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Alfred Rosmer

Sindicalista francês

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Alfred Rosmer (Nova York, 23 de agosto de 1877 - Créteil, 6 de maio de 1964) foi um líder sindicalista antes da Primeira Guerra Mundial e um dos poucos líderes desse movimento a se opor à guerra com o internacionalismo proletário. Um dos fundadores da Terceira Internacional, membro do politburo da Seção Francesa da Internacional Comunista (futuro PCF) entre 1922 e 1924.

Nascido Alfred Griot, filho de um operário que emigrou para os Estados Unidos depois da Comuna de Paris,

Até os oito anos, o jovem Alfred vivia em 'Patterson', próximo a Nova York onde seu pai era barbeiro. Depois disso mudou-se com ele para Montrouge na França.

Depois de concluir seus estudos e exercer vários pequenos trabalhos, Alfred conseguiu passar num concurso público na administração dos bairros.

Seu principal biógrafo, Christian Gras, relembra que "a ideia de fazer carreira foi, para ele como para outros futuros militantes, de inteligência excepcional e brilhante, de vasta cultura, totalmente alheia a sua concepção de vida". Aproveita, portanto, seu tempo livre a interessar-se por teatro, pintura e literatura. Igualmente se sente atraído pelas ideias revolucionárias. Contrário ao parlamentarismo socialista, tem uma tendência anarquista. Adere a diferentes movimentos: Montagne Sainte-Geneviève, Étudiants socialistes révolutionnaires, Étudiants socialistes révolutionnaires internationalistes.

De sua infância nos Estados Unidos, conserva o domínio da língua inglesa. Mas aprende italiano e russo para ler os autores que lhe interessam. Em junho de 1906, Alfred escreve seu primeiro artigo no jornal anarquista Les Temps Nouveaux, uma crítica teatral sobre Ibsen. O teatro será uma paixão que não abandonará jamais.

Alfred aderiu em 1899 ao primeiro sindicato de funcionários da prefeitura. Afasta-se lentamente do anarquismo para ficar próximo do sindicalismo revolucionário e escreve seus primeiros artigos, sempre sobre teatro no jornal "La Vie Ouvrière", da Confédération Générale du Travail (Confederação Geral do Trabalho, CGT) que Pierre Monatte havia fundado en 1909. A partir de 1913, toma parte do "núcleo" (nome oficioso do grupo de direção) do jornal, assinando com o pseudônimo de Alfred Rosmer. É o especialista em Inglaterra e Estados Unidos. Monatte e Rosmer seriam desde então amigos fieis.

A partir de 1912, Alfred Rosmer colabora no jornal Batalha Sindical substituindo a Amédée Dunois. O amante do teatro se converte então no cronista parlamentar, onde critica os discursos très Comédie Française. É tão severo com a eloquência verbal dos parlamentares como com o desalinho de alguns jornais anarquistas.

Seu interesse pelos problemas internacionais o levou a fazer numerosas viagens, à Inglaterra, Suíça, Bélgica, para assistir congressos ou seguir greves e entrevistar militantes. Em 1913, é enviado à Conferência Sindicalista Internacional que ocorria em Londres. A CGT e a "La Vie Ouvrière" estavam em desacordo com a criação de uma Internacional Sindical, se negam a participar oficialmente. Mas Alfred Rosmer sempre se mostrou curioso por encontrar-se com militantes estrangeiros.

No início da Primeira Guerra Mundial em 1914, Alfred Rosmer e Pierre Monatte levaram a público sua discordância com a política da União Sagrada. Rechaçam submeter à censura "La Vie Ouvrière", que cessa de publicar. Rosmer é mobilizado para a guerra, mas permanece acantonado próximo a Paris e pode continuar com suas atividades militantes. Sempre através das mãos de Monatte se converte na alma de um pequeno grupo internacionalista. Organiza a difusão clandestina do Au-dessus de la mêlée publicado na Suíça, de Romain Rolland. Nesta época inicia amizade com os militantes russos exilados em Paris, em particular com Trotsky e Martov, que iam nas reuniões da "La Vie Ouvrière". Quase todos os domingos, Rosmer passava o dia em uma das moradias parisienses de Trotsky.

