A alfabetização consiste no aprendizado do alfabeto e de sua utilização como código de comunicação, e apropriação do sistema de escrita, e pressupõe a compreensão do princípio alfabético, indispensável ao domínio da leitura e escrita. De um modo mais abrangente, a alfabetização é definida como um processo no qual o indivíduo constrói a gramática e em suas variações, sendo chamada de alfabetismo a capacidade de ler, compreender, e escrever textos, e operar números. Esse processo não se resume apenas na aquisição dessas habilidades mecânicas (codificação e decodificação) do ato de ler, mas na capacidade de interpretar, compreender, criticar, ressignificar e produzir conhecimento. Todas essas capacidades citadas anteriormente só serão concretizadas se os alunos tiverem acesso a todos os tipos de portadores de textos. O aluno precisa encontrar os usos sociais da leitura e da escrita. A alfabetização envolve também o desenvolvimento de novas formas de compreensão e uso da linguagem de uma maneira geral.
A alfabetização de um indivíduo promove sua socialização, já que possibilita o estabelecimento de novos tipos de trocas simbólicas com outros indivíduos, acesso a bens culturais e a facilidades oferecidas pelas instituições sociais. A alfabetização é um fator propulsor do exercício consciente da cidadania e do desenvolvimento da sociedade como um todo.
A incapacidade de ler e escrever é denominada analfabetismo ou iliteracia, enquanto que a incapacidade de interpretar textos simples é chamada analfabetismo funcional ou semianalfabetismo.[carece de fontes?] No período pós-guerra o alfabetismo era visto sob uma perspectiva simplista de «saber ler, escrever e contar» [...] A partir da década de 60 esta visão alterou-se e passou a predominar uma visão mais funcional do conceito.
Segundo Soares (2003), o termo letramento surgiu em 1980, como verdadeira condição para sobrevivência e a conquista da cidadania, no contexto das transformações culturais, sociais, políticas, econômicas e tecnológicas. Ampliando, assim o sentido do que tradicionalmente se conhecia por alfabetização. Letramento não é necessariamente o resultado de ensinar a ler e a escrever. É o estado ou a condição que adquire um grupo social ou um indivíduo como consequência de ter-se apropriado da escrita. Surge, então, um novo sentido para o adjetivo "letrado", que significava apenas "que, ou o que é versado em letras ou literatura; literato", e que, agora, passa a caracterizar o indivíduo que, sabendo ler ou não, convive com as práticas de leitura e escrita. Por exemplo: quando um pai lê uma história para seu filho dormir, a criança está em um processo de letramento, está convivendo com as práticas de leitura e escrita. Não se deve, portanto, restringir a caracterização de um indivíduo letrado ao que domina apenas a técnica de escrever (ser alfabetizado), mas sim àquele que utiliza a escrita e sabe "responder às exigências de leitura e escrita que a sociedade faz continuamente".
Apesar de os termos alfabetização e letramento corriqueiramente aparecerem juntos, é preciso saber que o conceito de letramento não é tão antigo como o da alfabetização. E que embora estejam interligados possuem significados diferentes, de acordo com Soares (2004): Assim, por um lado, é necessário reconhecer que alfabetização – entendida como a aquisição do sistema convencional de escrita – distingue-se de letramento – entendido como o desenvolvimento de comportamentos e habilidades de uso competente da leitura e da escrita em práticas sociais.
O letramento, pode também ser definido como a arte de dominar a leitura e a escrita. Neste sentido, uma pessoa letrada é aquela que domina e as utiliza com competência em seu meio social, pois só assim o indivíduo se tornará alfabetizado e letrado. De acordo com a autora Soares, há a necessidade de diferenciá-los, pois pode-se confundir os dois processos, gerando, assim, um conflito na compreensão destes; e, ao aproximá-los, percebemos que a alfabetização pode modificar o entendimento de letramento, como ao mesmo tempo depende dele.
Ou seja, ao mesmo tempo em que a alfabetização e letramento são dois processos distintos, eles estão interligados. Por isso, para ser uma pessoa letrada, é importante já ter passado pelo processo de alfabetização.
