireto. Khamenei desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da IRGC, transformando-a em uma ferramenta primária para o controle interno e a influência regional. Sob Khamenei, o Irã apoiou a coalizão “Eixo da Resistência” na guerra civil síria, na guerra do Iraque, na guerra civil iemenita e na guerra de Gaza, bem como a Rússia durante a guerra russo-ucraniana. Um opositor ferrenho de Israel e do sionismo, Khamenei apoiou o Hamas no conflito israelo-palestino; sua retórica incluía apelos à destruição de Israel e tropos antissemitas. Ele também apoiou o Hezbollah no Líbano e os houthis no Iêmen. Sob Khamenei, o Irã teve relações hostis com os Estados Unidos e se envolveu em guerras por procuração com Israel e a Arábia Saudita. Em 2025 e 2026, as tensões com Israel e os Estados Unidos escalaram para a Guerra dos Doze Dias e a guerra do Irã de 2026. Khamenei foi assassinado no primeiro dia da guerra de 2026; a Assembleia dos Peritos elegeu seu filho Mojtaba como Líder Supremo em 8 de março.
A liderança de Khamenei esteve intimamente associada à expansão da militarização do Estado e à consolidação do poder dentro do gabinete do líder supremo. Ele reprimiu os opositores políticos, incluindo liberais, monarquistas, facções de esquerda, clérigos moderados e outros dissidentes políticos, ao mesmo tempo que ocasionalmente aliviava as restrições quando a estabilidade ou a legitimidade do regime eram ameaçadas. Khamenei era amplamente considerado um autoritário responsável pela repressão política, pela violência sancionada pelo Estado e por outras violações dos direitos humanos. Jornalistas, ativistas e outros indivíduos foram perseguidos por ações que incluíam insultos ao líder supremo, às vezes acompanhadas de acusações de blasfêmia, com penas que variavam de prisão a castigos corporais. Houve muitos protestos durante seu governo, incluindo em 1999, 2009, 2017–2018, 2018–2019, 2022–2023 e 2025–26, com os protestos finais contra seu governo levando aos massacres no Irã em 2026 sob sua autorização direta.
Primeiros anos de vida e educação
Ali Khamenei nasceu em 19 de abril de 1939 filho de Javad Khamenei, um alim e mujtahid nascido em Najaf, Iraque, e de Khadijeh Mirdamadi (filha de Hashem Mirdamadi), em Mexede. Foi o segundo de oito filhos. Dois de seus irmãos também se tornaram clérigos; seu irmão mais novo, Hadi Khamenei, é editor de jornal e religioso. Sua irmã mais velha, Fatemeh Hosseini Khamenei, morreu em 2015, aos 89 anos Seu pai era etnicamente turco azerbaijano, originário de Khamaneh, enquanto sua mãe era uma persa étnica de Iasde. Parte de seus antepassados veio de Tafresh, na atual província de Marcazi, tendo migrado dessa cidade para Khamaneh, próxima a Tabriz.
Um dos ancestrais de Ali Khamenei foi Sayyid Hossein Tafreshi, descendente dos Sayyids Aftasi, cuja linhagem supostamente remonta a Sultan ul-Ulama Ahmad, conhecido como Sultan Sayyid, neto do quarto imã xiita, Ali Açajade. A educação de Khamenei começou aos quatro anos de idade, quando iniciou o aprendizado de Alcorão em um Kuttab. Posteriormente, realizou seus estudos básicos e avançados no seminário da hawza de Mashhad, sob a orientação de mentores como Sheikh Hashem Qazvini e o aiatolá Milani.
Em Mashhad, também teve contato com intelectuais seculares e com o Movimento dos Socialistas Adoradores de Deus, uma organização política que defendia o socialismo islâmico e era influenciada por figuras como Karl Marx, Che Guevara, Tito e Ali Shariati. Khamenei participava de seus seminários e sermões, que, segundo Abbas Milani, influenciaram seu posterior terceiro-mundismo. Em 1957, foi para Najaf, mas retornou pouco depois a Mashhad devido à relutância de seu pai em deixá-lo ficar lá. Em 1958, estabeleceu-se em Cume, onde frequentou as aulas de Seyyed Hossein Borujerdi e Ruhollah Khomeini. Como muitos outros clérigos politicamente ativos na época, Khamenei estava mais envolvido com a política do que com os estudos religiosos.
Início da carreira política (décadas de 1960 a 1981)
De acordo com seu site oficial, Khamenei foi preso seis vezes antes de ser exilado por três anos durante o reinado de Mohammad Reza Pahlavi. Ele foi uma figura-chave na Revolução Iraniana no Irã e um confidente próximo de Ruhollah Khomeini. Desde a fundação da República Islâmica, Khamenei ocupou muitos cargos governamentais. Ele serviu como chefe dos servos de Astan Quds Razavi a partir de 14 de abril de 1979.
Muhammad Sahimi afirmou que sua carreira política começou após a Revolução Iraniana, quando o ex-presidente do Irã, Akbar Hashemi Rafsanjani, então confidente de Khomeini, trouxe Khamenei para o círculo íntimo de Khomeini. Mais tarde, Hassan Rohani, então membro do Parlamento, providenciou para que Khamenei obtivesse seu primeiro cargo importante no governo revolucionário provisório como vice-ministro da Defesa.
Em 1980, após a renúncia de Hussein Ali Montazeri ao cargo, Khomeini nomeou Ali Khamenei para o posto de Imã das Orações de Sexta-feira de Teerã. Khamenei foi brevemente vice-ministro da Defesa Nacional do final de julho até 6 de novembro de 1979 e supervisor da Guarda Revolucionária Islâmica. Ele também serviu no campo de batalha como representante da Comissão de Defesa do Parlamento Iraniano.
Tentativa de assassinato de 1981
Khamenei escapou por pouco de um atentado dos Mujahedin-e Khalq, quando uma bomba, escondida em um gravador, explodiu ao seu lado. Em 27 de junho de 1981, enquanto Khamenei retornava da linha de frente, ele foi à Mesquita Aboozar conforme sua programação de sábado. Após a primeira oração, discursou para os fiéis que haviam escrito suas perguntas em papel.