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Alfred Russel Wallace

Naturalista, geógrafo, antropólogo e biólogo britânico (1823-1913)

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Alfred Russel Wallace, OM, FRS (Usk, País de Gales, 8 de janeiro de 1823 — Broadstone, Dorset, Inglaterra, 7 de novembro de 1913) foi um naturalista, geógrafo, antropólogo e biólogo britânico.

Em fevereiro de 1858, durante uma jornada de pesquisa nas Ilhas Molucas, Indonésia, Wallace escreveu um ensaio no qual praticamente definia as bases da teoria da evolução e enviou-o a Charles Darwin, com quem mantinha correspondência, pedindo ao colega uma avaliação do mérito de sua teoria, bem como o encaminhamento do manuscrito ao geólogo Charles Lyell.

Darwin, ao se dar conta de que o manuscrito de Wallace apresentava uma teoria praticamente idêntica à sua - aquela em que vinha trabalhando, com grande sigilo, ao longo de vinte anos - escreveu ao amigo Charles Lyell: "Toda a minha originalidade será esmagada". Para evitar que isso acontecesse, Lyell e o botânico Joseph Dalton Hooker - também amigo de Darwin e com grande influência no meio científico - propuseram que os trabalhos fossem apresentados simultaneamente à Linnean Society of London, o mais importante centro de estudos de história natural da Grã-Bretanha, o que aconteceu em 1 de julho de 1858. Em seguida, Darwin decidiu terminar e expor rapidamente sua teoria: A Origem das Espécies, que foi publicada no ano seguinte.

Wallace foi o primeiro a propor a distribuição geográfica das espécies animais e, como tal, é considerado um dos precursores da ecologia e da biogeografia e, por vezes, chamado de "Pai da Biogeografia".

Wallace nasceu no vilarejo de Llandoc, próximo à Usk, Monmouthshire, País de Gales. Foi o oitavo de nove filhos de Thomas Vere Wallace e Mary Anne Greenell. Sua mãe era de uma família inglesa de classe média de Hertford. Thomas Wallace era de ascendência escocesa e sua família, como muitos Wallaces escoceses, reivindicavam uma ligação com William Wallace, o líder da insurreição contra a Inglaterra no século XIII. Thomas Wallace obteve graduação em direito, embora nunca tenha praticado a profissão e herdou terras rentáveis, mas investimentos ruins e empresas falidas resultaram numa deterioração regular das condições financeiras da família. Quando Alfred Wallace tinha cinco anos, sua família mudou-se para Hertford, ao norte de Londres, onde frequentou a Hertford Grammar School (Liceu) até que dificuldades financeiras forçaram sua família a retirá-lo em 1836.

Wallace então se mudou para Londres para morar e trabalhar com seu irmão mais velho John, um aprendiz de construtor com dezenove anos (em 1979 uma placa foi colocada na Rua St. Peter, 44, em Croydon em comemoração ao fato dele ter morado lá em algum momento daquele período). Essa foi uma medida paliativa até que William, o primogênito, estivesse em condições de receber Alfred como um aprendiz de agrimensor. Enquanto isso, ele assistiu às aulas e leu livros no Instituto de Mecânica de Londres, onde esteve exposto às ideias políticas radicais de reformistas sociais tais como Robert Owen e Thomas Paine. Deixou Londres em 1837 para morar com William e trabalhar como seu aprendiz por seis anos. Ao fim de 1839 mudaram-se para Kington, próximo da fronteira galesa, antes de finalmente se fixarem em Neath, Glamorgan. Entre 1840 e 1843, Alfred Wallace realizou trabalhos de agrimensura na zona rural ao oeste da Inglaterra e Gales. Por volta do final de 1843 a empresa de William declinou por conta de condições econômicas difíceis, e Alfred partiu em janeiro, com vinte anos.