Disseminação da alfabetização desde meados do século XX
Dados de alfabetização publicados pela UNESCO mostram que desde 1950, a taxa de alfabetização de adultos em nível mundial aumentou 5 pontos percentuais a cada década em média, de 55,7 por cento em 1950 para 86,2 por cento em 2015. No entanto, por quatro décadas, a população o crescimento foi tão rápido que o número de adultos analfabetos continuou aumentando, passando de 700 milhões em 1950 para 878 milhões em 1990. Desde então, o número caiu acentuadamente para 745 milhões em 2015, embora permaneça maior do que em 1950, apesar de décadas de universalidade políticas de educação, intervenções de alfabetização e difusão de material impresso e tecnologias de informação e comunicação (TIC). No entanto, essas tendências estão longe de ser uniformes entre as regiões.
Os dados globais disponíveis indicam variações significativas nas taxas de alfabetização entre as regiões do mundo. A América do Norte, Europa, Ásia Ocidental e Ásia Central alcançaram uma alfabetização adulta quase completa (indivíduos com 15 ou mais anos de idade) para homens e mulheres. A maioria dos países do Leste Asiático e Pacífico, bem como da América Latina e do Caribe, tem uma taxa de alfabetização acima de 90% para adultos. O analfabetismo persiste em maior extensão em outras regiões: dados do Instituto de Estatística da UNESCO (UIS) de 2013 indicam taxas de alfabetização de adultos de apenas 67,55% no Sul da Ásia e no Norte da África, 59,76% na África Subsaariana.
Em grande parte do mundo, as altas taxas de alfabetização de jovens sugerem que o analfabetismo se tornará cada vez menos comum à medida que as gerações mais jovens com níveis de realização educacional mais elevados substituem as mais velhas. No entanto, na África Subsaariana e no Sul da Ásia, onde vive a grande maioria dos jovens analfabetos do mundo, a baixa escolaridade implica que o analfabetismo persistirá em maior grau. De acordo com os dados do UIS de 2013, a taxa de alfabetização de jovens (indivíduos de 15 a 24 anos) é de 84,03% no Sul da Ásia e no Norte da África e 70,06% na África Subsaariana. No entanto, a distinção entre alfabetizados / analfabetos não é clara: por exemplo, dado que uma grande parte dos benefícios da alfabetização pode ser obtida por meio do acesso a uma pessoa alfabetizada em casa, alguma literatura recente em economia, começando com o trabalho de Kaushik Basu e James Foster distinguem entre um "analfabeto próximo" e um "analfabeto isolado". O primeiro se refere a uma pessoa analfabeta que mora em um domicílio com analfabetos e o segundo a um analfabeto que mora em um domicílio com todos os analfabetos. O que é preocupante é que muitas pessoas nos países pobres não são analfabetas próximas, mas sim analfabetas isoladas.
Dito isso, a alfabetização se espalhou rapidamente em várias regiões nos últimos vinte e cinco anos (veja a imagem). A iniciativa global das Nações Unidas para concretizar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 também está ganhando impulso.
O aprendizado da leitura é um momento importante na educação, que começa na alfabetização e se estende por toda educação básica. Consiste em garantir que o estudante consiga ler e compreender textos, em todo e qualquer nível de complexidade. Uma vez alfabetizado, é possível o indivíduo ampliar seu nível de leitura e de letramento, de forma a tornar-se um sujeito autônomo e consciente. O principal suporte para a alfabetização é a leitura, pois lendo com frequência facilita a fixar a grafia correta das palavras ou seja, o aprendizado. Sabemos que a leitura está ao nosso redor, nos fazendo ler o tempo todo, mas é necessário que a escola não se limite ao significado e a essa função que se atribui à leitura. Algumas coisas que aprendemos na escola são esquecidas com o tempo, por não serem praticadas. Através da leitura rotineira, os conhecimentos se fixariam de forma a não serem esquecidos posteriormente. Toda escola deve fornecer uma educação de qualidade incentivando a leitura, pois dessa forma a população se torna mais informada e crítica. A leitura é fundamental no desenvolvimento do ser humano onde a escola possui um papel importante no desenvolvimento do hábito de ler.