Não pôde participar da Conferência de Zimmerwald que se reuniu fora das estruturas tradicionais dos sindicalistas e socialistas. É ali onde se cria o "Comitê para a Recuperação das Relações Internacionais". Alfred Rosmer participa nas reuniões do grupo e assina com Trotsky, em 29 de fevereiro de 1916, no Boletím de Zimmerwald, um manifesto colocando claramente a necessidade de uma Nova Internacional.

A partir de 1917, Rosmer apoia a Revolução Russa e se empenha resolutamente em difundir as publicações bolcheviques. Junto com Monatte, defendem a linha de um movimento internacionalista respaldado por um sindicalismo revolucionário.

La Vie Ouvrière reapareceu em 30 de abril de 1919. No Congresso da CGT de Lyon ao qual assiste e onde rendera contas, o discurso de Monnate traçará o programa da minoria sindicalista .

O "Comitê para a recuperação das relações internacionais", converte-se em maio de 1920 no "Comitê da III Internacional" que indica Alfred Rosmer como delegado para o 2º Congresso da Terceira Internacional em Moscou que será chamada a partir de então "Internacional Comunista". Alfred Rosmer permaneceu na Rússia dezessete meses durante os quais manterá relação com todos os dirigentes bolcheviques, especialmente Trotsky e Lenin, e os dirigentes da Internacional Comunista como Grigori Zinoviev, com quem, em certas ocasiões, terá algumas discussões. É eleito para o Comitê Executivo da Internacional Comunista, presidindo a Comissão de Questões Internacionais em várias ocasiões e na Comissão Sindical. É indicado para o Comitê Executivo ao lado de Karl Radek, Nikolai Bukharin e Béla Kun. Nas discussões internas, com relação a divergências táticas ou mais profundas, não as colocou fora do círculo da discussão, não quería anular a ação da Internacional Comunista com a que estava de acordo nos pontos essenciais.

Alfred Rosmer aprova globalmente a política dos bolcheviques, sem minimizar as dificuldades da revolução nos artículos que envia aos jornais. Não se coloca em desacordo com a repressão de Kronstadt e não crê na possibilidade de um assassinato dos delegados franceses, Vergeat, Lepetit e Lefebvre, misteriosamente desaparecidos no Gran Norte, quando voltavam para a França por Murmansk. Christian Gras aponta que este será um assunto doloroso para o resto de sua vida.

O antigo anarquista aceita igualmente a necessidade da ditadura do proletariado, radicalmente diferente do socialismo parlamentar. Sua presença em Moscou, lhe impede de participar diretamente no Congresso de Tours, está mais próximo dos militantes do Comitê da Terceira Internacional (Fernand Loriot, Boris Souvarine…), do que de Ludovic-Oscar Frossard ou Marcel Cachin, os dois dirigentes «centristas» da jovem Section Française de l'Internationale Communiste (Seção Francesa da Internacional Comunista, SFIC, futuro Partido Comunista Francês).

Criação da Internacional Sindical Vermelha

Em julho de 1921, Alfred Rosmer participa no congresso de fundação da Internacional Sindical Vermelha (Profintern). A questão das relações entre as duas internacionais é extremamente delicada. Para os anarco-sindicalistas, o sindicato é a ferramenta primordial para levar a cabo com êxito uma revolução operária, ao contrário da visão leninista na qual o partido é primordial. Alfred Rosmer fez um discurso hábil: já que a maioria dos delegados está a favor da colaboração entre as duas internacionais, está cooperação deve ser aceita. Os partidos deveriam se aproximar dos sindicatos revolucionários. Isto implica num nexo e não numa subordinação. Mas um delegado russo, Alexei Losovski apresentou um texto que previa uma relação orgânica obrigatória entre partido e sindicato. Alfred Rosmer só conseguiu substituir "obrigatória" por "altamente desejável".

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