Após um breve período de desemprego, Alfred Wallace foi contratado como mestre na Collegiate School em Leicester para ensinar desenho, cartografia e agrimensura. Wallace passou bastante tempo na biblioteca de Leicester onde leu "An Essay on the Principle of Population" de Thomas Malthus e onde em uma noite encontrou o entomologista Henry Walter Bates. Bates tinha apenas 19 anos, porém já havia publicado um artigo acerca de besouros no periódico The Zoologist. Ele formou uma amizade com Wallace e o familiarizou com a coleção de insetos. William faleceu em março de 1845, e Wallace abandonou seu cargo de professor para assumir a firma de seu irmão em Neath. Ele e seu irmão John não foram capazes de tocar o negócio, e após alguns meses Wallace encontrou trabalho como engenheiro civil em uma firma próxima que trabalhava na medição para uma ferrovia proposta no Vale de Neath. O trabalho de Wallace na agrimensura consistia em passar bastante tempo ao ar livre no campo, fato que lhe permitiu deleitar-se com sua nova paixão em coletar insetos. Wallace teve êxito em persuadir seu irmão John a acompanhá-lo no empreendimento de uma firma de arquitetura e engenharia civil, a qual executou vários projetos incluindo o planejamento e edificação do prédio do Instituto de Mecânica de Neath. William Jevons, o fundador deste instituto, ficou impressionado com Wallace e o convenceu a lecionar ciência e engenharia. No outono de 1846, aos 23 anos, ele e John reuniram condições para adquirir uma casa de campo próximo a Neath, onde viveram com sua mãe e irmã Fanny (seu pai falecera em 1843). Durante esse período ele leu avidamente, trocando cartas com Bates a respeito do tratado evolucionista de Robert Chambers Vestiges of the Natural History of Creation, A viagem do Beagle de Charles Darwin, e Princípios de Geologia, de Charles Lyell.

Exploração e estudo do mundo natural

Inspirado pelas crônicas de naturalistas viajantes precedentes incluindo Alexander von Humboldt, Charles Darwin e William Henry Edwards, Wallace decidiu que ele também queria viajar para o exterior como naturalista. Em 1848 Wallace e Henry Bates partiram para o Brasil a bordo do Mischief. Sua intenção era coletar insetos e outros espécimes animais na Floresta Amazônica e vendê-los a colecionadores na Inglaterra, a venda de coleções era uma fonte de renda para custear as expedições. Também esperavam juntar evidências da transmutação das espécies. Wallace e Bates passaram a maior parte de seu primeiro ano coletando espécimes próximo a Belém do Pará, quando exploraram o interior separadamente, encontrando-se por ocasião para discutir seus achados. Em 1849, tiveram a breve companhia de um outro jovem explorador, o botânico Richard Spruce, junto com o irmão mais novo de Wallace, Herbert. Herbert partiu logo em seguida (falecendo dois dias depois de febre amarela), mas Spruce, assim como Bates, passaria quase dez anos coletando na América do Sul.

Wallace continuou cartografando o Rio Negro por quatro anos, coletando espécimes e tomando notas acerca dos povos e línguas que encontrou bem como a geografia, flora e fauna. Em 12 de julho de 1852, Wallace embarcou rumo ao Reino Unido no brigue Helen. Após vinte e oito dias ao mar, o bálsamo na carga do navio pegou fogo e a tripulação foi forçada a abandona-lo. A coleção inteira que Wallace levava foi perdida. Pode apenas salvar parte de seu diário e uns poucos esboços. Porém uma pequena parte de seu material ficou retida no porto de Manaus, esta se salvou. Wallace e sua tripulação passaram dez dias num barco aberto antes de serem resgatados pelo brigue Jordeson, que estava viajando de Cuba para Londres. As condições no Jordeson' foram tensas por causa dos passageiros inesperados, mas após uma viagem difícil com uma alimentação deficiente o navio finalmente chegou ao seu destino em 1 de outubro de 1852.

Após seu retorno ao Reino Unido, Wallace passou dezoito meses em Londres vivendo do pagamento do seguro de sua coleção perdida e vendendo o que sobrou. Durante esse período, apesar de ter perdido quase todas as suas anotações de sua expedição à América do Sul, ele escreveu seis ensaios (os quais incluíram On the Monkeys of the Amazon) e dois livros: Palm Trees of the Amazon and Their Uses e Travels on the Amazon ("Palmeiras da Amazônia e seus usos e Viagens na Amazônia"). Também firmou contato com inúmeros outros naturalistas britânicos – mais significantemente, Darwin.

De 1854 a 1862, de 31 aos 39 anos de idade, Wallace viajou para a Arquipélago Malaio ou Índias Orientais (agora Malásia e Indonésia), a fim de coletar espécimes para vender e estudar a natureza. Suas observações das marcantes diferenças zoológicas através do estreito no arquipélago levaram-no a propor a fronteira biogeográfica atualmente conhecida como a Linha de Wallace. Wallace coletou mais de 125 mil espécimes no Arquipélago Malaio (só de besouros mais de 80 mil), sendo que mil representavam espécies novas para a ciência. Uma de suas mais bem conhecidas descrições de espécies durante sua viagem é a do sapo que desliza em árvores, Rhacophorus nigropalmatus, conhecido como o "sapo-voador-de-wallace". Enquanto ele explorava o arquipélago, refinou seus pensamentos acerca da evolução e teve sua famosa concepção da seleção natural.

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